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    De baleias gigantes a peixes-bois: como cientistas e ribeirinhos estão protegendo vida marinha na costa do PA

    10 hours ago

    Cientistas e ribeirinhos estão protegendo vida marinha na costa do Pará. Alexandra Costa Onde o Rio Amazonas se encontra com o Oceano Atlântico, uma riqueza imensa e ainda pouco conhecida de vida marinha luta para sobreviver. É nessa região do Pará de correntes fortes e geografia desafiadora que uma força-tarefa científica mapeia e busca proteger os animais que habitam a costa amazônica e a Margem Equatorial brasileira. O trabalho do grupo de pesquisadores paraenses mudou o mapa da biodiversidade no estado. Até o início das pesquisas do instituto, apenas cinco espécies de mamíferos marinhos eram oficialmente registradas no litoral do Pará. Atualmente, esse número saltou para 23 espécies. "Nosso propósito é mudar o status de conservação das espécies da fauna aquática da região costeira amazônica", explica a oceanógrafa Renata Emin, presidente do instituto Bicho d'Água. ✅ Receba as notícias do g1 Pará direto no WhatsApp Os gigantes da costa norte O aumento de registros não aconteceu da noite para o dia, mas sim por meio de anos de monitoramento persistente de 120 quilômetros de praias, além do resgate de animais encalhados. Entre as espécies que agora sabemos que frequentam ou habitam as águas paraenses estão: Peixe-boi-marinho: um dos mamíferos aquáticos mais ameaçados do país; Boto-cinza: presença marcante nos estuários; Baleia-de-Bryde e Baleia-fin: gigantes que viajam pelos oceanos e passam pela costa norte; Diversas outras espécies de golfinhos oceânicos e baleias. Pescadores e ribeirinhos Como monitorar uma área tão vasta e de difícil acesso na Amazônia? A resposta do Instituto Bicho D'Água foi unir a ciência acadêmica ao conhecimento de quem vive da floresta e da água. No município de Soure, na Ilha de Marajó, a organização estruturou um projeto de monitoramento participativo. Os moradores ribeirinhos atuam como verdadeiros sentinelas da natureza. Eles observam o comportamento dos peixes-bois perto de suas casas e repassam as informações aos biólogos. Além disso, uma rede de informantes, que reúne pescadores artesanais, comunidades tradicionais e órgãos ambientais, avisa rapidamente os cientistas sempre que um animal é avistado em situação de risco ou encalhado nas praias. Esse esforço comunitário não serve apenas para salvar vidas no dia a dia, mas também abastece de dados os principais instrumentos de preservação do governo federal. Fortalecendo a gestão Apesar da relevância científica, manter uma estrutura de pesquisa ativa na Amazônia exige recursos e estabilidade financeira. Para garantir que as expedições de campo, os resgates e o trabalho com as comunidades não parem por falta de verba, o Instituto Bicho D'Água está profissionalizando sua gestão. A organização é uma das selecionadas para a segunda edição do Impulso PRIO, programa de aceleração promovido pela empresa PRIO em parceria com a Ago Social. Ao longo de 11 meses, os cientistas Renata Emin e Reginaldo Medeiros participam de mentorias e capacitações no Rio de Janeiro, focadas em captação de recursos, comunicação e governança. O objetivo é transformar a excelência científica do instituto em uma estrutura administrativa sólida e autônoma. "Não se trata apenas de apoiar projetos, mas de contribuir para que eles se tornem mais estruturados, sustentáveis e capazes de crescer com autonomia. Queremos que esse impacto passe a ser contínuo", afirma Olivia Stewart Richardson, Head de Comunicação e Marketing da PRIO. Para a equipe de pesquisadores do Pará, a expectativa é de que a estruturação garanta um futuro mais seguro para o projeto e, consequentemente, para as espécies que eles protegem. "Estamos confiantes de que, em breve, vamos alcançar a sustentabilidade das nossas atividades. Isso nos permitirá engajar cada vez mais pessoas na conservação da biodiversidade amazônica", afirma Renata Emin. Leia mais notícias do estado no g1 Pará
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