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    Com 271 kg, homem faz campanha para pagar hospital e fazer cirurgia bariátrica

    15 hours ago

    Morador de Várzea Paulista faz vaquinha online para realizar tratamento de obesidade Diego Vitor de Sousa vive, aos 42 anos de idade, uma rotina dividida entre dois relógios. Um age de forma regressiva, contando o tempo de vida que os médicos disseram que ele ainda tem pelos próximos três anos. O outro soma as horas para a chegada do dia em que ele entrará em um centro cirúrgico para reverter a primeira contagem. Esse conflito tem ocupado os pensamentos do homem desde o dia em que recebeu o diagnóstico da obesidade, dois anos atrás. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Morador de Várzea Paulista (SP), Diego e a esposa, Aline de Sousa, buscam uma oportunidade vital para enfrentar a doença. A chance dele realizar uma cirurgia bariátrica é um primeiro passo para que o sonho do tratamento se mantenha vivo. Contudo, o tempo e o dinheiro se mostram dois concorrentes desta corrida contra o peso. O casal iniciou uma campanha online de arrecadação financeira para conseguir cobrir os gastos hospitalares e realizar as cirurgias que Diego precisa fazer. A família calculou a necessidade de arrecadar R$ 50 mil para a cobertura de todas as despesas do tratamento. Até a última atualização desta reportagem, a campanha já havia arrecadado aproximadamente R$ 25 mil. Diego e Aline se casaram quatro meses antes dele iniciar o tratamento contra a obesidade Diego de Sousa / Arquivo pessoal Os desafios da obesidade Incapaz de perder peso suficiente dentro do tempo indicado pelos médicos, Diego deve passar por ao menos duas operações iniciais: uma que deve adicionar um balão intragástrico em seu estômago, para ajudá-lo a perder de 15% a 20% do peso; e a segunda será a cirurgia bariátrica. Diego pesa, atualmente, 271kg. O peso já o prejudica de diversas formas. Por conta da obesidade, ele está com úlceras nas pernas, e essas, segundo o médico, não irão melhorar enquanto não perder peso. Além disso, Diego vive diariamente com o suporte de oxigênio pra respirar e controlar a saturação, pois ainda tenta se recuperar de uma infecção por H1N1 desde junho de 2026. "Eu olhava no espelho mas não me via obeso, porque até então eu fazia de tudo. Porém quando minhas pernas pararam, eu fui ao médico e ele disse 'até os 45 você não chega', foi aí que eu vi. Me sinto preso porque não consigo mais sair de casa, não entro em qualquer carro... A obesidade é uma doença, mas tratam como frescura", desabafa Diego. Diego conseguiu iniciar o tratamento da obesidade acompanhado de médicos que se disponibilizaram para ajudá-lo de forma voluntária. Cardiologista, endócrino, nutricionista e psicóloga. Todos estes profissionais atuam de forma interdisciplinar para salvar a vida de Diego. Mas a família ainda precisa arcar com os outros custos de internações e medicamentos. Diego criou uma campanha online para arrecadar apoio financeiro e conseguir realizar a cirurgia bariátrica Redes sociais / Reprodução "O doutor conseguiu uma equipe para isso e até fez a doação da prótese, mas faltando três dias para a cirurgia fomos informados que o hospital cobraria um valor de R$ 20 mil. Nós não tínhamos esse dinheiro na hora e tivemos que cancelar a cirurgia que seria em maio. Desde então a saúde dele só piorou", conta Aline de Sousa, esposa de Diego. Leia também Confundido com obesidade, lipedema é tema de 1ª caminhada de conscientização em Sorocaba Idosa dança após última quimioterapia e leva tapete vermelho para homenagear equipe médica: 'Sou feliz e eles também' Distrofia de Duchenne: suspensão de remédio completa um ano e família de menino com doença rara continua sem respostas da Anvisa "Por conta de tudo isso ,fizemos uma vaquinha online pra conseguirmos o valor da internação, um colchão que suporte o peso dele, e também pra custear os remédios e demais tratamento, visto que somente eu estou