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    Debate com candidatos ao governo tem críticas a fala sobre laqueadura, 'supersalário' e redução de impostos para bets

    há 13 horas

    Ivan Moraes (PSOL), João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) durante debate Reprodução/YouTube/TV Guararapes A menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições, candidatos ao governo de Pernambuco participaram, nesta segunda-feira (21), de um debate. Participaram do encontro Ivan Moraes (PSOL), João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD), candidata à reeleição. O programa começou às 18h e foi promovido pela TV Guararapes, no Recife. Participaram os postulantes de partidos com representação no Congresso Nacional. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O debate foi dividido em quatro blocos e, ao fim, os candidatos fizeram suas considerações finais. Entre os temas discutidos, houve cobrança por dados sobre violência obstétrica, em referência ao vídeo em que Raquel Lyra sugeriu fazer laqueadura em uma mulher "sem ela saber". A governadora pediu desculpas sobre a fala, que repercutiu nos últimos dias. Outros assuntos que tiveram destaque foram a discussão em torno do salário de Raquel Lyra, que, segundo a campanha de João Campos, recebe além do limite previsto pela Constituição; e a lei municipal do Recife que reduziu impostos para bets. Agora no g1 Confira, a seguir, como foi o debate, bloco a bloco: Primeiro bloco O primeiro bloco teve duas rodadas de perguntas. Ivan Moraes questionou Raquel Lyra sobre a evolução dos casos de violência obstétrica e as ações do governo para enfrentar o problema, após a repercussão de um vídeo em que a governadora sugere uma laqueadura “sem ela saber” para uma mulher grávida que tem sete filhos. Raquel disse que “não se reconheceu” nas imagens, pediu desculpas pela “fala infeliz” e citou ações da gestão voltadas às mulheres. Na réplica, Ivan afirmou que “praticamente não há dados” sobre violência obstétrica em Pernambuco e cobrou relatórios do governo. Raquel citou o Mães de Pernambuco e políticas habitacionais. Na sequência, Raquel questionou João Campos sobre a redução de 60% no imposto para casas de apostas durante sua gestão no Recife. Ele disse ser pessoalmente contrário às BETs e afirmou que a mudança acompanhou a regulamentação federal para garantir a arrecadação de impostos. Raquel citou os impactos do vício em apostas e afirmou que João “culpou” Lula pela redução. Ele respondeu citando o Serviço Integrado de Saúde Mental criado no Recife. João Campos depois questionou Ivan Moraes sobre o fim do 13º do Bolsa Família em Pernambuco, atribuído por ele ao governo Raquel Lyra. Ivan afirmou que não seria estratégico associar continuamente Raquel ao bolsonarismo e defendeu que a eleição de Lula é a mais importante do ano. João disse que, se dependesse dele, todos os pernambucanos votariam em Lula e prometeu recriar o 13º e ampliar o Mães de Pernambuco. Na tréplica, Ivan afirmou que as candidaturas de João e Raquel são semelhantes, mas voltou a defender a reeleição de Lula. Segundo bloco O segundo bloco teve duas rodadas de perguntas entre os candidatos, com temas sorteados no momento do debate. Raquel Lyra foi a primeira a perguntar e escolheu João Campos para responder sobre turismo. Ela questionou as propostas do candidato para o setor, citando o abandono do Centro do Recife e a obra da orla de Boa Viagem inacabada. João afirmou que sua gestão realizou o saneamento da orla pela primeira vez, destacou o projeto de requalificação do Centro com cinco mil moradias e disse que, se eleito, investirá na qualificação profissional e na duplicação da PE-60. Na réplica, Raquel criticou a situação do Recife, enquanto João afirmou que ela não realizou obras na capital. Na sequência, João Campos perguntou a Ivan Moraes sobre saúde, abordando o fechamento de leitos em Pernambuco. Ivan defendeu o fortalecimento da atenção básica, afirmou que fará uma “política de saúde e não de doença” e prometeu investir na