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    Djavan faz a felicidade e o delírio dos mortais ao estrear no Rio de Janeiro o show da turnê dos 50 anos de sucesso

    6 hours ago

    Djavan estreia na cidade do Rio de Janeiro (RJ) o show da turnê 'Djavanear 50 anos – Só sucessos' Reginaldo Teixeira / Divulgação ♫ CRÍTICA DE SHOW Título: Djavanear 50 anos – Só sucessos Artista: Djavan Data e local: 1º de agosto de 2026 na Farmasi Arena (Rio de Janeiro, RJ) Cotação: ★ ★ ★ ★ ★ ♬ “Voltei, Rio!”, celebrou Djavan no palco da Farmasi Arena na noite de ontem, sábado, 1º de agosto. Após reviver “Eu te devoro” (1998), música de ar jovial que simbolizou pico de popularidade na trajetória do cantor no fim do século XX, Djavan improvisou e cantou a capella os versos iniciais de “Delírio dos mortais” (2007), samba que compôs em exaltação ao Rio de Janeiro (RJ). “Rio / Podem dizer o que quiser / Mas o xodó do povo é o Rio / Casa do samba e do amor / Do Redentor / Louvado seja o Rio”, abençoou Djavan. Foi a deixa para saudar o público que lotou a arena carioca para assistir à estreia na cidade do show “Djavanear 50 anos – Só sucessos”, cuja turnê está em rotação pelo Brasil desde maio. “Essa cidade me deu à luz e fez de mim o que sou hoje. Aprendi tudo no Rio de Janeiro”, resumiu o artista, estendendo o cumprimento ao público com o canto de “Boa noite” (1992), tema de batida funkeada. Djavan estava feliz. Enfim, o cantor apresentava no Rio de Janeiro (RJ) – cidade em que de fato nasceu e floresceu como artista, gigante temporão da dinastia da MPB – o show retrospectivo do cinquentenário da carreira impulsionada em 1975 com a defesa do samba “Fato consumado” em festival promovido pela TV Globo e consolidada no ano seguinte com o lançamento do primeiro álbum, “A voz • O violão • A música de Djavan” (1976). A atmosfera de felicidade se espalhou entre o público aglomerado na pista, nas cadeiras e nos camarotes da arena, fazendo o delírio dos simples mortais que estavam ali, embevecidos com a oportunidade de ouvir o suprassumo da obra de compositor que merece a qualificação de gênio. Foram quase 30 músicas em duas horas e meia de apresentação que fluiu tão bem que quase ninguém sentiu as ausências de uma ou outra música famosa como “Faltando um pedaço” (1981), “Esquinas” (1984) e “Asa” (1986). No geral, Djavan cumpriu o prometido no título da turnê “Djavanear 50 anos – Só sucessos” e promoveu desfile de hits no roteiro aberto com “Sina” (1982), revivida com arranjo de sotaque africano, como a sinalizar que Luanda é o farol que ilumina a obra plantada no chão das Alagoas e germinada no Rio de Janeiro (RJ), cidade para migrou em 1972 o artista nascido em Maceió (AL) em janeiro de 1949. Emoldurado pela cenografia de Gringo Cardia, arquiteto das paisagens coloridas geradas pela contínua exposição de grafismos, pinturas, fotografias e telas de grandes artistas visuais no painel de LED, Djavan manteve o pique da apresentação durante as duas horas e meia. Se “Cigano” (1989) ganhou ar jazzy, lembrando a força do jazz na formação musical do artista, “Miragem” (1984), “Me leve” (1987) e mesmo “Mal de mim” (1989) reiteraram a força da personalidade do cantor ao inserir lados B no mosaico de sucessos. Foram músicas acompanhadas em silêncio respeitoso pelo público que se esbaldou no coro de petardos certeiros como “Samurai” (1982) e “Se…” (1992). Dividindo o palco com a banda formada pelos músicos Felipe Alves (bateria), Jessé Sadoc (trompete e flugelhorn), Marcelo Mariano (baixo), Marcelo Martins (sax tenor e flauta), Paulo Calasans (piano e teclados), Rafael Rocha (trombone), (Renato Fonseca (teclados) e Torcuato Mariano (guitarra e violão), além das vocalistas Clara Carolina e Jenni Rocha, Djavan rebobinou a obra com sutis renovações, como os vocais das backings em “Linha do Equador” (Djavan e Caetano Veloso, 1992) e a divisão redesenhada da canção “Seduzir” (1981), mas sem querer se provar moderno pela simples consciência de já se saber eterno no panteão da MPB. Ourives das harmonias, Djavan sabe o quilate da obra que construiu – a ponto de bancar um roteiro inteiramente autoral com 28 músicas, sendo 25 feitas somente pelo compositor, sem parceiros. Além da supracitada “Linha do Equador”, parceria bissexta com Caetano Veloso apresentada no álbum “Coisa de acender” (1992), as exceções foram “Lambada de serpente” (Djavan e Cacaso, 1980) – grande momento do bloco de voz e violão, com direito à menção nominal do parceiro letrista Cacaso (1944 – 1987), um dos maiores poeta da MPB – e “O vento” (1987), grande canção letrada por Djavan em parceria com outro poeta, Ronaldo Bastos. Por ter sido lançada na voz imortal de Gal Costa (1945 – 2022) no álbum “Lua de mel como o diabo gosta” (1987) e somente gravada por Djavan no último álbum do cantor, “Improviso” (2024), “O vento” foi soprado linda e melancolicamente no show, como fecho de bloco que teve duas outras músicas de Djavan associadas ao canto cristalino de Gal, “Açaí” (1981) e “Azul” (1982). “Gal é uma lembrança comovente. Gal foi a maior intérprete que eu já tive”, saudou Djavan, dimensionando a importância da cantora que gravou 13 músicas do compositor entre 1981 e 2019. Além de Gal, Djavan celebrou a memória de David Sanborn (1945 – 2024), influente saxofonista norte-americano com quem o cantor gravou há 40 anos a música “Quase de manhã” (1986) para o álbum “Meu lado” (1986). Nunca regravada por Djavan e sequer cantada ao vivo até então, “Quase de manhã” é a grande surpresa do roteiro do show “Djavanear 50 anos – Só sucessos”, revivida em tom jazzístico com o saxofonista Marcelo Martins executando ao vivo a parte que coube a Sanborn no registro de estúdio. Em que pese todo o aparato visual e todo o virtuosismo imponente da big banda, Djavan conseguiu provocar efeito catártico no público munido somente do violão e da voz inigualáveis em bloco pavimentado com as memoráveis baladas “Meu bem querer” (1980) e “Oceano” (1989). Oito números depois, o medley com os sambas “Serrado” (1978), “Fato consumado” (1975) e “Flor de lis” (1976) surtiram efeito similar, comprovando pela enésima vez a habilidade de Djavan para compor músicas de arquitetura sofisticada e de paradoxal apelo popular. Quem há de resistir a cada desabrochar de “Pétala” (1982)? Quando chegou ao fim, com a infalível “Lilás” (1984) preparando o clima para o bis iniciado com a balada “Um amor puro” (1999) e arrematado com a reprise de “Sina” em arranjo mais festivo, o show “Djavanear 50 anos – Só sucessos” tinha feito a felicidade dos mortais em justificado delírio diante da obra monumental desse gigante da MPB. Djavan improvisa o canto de samba em que exalta o Rio de Janeiro, 'Delírio dos mortais', na estreia carioca do show retrospectivo Reginaldo Teixeira / Divulgação
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