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    'É a ditadura sendo condenada', diz irmã de vítima sobre ex-carcereiro da 'Casa da Morte' no RJ

    7 hours ago

    Antonio Waneir Pinheiro Lima, conhecido como Camarão, foi condenado pela Justiça Federal do Rio Reprodução A irmã de uma das vítimas de Antonio Waneir Pinheiro Lima, conhecido como Camarão, comemorou a condenação do ex-carcereiro da "Casa da Morte" de Petrópolis durante a ditadura. Camarão foi condenado a 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão por sequestro e dois estupros cometidos contra Inês Ettiene Romeu, ativista que passou pela casa. A irmã de Inês, Maria Celina, conversou com a GloboNews. "É a ditadura sendo condenada. Os torturadores ficaram quase todos impunes, eles jamais responderão pelos crimes que cometeram, então a condenação do Camarão é simbólica", disse Maria Celina. A irmã da ativista contou como foi quando Inês foi levada pelo Exército Brasileiro em São Paulo, em 1971. Segundo Maria Celina, todos sabiam da existência da Casa da Morte. "Ela se atirou debaixo de um ônibus, porque sabia que não ia aguentar tortura. O ônibus a arrastou, ela sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau. Tudo isso nós soubemos depois", afirmou a irmã. Maria Celina disse que sua irmã ainda sobreviveu a um atentado, em que foi espancada. As agressões, segundo ela, deixaram sequelas em Inês, que passou a apresentar dificuldades para andar e falar até morrer, em 2015. "Ela era muito querida por muita gente. e os inimigos se cansaram, porque ela já não estava mais disponível. E ela era a minha irmã, não sabia o que era o medo", finalizou. O g1 tenta contato com a defesa de Antonio Waneir Pinheiro Lima. Sentença do caso A pena de Camarão deve ser cumprida em regime fechado. A decisão decretou ainda a perda do cargo público de Antonio, que era sargento reformado do Exército Brasileiro. Antonio, atualmente com 83 anos, poderá recorrer em liberdade. A condenação ocorre mais de 50 anos após os crimes. A sentença reconheceu que ocorreu um crime contra a humanidade, que não tem prescrição prevista. A decisão impõe ao Estado Brasileiro o dever de punir os responsáveis. "Há de se reconhecer a imprescritibilidade dos crimes sob apuração, aqui considerados como crimes contra a humanidade (ou de lesa-humanidade), em atenção à Constituição da República, às normas internacionais de direitos humanos e à jurisprudência sedimentada no âmbito dos sistemas global e interamericano de proteção aos direitos humanos", destacou um trecho da sentença da juíza Maria Isadora Tiveron Frizão. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Agora no g1 Os casos contra Inês Etienne Romeu aconteceram em 1971. Ela foi mantida em cárcere privado por Camarão por três meses, além de ter sido estuprada duas vezes pelo ex-carcereiro e vigia. Ela morreu em 2015. Segundo as investigações do MPF, ao menos 22 pessoas foram assassinadas na Casa da Morte ou permanecem desaparecidas. Em 2017, o MPF teve a denúncia rejeitada pela 1ª Vara Federal Criminal de Petrópolis, e "Camarão" foi absolvido sumariamente dos crimes de tortura e estupro. O juiz Alcir Luiz Lopes Neto entendeu que o réu estava amparado pela Lei da Anistia. Em 2019, no entanto, o TRF-2 aceitou a denúncia contra Antônio. Além do crime de estupro, o sargento reformado também passou a responder por sequestro e cárcere privado. O voto do relator, o desembargador federal Paulo Espírito, foi seguido pela maioria da 1ª Turma Especializada. LEIA TAMBÉM: A história da 'Casa da Morte' contada por única sobrevivente Casa da Morte é declarada como imóvel de utilidade pública para criação de memorial Inês Etienne Romeu durante audiência da Comissão Nacional da Verdade José Pedro Monteiro / Agência O Dia / Estadão Conteúdo Casa da Morte em Petrópolis Aline Rickly
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