qualificação das unidades de saúde. João respondeu citando a proposta de construir o Hospital Metropolitano de Saúde, entre Recife e Jaboatão, além da implantação de Centros TEA. Depois, Ivan Moraes questionou Raquel Lyra sobre meio ambiente e apresentou o programa Lixo Zero como uma de suas propostas. Raquel respondeu destacando a importância do reaproveitamento de resíduos e citou ações voltadas à ampliação do saneamento básico, do tratamento de água e esgoto e do licenciamento ambiental. Na tréplica, Ivan defendeu o fim dos aterros sanitários e a ampliação da reciclagem e da compostagem. Na segunda rodada, Ivan Moraes perguntou a João Campos sobre habitação. João destacou propostas para ampliar a oferta de moradias no Centro do Recife, com um programa específico para servidores. Na réplica, Ivan criticou a concessão de áreas da região central à iniciativa privada e defendeu políticas públicas para reocupar bairros como Santo Antônio e São José. Em seguida, João Campos questionou Raquel Lyra sobre segurança pública, perguntando quantas delegacias da mulher foram construídas durante sua gestão. Raquel não respondeu a quantidade e afirmou que recebeu a área sucateada do antigo governo do PSB, citou investimentos e prometeu realizar concurso para 10 mil agentes de segurança. João respondeu que pretende duplicar a rede de delegacias da mulher e garantir funcionamento 24 horas. Encerrando o bloco, Raquel Lyra perguntou a Ivan Moraes sobre emprego e renda. Ivan afirmou que os seus programas de governo, como Lixo Zero e Cultura Todo Dia, vão estimular a geração de empregos. Na réplica, Raquel disse que seu governo criou mais de 200 mil empregos com carteira assinada. Ivan respondeu atribuindo a melhora dos indicadores à retomada da economia durante o governo Lula. Terceiro bloco O terceiro bloco teve duas rodadas de perguntas com tema livre entre os candidatos. Raquel Lyra abriu o bloco questionando João Campos sobre infraestrutura, citando a entrega de 1.650 quilômetros de rodovias, outros 1.500 quilômetros em obras e a meta de alcançar 3 mil quilômetros em seu governo. Ela também voltou a criticar a obra da Orla de Boa Viagem, afirmando que o projeto recebeu aditivos. João respondeu que os aditivos são previstos em lei e, na réplica, questionou Raquel sobre sua remuneração como governadora e procuradora do Estado, tema que gerou embate entre os candidatos. Raquel Lyra recebe mais de R$ 60 mil, contando salário e vantagens relacionadas à carreira de procuradora. O salário de governadora, por sua vez, é de R$ 22 mil, enquanto o teto constitucional do serviço público é de R$ 46 mil, que corresponde ao subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Na sequência, João Campos perguntou a Ivan Moraes sobre educação. Ivan defendeu a realização de concursos públicos e a convocação dos aprovados. Na réplica, João apresentou propostas como o Ganhe o Mundo Musical, os Jogos Escolares da Cultura, o Pé-de-Meia Pernambuco para estudantes do ensino técnico e a construção de escolas técnicas no interior. Depois, Ivan Moraes questionou Raquel Lyra sobre os gastos com shows promovidos pelo governo estadual. Raquel respondeu destacando a ampliação do Funcultura e a criação do festival Pernambuco Meu País. Na tréplica, Ivan criticou atrasos nos repasses à Fundarpe e defendeu o projeto Cultura Todo Dia, do seu programa de governo, para fortalecer manifestações culturais como maracatu e ciranda. Na segunda rodada, Raquel Lyra voltou a perguntar a João Campos e criticou o reajuste salarial de R$ 1 oferecido aos servidores municipais durante a sua gestão como prefeito do Recife, questionando como os servidores poderiam confiar em suas promessas. João respondeu afirmando que a candidata deve ter se confundido e que o valor citado correspondia a uma declaração feita por Raquel à Justiça Eleitoral do que ela tinha em conta, e também cobrou o cumprimento da promessa de construção de 250 creches pelo governo estadual, das quais 15 foram entregues. Em seguida, João Campos perguntou a Ivan Moraes sobre a