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    Caetano Veloso faz 'Coração vagabundo' bater de novo ao louvar João Gilberto em música do álbum de Cézar Mendes

    há 12 horas

    Capa do single 'João', de Cézar Mendes (à direita) com Caetano Veloso Bob Wolfenson / Divulgação ♫ CRÍTICA DE SINGLE Título: João Artistas: Caetano Veloso e Cézar Mendes Cotação: ★ ★ ★ ★ ★ ♬ Conta o violonista e compositor baiano Cézar Mendes que, ao concluir o samba-canção “João” (2020), ele o mostrou ao muso inspirador da música, João Gilberto (10 de junho de 1931 – 6 de julho de 2019), e informou ao criador da bossa nova que a composição ganharia a voz de Caetano Veloso no álbum que Mendes planejava gravar. Passaram-se anos entre a intenção e a realização, mas eis que “João” chegou ao mundo ontem, sexta-feira, 25 de setembro, como amostra inicial do segundo álbum de Cézar Mendes, o primeiro em que o artista se apresentará como intérprete, dando ele próprio voz a um cancioneiro autoral composto geralmente em parceria com Arnaldo Antunes, letrista de “João” e dos outras músicas do álbum previsto para ser lançado em novembro em edição da Uns Produções. Só que, no caso de “João”, quem canta a música sozinho é mesmo Caetano Veloso em gravação que faz todo sentido dentro da trajetória do baiano tropicalista, devoto de João Gilberto desde 1958. E tudo se afina não somente porque foi Caetano Veloso quem apresentou o conterrâneo santo-amarense Cézar Mendes ao Brasil como compositor – em 1998, 40 anos após a revolução de João – ao abrir parceria com o violonista na criação de “Aquele frevo axé”, samba cheio de bossa lançado na voz de Gal Costa (1945 – 2022) como música-título do álbum lançado pelo cantora naquele ano de 1998. Quando Caetano canta os versos de “João”, louvando um dos mestres da música brasileira, é como se ele estivesse fazendo uma volta ao começo e fazendo bater novamente “Coração vagabundo”, a canção de 1967 que abriu o álbum dividido por Caetano com a mesma Gal Costa, então a Gracinha também devota de João. Tudo ali naquele dueto seminal era João e, por isso, tudo se encaixa agora em 2026. A gravação de “João” por Caetano ecoa o dueto com Gal em 1967 inclusive por mostrar que, para ir na essência de uma canção – a lição maior deixada por João – nem sempre é preciso optar pela economia instrumental. Diferentemente do que faz supor a foto de Bob Wolfenson na capa do single “João”, a gravação rejeita o formato minimalista de voz e violão. As cordas da St. Petersburg Studio Orchestra envolvem a gravação produzida e arranjada com esmero por Mario Adnet, também violonista da banda que inclui músicos como o ritmista Marcelo Costa (com bateria de toque reverente à leveza exigida por João Gilberto), o baixista Jorge Helder, o pianista Marcos Nimrichter e o flautista Eduardo Neves. Parece muito, e é mesmo, mas tudo e todos estão em fina sintonia com João Gilberto. Caetano Veloso (em pé) canta o samba-canção 'João' (2020) no segundo álbum do violonista Cézar Mendes, previsto para ser lançado em novembro Bob Wolfenson / Divulgação
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