trabalhando. Essa vaquinha não é apenas por uma cirurgia. É por dignidade, por qualidade de vida e uma nova chance de viver", explica. Obesidade Grau III De acordo com dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, do Ministério da Saúde, ao menos 6,74% da população da região metropolitana de Jundiaí (SP) enfrenta a obesidade em seu nível mais grave. Essa média é maior do que a nacional, que apresenta o registro de aproximadamente 5% de casos de Obesidade Grau III. No total esse número representa mais de um milhão de brasileiros que convivem com a doença. A endocrinologista Fabiana Scomparin explica que a definição dos graus de obesidade depende especialmente do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) de cada paciente. Sendo a seguinte referência para os diferentes graus de obesidade: Grau I: De 30 a 34.9 Grau II: Entre 35 e 39.9 Grau III: Acima de 40 O IMC é calculado dividindo o valor do peso da pessoa pelo número de sua altura multiplicada por ela mesma. Segundo a doutora, o resultado indica a qualidade da saúde dos pacientes. "Essa classificação da obesidade é para mostrar o risco cardiovascular desse paciente, porque a medida que o IMC aumenta, o risco acaba sendo maior". Mais que IMC: especialistas propõem reformulação de diagnóstico da obesidade Tendo esta referência, é que o tratamento deve iniciar o mais breve possível. Para os diagnosticados no nível mais alto da doença, a perda de peso se mostra incapaz de acontecer de forma natural e a ocorrência de outras doenças junto com a obesidade dificulta o quadro do paciente. "A cirurgia bariátrica é uma cirurgia de grande porte. Ainda mais para um paciente grau três o risco cirúrgico também aumenta muito. Eles podem ter um problema cardíaco, ser hipertenso, diabético, ter esteatose hepática... É uma série de complicações para monitorar antes da cirurgia", explica a médica. Fabiana Scomparin é endocrinologista especialista no tratamento de obesidade em Jundiaí (SP) Fabiana Scomparin / Imagem cedida "A obesidade é uma doença crônica e o paciente mesmo fazendo bariátrica, ele vai ter que se cuidar depois. Às vezes o paciente acha que vai operar e acabou. Não é isso. Ele vai ter que manter o seguimento contínuo, porque a cirurgia pode levar a um quadro de hipovitaminose [falta de vitaminas no organismo] no futuro, e ele vai ter reganho de peso. Então é uma coisa que tem que cuidar para sempre", reforça. A união que faz a diferença Diego e Aline sabem que algumas coisas são indispensáveis nessa luta contra a doença. Para eles, a fé é sinônimo de esperança enquanto se dedicam à disciplina do tratamento. O companheirismo é um dos diferenciais para todos que convivem com esta realidade. Em um desabafo emocionado ao g1, Diego expôs um pouco dos sentimentos que têm feito parte do seu dia a dia. O apoio da esposa é um fôlego para ele, mas a solidão também se faz presente durante algumas fases do processo. "Eu acho que cheguei nesse ponto do peso pela aceleração da rotina que eu sempre vivi. É como um dos meus médicos falou: 'Se emagrecer fosse só parar de comer, não existiria gente gorda'. Mas nós muitas vezes acabamos virando adictos da comida. Hoje eu faço terapia e isso me ajuda a entender alguns gatilhos, mas eu estou há meses apenas em casa, aguardando conseguir estar com os exames alinhados para colocar o balão. Eu me sinto em um cárcere privado". A esposa destaca: "Casamos em abril de 2025 e, quatro meses depois, o médico nos deu esse prazo de validade. Se formos esperar as filas e as dietas comuns, será uma espera de um tempo que ele não tem". "Eu quero que ele tenha vida, não que fique trancado em casa. A gente cantava na igreja, ele toca violão... É isso que queremos. Não vamos parar e estamos juntos nessa", finaliza Aline. Diego e Aline se casaram quatro meses antes dele iniciar o tratamento contra a obesidade Diego de Sousa / Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
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