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    Caos em Ceuta fortalece discurso anti-imigração e fornece munição a partidos de direita e extrema direita na Europa e nos EUA

    11 hours ago

    Fantástico vai até Ceuta, epicentro da crise migratória que sacudiu a Europa A maior parte das 60 mil pessoas que chegaram em Ceuta na quinta-feira passada já retornou ao Marrocos, mas as imagens de caos e desespero causadas pela dramática travessia serviram para fortalecer o discurso anti-imigração na Espanha, na Europa e nos Estados Unidos. O fluxo repentino de migrantes para o enclave espanhol forneceu munição aos partidos de direita e extrema direita para manter o tema no centro de suas agendas políticas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os argumentos convergiram em benefício próprio — do presidente dos EUA, Donald Trump, à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, incluindo Nigel Farage, líder do extremista Reform UK, para citar alguns dos que associaram a invasão ao medo e ao caos na porta de entrada da África para a Europa. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, acabou isolado por ter adotado políticas favoráveis à regularização da imigração, na contramão da postura mais rígida de vários vizinhos europeus, embora nunca tenha defendido fronteiras abertas ou sem controle. Líderes do partido de centro-direita PP e do ultradireitista Vox correram para Ceuta na tentativa de instrumentalizar a crise e atacar Sánchez. Santiago Abascal, líder do Vox, pediu a destituição do primeiro-ministro e a militarização da fronteira. O discurso xenófobo e imediatista parecia pronto. "Cada estupro ou esfaqueamento futuro terá sido importado por Pedro Sánchez, e seu legado é o colapso do nosso parque habitacional e do nosso sistema de saúde. Pedro Sánchez é o principal culpado pelo sofrimento que os espanhóis estão enfrentando e ainda enfrentarão." Migrantes africanos em Ceuta, exclave espanhol no norte da África, em 3 de agosto de 2026. Reuters O presidente Trump atribuiu o cenário épico em Ceuta às “leis fracas e muito liberais”, do premiê espanhol, seu principal desafeto no continente europeu. “É terrível. Lembrem-se daquela foto. É assim que estaremos daqui a três anos se o lado errado chegar ao poder. Se os democratas ganharem, você não terá uma vida muito boa”, assegurou o presidente, que tem o menor índice de aprovação de seus dois mandatos e enfrenta eleições legislativas em novembro. Meloni suspendeu temporariamente a livre circulação de pessoas entre Itália e Espanha e aproveitou para liderar, com a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, a convocação de uma reunião de emergência de Ministros do Interior da União Europeia, marcada para esta terça-feira (4). A premiê italiana está pressionada pela ascensão do general Roberto Vannacci, situado ainda mais à direita do espectro político do que seu partido e empenhado em conquistar o eleitorado mais radical. Meloni quer aproveitar a crise para promover a criação de centros de acolhimento para imigrantes em países terceiros. A Itália já aplica esse modelo na Albânia, mas ele ainda não se mostrou eficaz. Diferentemente do que ocorreu em 2015, quando mais de um milhão de refugiados chegaram ao continente europeu, partidos de extrema-direita agora estão em ascensão e encontram espaço para explorar politicamente a crise migratória em Ceuta e endurecer a retórica. Imigrantes marroquinos nada até o exclave espanhol de Ceuta, no norte da África Antonio Sempere / AFP Com a possibilidade concreta de chegar ao poder ou aumentar a participação nos parlamentos, eles forçam os governos a respostas mais contundentes na repressão à imigração. Marine Le Pen, que concorre à presidência da França pela quarta vez, aproveitou para defender o reforço das fronteiras com a Espanha. Favorita nas pesquisas, ela anunciou que se eleita vai reservar a livre circulação somente para os cidadãos da UE para “pôr fim a esta loucura”. O caos em Ceuta reacendeu o impulso para uma guinada mais à direita contra o movimento migratório. Governos europeus parecem mais preocupados em responder às pressões de seus eleitores e preservar apoio interno. Nesse contexto, o socialista Sánchez aparece cada vez mais solitário na Europa. LEIA TAMBÉM: Êxodo a Ceuta desloca 100 mil e abre busca por desaparecidos em Marrocos Marrocos atribui crise migratória em Ceuta à desinformação e ao tráfico Chefe da UE diz que Espanha 'foi eficiente' para resolver crise de migrantes em Ceuta Fantástico vai até Ceuta, epicentro da crise migratória que sacudiu a Europa
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