concessão da Compesa. Ivan afirmou ser contrário à medida e criticou as empresas vencedoras da licitação, citando suspeitas de corrupção envolvendo uma delas e o baixo desempenho de outra em contrato anterior, durante o governo do PSB, de saneamento no estado. Encerrando o debate, Ivan Moraes questionou Raquel Lyra sobre o aumento da violência policial em Pernambuco e perguntou sobre a implantação de câmeras corporais. Raquel respondeu que o 16º Batalhão já utiliza os equipamentos em um projeto-piloto, que poderá servir de referência para futuras ampliações. Ela também destacou a realização de concursos para a segurança pública e defendeu a valorização do mérito no serviço público. Quarto bloco No último bloco, foi aberto o espaço para as considerações finais dos candidatos. Além disso, foram concedidos dois direitos de resposta, sendo um para Raquel Lyra e outro para João Campos. A atual governadora havia pedido direito de resposta sobre alegações do adversário de que ela estava acumulando uma remuneração de forma inconstitucional, ao optar por receber o salário de procuradora do estado durante sua gestão. Em sua fala, a candidata à reeleição disse ser uma mulher honesta e trabalhadora e afirmou que respeita "o concurso público" e não "fura fila". O ex-prefeito também pediu direito de resposta depois que Raquel afirmou que ele não poderia dizer que a remuneração dela era inconstitucional e caberia à Justiça decidir sobre a questão. Em sua fala, o candidato disse que o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Levandowski já havia se manifestado sobre o assunto. Raquel Lyra: "Meiry, eu quero agradecer a você pela mediação do debate e aos demais candidatos que estão aqui, à TV Guararapes, a oportunidade de poder estar aqui e conversar com quem está em casa. E a minha conversa é direto com você. Você me viu ao longo desses três anos e nove meses de mandato. Você sabe que eu sou uma pessoa que tem maturidade e experiência e que trabalha do jeito certo, a maturidade de enfrentar problemas que há muito não enfrentavam, de reconhecer erros e pedir desculpa e de garantir que a gente pudesse estar aqui reconhecendo a dor do povo e trabalhando para poder garantir que as pessoas possam ser felizes no seu chão. Eu andei em Pernambuco inteiro muitas vezes, sendo filha do interior, conheço de perto a realidade do meu povo, vivendo aqui por muito tempo, conheço as dores de quem vive na Região Metropolitana do Recife. A distância de quem pensa do trato do governo do sertão. A gente fez um governo presente, chegando na vida de muita gente, de pessoas como Dona Corine em Jardim Monte Verde, como Dona Lu no Entrapulso, como Dona Bio do Alto Zé do Pinho, pessoas como Sandra, que perdeu tudo numa carroça queimada e ganhou uma casa nova pra chamar de sua, pessoas que não tinham direito à água e agora têm. Mas, enquanto tiver uma mãe esperando um atendimento no hospital, uma estrada pra levar mais oportunidade para um jovem quando faltar ainda, enquanto a mãe ainda tiver angustiada pelo direito de ter paz pra poder receber o seu filho de volta em casa do trabalho da escola, eu estarei trabalhando por você. Pernambuco está pronto sim. Depois de tanto tempo, de enfrentamento de tantos desafios e de a gente fazer o maior investimento da história em todas as áreas, a gente está pronto para crescer, para liderar de volta o Nordeste brasileiro e vivermos os melhores anos da nossa história. Para você que está em dúvida no voto, eu peço a confiança e uma oportunidade de ser sua governadora de novo. Eu sou Raquel Lira, mãe de João e Nando, tenho 47 anos e o meu número é 55. Beijo no seu coração. Beijo, João e beijo, Nando". Ivan Moraes: "Então, gente, como eu costumo me apresentar nessa campanha eleitoral, eu sou Ivan Moraes, filho de um comerciário de um professor, um cidadão comum direcionado para acabar o revezamento de herdeiros no Palácio das Princesas. Vocês viram ao longo do debate meus adversários se revezando propondo, vendo quem faz mais ou melhor a mesma coisa e viu eu fazendo propostas