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    Dia do Sorvete: Filho transforma sorveteria batizada com o apelido do pai em uma das maiores redes do Brasil

    há 14 horas

    Filho transforma sorveteria com o apelido do pai em uma das maiores redes do Brasil Antes de ter mais de mil lojas, milhares de clientes e uma frota de caminhões, a Chiquinho Sorvetes funcionava em um espaço de apenas 16 metros quadrados. No Dia do Sorvete, celebrado nesta quarta-feira (23), o g1 conta a história da pequena loja criada em Frutal, no Triângulo Mineiro, que anos mais tarde se tornou uma rede conhecida em todo o Brasil. Em 1980, aos 18 anos, Isaías Bernardes de Oliveira começou uma história que levaria o nome da família para praticamente todo o país. Na época, Isaías percorria as ruas da cidade de bicicleta, fazendo entregas de frutas, leite e pães. O pai, Francisco, era fazendeiro e acompanhava a rotina do filho. Um dia, os dois decidiram que era hora de abrir um negócio. A primeira ideia não tinha sorvete. O plano era abrir uma frutaria, acompanhada de uma casa de sucos e vitaminas. Mas Isaías achou que faltava alguma coisa e sugeriu acrescentar uma sorveteria. Foi essa sugestão que mudou a história da família. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp No meio está Francisco, fundador da Chiquinho Reprodução/Chiquinho Sorvetes O nome também veio de casa. Francisco, pai de Isaías, era conhecido pelo apelido de Chiquinho. A pequena sorveteria ganhou o nome dele, que décadas depois estaria estampado em mais de mil fachadas. No início, porém, não havia nada de grandioso. Isaías abria a loja, atendia os clientes, fechava o estabelecimento e ainda fabricava os sorvetes. A receita foi apresentada por uma pessoa que já trabalhava no ramo. Isaías fez treinamentos, aperfeiçoou o produto e começou a produzir os próprios sorvetes. Do outro lado do balcão, os clientes trataram de espalhar a novidade pela cidade. Um cliente experimentava, gostava e contava para alguém. Daí, outro aparecia para provar. Em uma época em que a propaganda dependia mais da conversa entre vizinhos do que de uma tela de celular, o sorvete ganhou fama em Frutal. A loja cresceu e, com ela, a família também precisou crescer. Para o filho de Isaías e vice-presidente da empresa, Pablo Bernardes, o principal motivo para o sucesso nos primeiros anos foi a qualidade do produto. “A receita foi o grande diferencial. A receita, a qualidade. Meu pai sempre prezou muito na qualidade.” O sorvete sai de Frutal Sorveteria Chiquinho em Frutal Reprodução/Chiquinho Sorvetes Durante um bom tempo, a Chiquinho cresceu sem perceber que estava crescendo. Uma nova loja surgia porque um familiar queria abrir um negócio. Outra aparecia em uma cidade próxima. Assim, a marca foi deixando Frutal. Vieram Orlândia, São Joaquim da Barra, Sertãozinho e Barretos, no interior de São Paulo. Quase todas eram lideradas por familiares. Havia também uma razão prática para a expansão. Isaías ainda produzia os sorvetes. Por isso, quanto mais perto a loja estivesse da fábrica, mais fácil era manter o abastecimento. Ainda não existia um grande projeto de franquias, com planos para levar a marca a diferentes estados do país. “Foi crescendo naturalmente, sem pensar no processo de franquias. Era mais uma rede para ajudar os familiares a ter um crescimento também”, explicou Pablo. Isaias quando começou a sorveteria Reprodução/Chiquinho Sorvetes O principal produto do cardápio era, naquele momento, o sorvete de massa. Até que chegou o sorvete soft. 