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    Adolescentes que passam a tomar café da manhã consomem menos doces e mais nutrientes ao longo do dia, diz estudo

    11 hours ago

    café da manhã, adolescentes Adobestock Incluir o café da manhã na rotina de adolescentes que costumavam começar o dia sem comer não aumentou o consumo de calorias, mas mudou a composição da alimentação nas horas seguintes. Os jovens passaram a ingerir mais fibras, ferro, zinco e colina e reduziram o consumo de doces e sobremesas. Os resultados são de um estudo controlado com 128 adolescentes e jovens de 14 a 21 anos que pulavam a refeição pelo menos seis vezes por semana. Os benefícios foram mais acentuados entre os participantes que receberam cafés da manhã com 30 gramas de proteína — o dobro da quantidade oferecida ao outro grupo. A pesquisa foi apresentada no sábado (25) durante a NUTRITION 2026, congresso anual da Sociedade Americana de Nutrição, nos Estados Unidos. Como o trabalho ainda não foi publicado em uma revista científica nem passou pela revisão por pares, as conclusões são consideradas preliminares. Agora no g1 Refeição mudou qualidade da dieta Os participantes foram divididos aleatoriamente em três grupos. Um continuou pulando o café da manhã. Os outros dois receberam refeições com cerca de 15 ou 30 gramas de proteína. Ao longo do acompanhamento, os pesquisadores prepararam e embalaram mais de 18 mil refeições, com alimentos comuns na rotina de jovens americanos, como burritos, quesadillas, ovos mexidos e vitaminas de frutas. As refeições eram consumidas em casa, e os participantes podiam decidir quanto comer. Para medir a adesão e calcular a ingestão de nutrientes, a equipe pesou as embalagens antes e depois do consumo e realizou recordatórios alimentares, nos quais cada jovem relatava tudo o que havia comido nas 24 horas anteriores. Adobe Stock Mais de 90% dos cafés da manhã fornecidos foram consumidos. As avaliações foram realizadas no início da pesquisa e depois de três e seis meses. Embora os três grupos tenham ingerido quantidades semelhantes de calorias ao longo do dia, os jovens que passaram a tomar café da manhã consumiram mais: fibras; ferro; zinco; colina. Eles também comeram menos sobremesas, balas e outros doces do que os participantes que continuaram sem a primeira refeição. No grupo que recebeu o café da manhã com 30 gramas de proteína, houve ainda maior consumo de ferro, colina e proteínas e uma redução mais expressiva dos açúcares adicionados — aqueles colocados em bebidas, sobremesas e produtos industrializados durante a fabricação ou o preparo. Café da manhã não compensou com mais comida Uma das dúvidas investigadas era se acrescentar uma refeição faria os adolescentes comerem mais no conjunto do dia. Isso não ocorreu: o total de calorias permaneceu semelhante nos três grupos. A diferença apareceu na escolha dos alimentos. Ao começar o dia com uma refeição planejada, os participantes ingeriram nutrientes que dificilmente seriam recuperados mais tarde e recorreram menos a produtos ricos em açúcar e gordura. A proteína pode ter contribuído para esse resultado por prolongar a saciedade e reduzir a fome entre as refeições. Mas o estudo não permite atribuir todo o efeito a um único nutriente. Os cafés da manhã oferecidos também continham alimentos que forneciam fibras, vitaminas e minerais. Os pesquisadores pretendem agora analisar se refeições matinais com mais proteína alteram a frequência dos pensamentos sobre comida e a intensidade dos desejos alimentares. Uma das próximas etapas deverá incluir adultos que interromperam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, usados no tratamento do diabetes e da obesidade. Uma dieta rica em fibras também é considerada especialmente importante para a saúde do cérebro Stock Photos via Getty Images Fibras, ferro, colina e suas funções A melhora observada não se resume ao aumento de proteínas. Os nutrientes que apareceram em maior quantidade exercem funções importantes durante uma fase marcada por crescimento e mudanças no organismo. O ferro participa da produção da hemoglobina, proteína das células do sangue responsável pelo transporte de oxigênio. A deficiência pode causar anemia, cansaço, fraqueza e dificuldade de concentração. O zinco atua no crescimento, na cicatrização e no funcionamento do sistema imunológico. As fibras ajudam a regular o intestino, aumentam a saciedade e contribuem para o controle da glicose e do colesterol. Já a colina é necessária para a formação das membranas das células e de substâncias usadas na comunicação entre os neurônios. Ela está presente em alimentos como ovos, carnes, leite, soja e algumas leguminosas. Mais proteína não significa recorrer a suplementos Um café da manhã com mais proteína pode ser montado com alimentos comuns, sem a necessidade de suplementos ou produtos formulados para atletas. Ovos, leite, iogurte, queijos, feijão e outras leguminosas podem ser combinados com frutas, aveia e pães ou cereais integrais. A composição, no entanto, é tão importante quanto a presença da refeição. Um café da manhã baseado apenas em bebidas açucaradas, biscoitos e outros produtos ultraprocessados não oferece o mesmo conjunto de nutrientes das refeições avaliadas no estudo. Também não é necessário transformar 30 gramas de proteína em uma meta universal. As necessidades variam conforme idade, peso, nível de atividade física, condições de saúde e o restante da alimentação. Resultado não vale para todos os jovens Os participantes tinham uma característica específica: quase nunca tomavam café da manhã antes do início da pesquisa. Por isso, o estudo mostra o que ocorreu quando a refeição foi introduzida na rotina de jovens que tinham o hábito de pulá-la — e não que todo adolescente terá os mesmos benefícios. A pesquisa também não avaliou perda de peso, desempenho escolar ou prevenção de doenças. O principal resultado foi a melhora da qualidade da dieta durante os seis meses de acompanhamento. Além disso, parte das informações dependia da memória dos participantes sobre o que haviam comido, método sujeito a erros mesmo quando combinado à pesagem das refeições fornecidas. Ainda assim, o desenho controlado e a duração do acompanhamento fortalecem a hipótese de que o café da manhã pode influenciar escolhas feitas durante o restante do dia. Os dados também afastam a ideia de que basta acrescentar qualquer alimento pela manhã: o conteúdo da refeição parece determinar parte relevante do efeito. Mais do que confirmar o café da manhã como uma refeição obrigatória ou “a mais importante do dia”, o estudo indica que oferecer uma opção equilibrada a adolescentes que costumam sair de casa sem comer pode preencher lacunas nutricionais sem elevar o consumo total de calorias. E sugere que, para melhorar a alimentação, não basta olhar quanto se come — é preciso observar o que ocupa o prato desde o início do dia.
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