diferentes. Eu dizia, nas sabatinas que antecederam a campanha propriamente dita, que nos debates eu vou trazer tanta proposta boa que eu vou acabar convencendo meus adversário que o meu programa é o melhor. Isso começou a acontecer hoje, a olhos vistos. Vocês viram o ex-prefeito da capital dizendo que a minha proposta de tarifa zero é uma proposta boa. Vocês viram a atual governadora que concorre à reeleição falando da importância da nossa proposta do lixo zero, falando que a nossa proposta de cultura todo dia é bacana. Então, vocês imaginam eu chegando no segundo turno ou mesmo eu levando essa eleição para o segundo turno. Imagina quando eu tiver a oportunidade pra dizer pra eles e pra você mais sobre, por exemplo, o meu plano integrado de combate à violência contra a mulher e o feminicídio. Imagina quando eu puder falar pra você mais sobre minha proposta de desenvolvimento de baixo para cima ou sobre o meu plano estadual da cannabis, tirando uma planta, que hoje está entregue à violência ao estigma e trazendo ela para significar tecnologia e desenvolvimento. Imagina quando eu tiver tempo de olhar pra você, professor e professora que está na rede do Estado, e dizer que, junto ao Sintepe, a gente vai elaborar um plano para que os que hoje são mais de 14 mil professores e professoras que têm contrato temporário, a gente transformar tudo isso em professores e professoras concursada. Quantas 1000 a gente pode fazer logo de cara? Imagina quando eu tiver a oportunidade de dizer pra você, que trabalha na saúde como enfermeira e enfermeira, que o meu governo vai garantir o piso da enfermagem. Eu estive com vocês nos protestos. Eu estive com vocês em toda aquela luta que o governo do estado precisa fazer valer de fato. Mais vez eu sou Ivan Moraes, sou um cidadão comum, indignado com a política. Pai de Lua, pai de João, companheiro de Diane, filho de seu Ivan, maravilhoso, que deve estar me assistindo. Nós estamos juntos para construir o Pernambuco do bem viver. Meu número é 50". João Campos: "Eu quero agradecer você que está em casa nos acompanhando, dizer que eu vim aqui para falar do futuro de Pernambuco. Tive a oportunidade, nos cinco anos e três meses, de governar a nossa capital. Conseguimos bater recorde de obra em morro, fazer o Hospital da Criança, UPAs especialidades, 78 unidades de saúde, construir o maior programa de educação superior em tecnologia do Brasil, Embarque Digital, primeiro programa de uma cidade na história do país que manda o menino estudar fora do Brasil numa universidade. Tudo isso através da escola pública. Agora chegou a hora de fazer para Pernambuco, de poder fazer muito mais, de cuidar de quem de fato precisa cuidar, principalmente das mulheres. E aqui eu queria deixar a minha mensagem de respeito e solidariedade e dizer que, em lugar nenhum do mundo, muito menos em Pernambuco, é terra que faz 'sem ela saber'. Minha solidariedade a vocês como liderança política como candidato. Nós não podemos assistir a nenhum tipo de violência contra as mulheres e ficar calado. A gente precisa respeitar o direito das mulheres, o direito de escolher o que quiser ser na vida, o que quiser fazer na vida, porque liderar é também dar exemplo. E, como diz que muitas vezes a boca fala o que o coração está cheio, está lá em Mateus na Bíblia. Eu estou aqui para a gente poder cuidar da minha vida para Pernambuco pelo nosso povo, construir o melhor tempo da nossa história em parceria com o presidente Lula, construindo grandes obras, como a Transnordestina, duplicando a estrada, fazendo mais de mil obras diária na área metropolitana em morro, fazer com que o discurso se concretize na prática, se realize as coisas aconteçam e a vida das pessoas melhorem. Política é a arte de juntar e a arte de fazer do presente um compromisso de trabalho sério e realizador com o futuro. Meu nome é João Campos. Meu número é 40 e eu queria ter a sua confiança para governar o nosso estado. Boa noite". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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