🔍 Sorvete soft é aquele sorvete mais cremoso e macio, servido diretamente de uma máquina, geralmente em formato de espiral. Ele tem textura mais leve e é produzido e congelado na própria máquina no momento da venda. Por volta dos anos 2000, as máquinas começaram a aparecer nas lojas, e o produto conquistou espaço. A mudança parece simples, mas ajudou a acelerar uma transformação que já estava em curso. Em 2010, a Chiquinho tinha cerca de 80 unidades administradas pela própria família. A pequena sorveteria de Frutal já não era tão pequena. Foi então que a família começou a preparar o negócio para uma nova fase: o sistema de franquias. Antes das mil lojas, um alvo Para crescer, a Chiquinho Sorvetes precisava ser reconhecida. Em meados dos anos 2000, a empresa contratou uma agência de publicidade e mudou a identidade visual. Surgiu o alvo vermelho e branco. O desenho havia sido criado por um sobrinho da família e depois trabalhado pela agência. Segundo Rizia Bernardes, esposa de Pablo e gerente de marketing da empresa, o objetivo era fazer com que a marca fosse identificada rapidamente, inclusive por quem ainda não sabia ler. “A ideia era que a marca tivesse reconhecimento a todos os públicos, inclusive o infantil, porque o alvo acaba sendo chamativo e um ícone de fácil reconhecimento”, explicou Rizia. O alvo acompanhou a expansão, mas trouxe um problema que só aparece quando uma marca começa a ocupar muitas fachadas diferentes. Em algumas lojas menores, o nome “Chiquinho”, dentro do símbolo, ficava pequeno demais. O cliente conseguia enxergar o alvo, mas nem sempre conseguia ler o que estava dentro dele. “Quando o alvo ficava pequeno, Chiquinho não dava leitura”, disse Rizia. A solução foi simples: o alvo ficou, mas o nome saiu de dentro dele. Era uma mudança pequena. A marca, porém, estava se preparando para crescer. Atual marca da Chiquinho Sorvetes Reprodução/Chiquinho Sorvetes Leia também: Homem ouve gritos, pula muro e salva mulher de tentativa de feminicídio Mãe e padrasto são presos após bebê ser internada com queimaduras de cigarro Mulher é presa por agredir criança que bagunçou o cabelo da filha O segredo que ficou Algumas coisas mudaram bastante na empresa desde 1980: o tamanho das lojas, as fachadas, as máquinas, a quantidade de funcionários e a distância entre uma unidade e outra. Outras, porém, a família prefere manter como sempre foram. A receita é uma delas. A fórmula do sorvete de massa foi desenvolvida por Isaías a partir da receita que ele havia aprendido no início da sorveteria. Quando o soft entrou no cardápio, ele também criou a receita usada pelas máquinas. Os ingredientes continuam sendo segredo. “Não posso te contar os ingredientes”, brincou Rizia. A fórmula, porém, não é tratada apenas como uma lista de ingredientes. Para a família, o modo como o sorvete é preparado também faz parte do que tornou o produto reconhecido ao longo dos anos. É uma espécie de elo entre duas imagens que poderiam parecer incompatíveis: a pequena loja de Frutal e a rede espalhada pelo Brasil. Quem cresceu junto com a sorveteria Pablo não precisou conhecer a história da Chiquinho pelos livros da empresa. Ele estava lá. Filho de Isaías, Pablo nasceu em Guaíra, no interior de São Paulo, e cresceu acompanhando os pais nas sorveterias da família. “Eu sempre estava na sorveteria com meus pais”, contou. Quando criança, as tarefas de Pablo eram simples: limpar mesas, lavar taças e ficar por perto. O tempo passou, e a criança que circulava entre mesas e balcões acabou assumindo uma posição na empresa. Atualmente, Pablo participa da administração ao lado dos pais e da irmã, Bruna Bernardes. Rizia também entrou para a história. Formada em publicidade, começou trabalhando com mídias digitais e depois assumiu a gerência de marketing da empresa. A equipe cresceu e chegou a cerca de 25 pessoas. A infância, que faz parte da memória de Pablo, também passou a ser uma estratégia da marca. A Chiquinho criou personagens, mantém um canal de animações no YouTube e distribui almanaques e gibis gratuitamente nas lojas. A intenção é fazer com que a relação com o consumidor comece cedo. Talvez com uma criança segurando um gibi enquanto espera o sorvete. Talvez com um personagem que ela reconheça anos depois. Quando a conta passou de mil A partir das franquias, a Chiquinho deixou de crescer no ritmo da família e passou a crescer na velocidade de uma rede nacional. Em 2020, eram cerca de 500 unidades. Cinco anos depois, já eram mais de mil. Em 2024, a empresa chegou a todos os estados brasileiros. Em 2025, alcançou 1.007 lojas, vendeu mais de 71 milhões de sorvetes e atendeu cerca de 38 milhões de clientes, segundo dados fornecidos pela empresa. Foram 140 novas unidades abertas somente em 2025. Para 2026, a companhia prevê inaugurar até 120 novas lojas. A matemática do crescimento trouxe uma pergunta que não existia em 1980: como fazer um sorvete produzido para uma pequena cidade do interior chegar, com o mesmo padrão, a milhares de lojas? A resposta passou por caminhões, centros de distribuição e uma estrutura que ficou tão grande que ganhou nome de cidade. A “Cidade Chiquinho” Projeto da 'Cidade Chiquinho' Reprodução/Chiquinho Sorvetes Em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, existe hoje um lugar que ajuda a entender o tamanho que aquela pequena sorveteria alcançou. É a chamada “Cidade Chiquinho”. O complexo tem 22 mil metros quadrados e reúne áreas administrativas, de logística e espaços destinados aos colaboradores. A primeira fase recebeu investimento de cerca de R$ 80 milhões. O projeto completo prevê investimento de R$ 130 milhões e poderá chegar a 31 mil metros quadrados. O centro de distribuição foi planejado para atender até 2,5 mil unidades. Ali já funcionam o centro de distribuição, escritórios, oficina, lava-jato, portaria e refeitório corporativo. Uma segunda fase prevê a ampliação da estrutura administrativa. A empresa também planeja criar espaços de convivência e áreas para crianças. Há algo curioso na dimensão do lugar. Para quem olha de fora, é uma estrutura gigantesca. Para Pablo, talvez seja justamente a lembrança de onde tudo começou que torne esse tamanho mais difícil de acreditar. “Para mim, que nasci na sorveteria, acompanhei todo esse crescimento pelos meus pais. A gente não imaginava que ia chegar onde chegou”. Os “Chique Lovers” Existe ainda um grupo que acompanha a Chiquinho Sorvetes de uma maneira diferente. São os “Chique Lovers”, nome dado pela própria marca aos consumidores mais fiéis. Eles acompanham lançamentos, esperam pelas novas canecas e mantêm uma relação mais próxima com a rede. É uma história curiosamente parecida com a da própria Chiquinho. O cliente entra em uma loja, compra um sorvete, volta outro dia e, quando percebe, já está esperando pelo próximo lançamento. A empresa começou assim também. Uma pequena loja, uma receita, um filho de 18 anos e um pai que decidiu apostar em uma ideia. “A gente vê o amor dos clientes pela marca, e isso é o que faz a Chiquinho ser o que é. Vejo isso também nos colaboradores, que gostam muito de trabalhar aqui, e nos franqueados, que estão na ponta e têm essa mesma fidelidade. É isso que faz a marca crescer. Se não fosse esse carinho do público, esse cliente que defende a marca, conhece e gosta dela, eu acho que a Chiquinho não teria chegado onde chegou”, finalizou Pablo. Da esquerda para direita: Pablo Bernardes, Rízia Bernardes e o seu filho João Guilherme. Isaias Bernardes e sua esposa Roseli. Reprodução/Chiquinho Sorvetes VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo
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