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    Facção cobrava 'pedágio' de até R$ 60 mil de candidatos para liberar campanha em bairros de Sobral, aponta investigação

    6 hours ago

    Operação investiga influência do crime organizado nas eleições em Sobral A cobrança de 'pedágio', que chegava a R$ 60 mil, realizada por uma organização criminosa durante campanhas eleitorais na cidade de Sobral, no interior do Ceará, é alvo de investigações que resultou na Operação “Omertá", deflagrada na manhã desta terça-feira (11). Três vereadores foram presos e outros 11 mandados de prisão preventiva foram expedidos. De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), as investigações apontam que a organização criminosa cobrava valores entre R$ 30 e R$ 60 mil de candidatos. Ao pagar o ‘pedágio’, eles poderiam acessar alguns bairros de Sobral durante a campanha eleitoral. ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp Ainda segundo o MPCE, a facção também tentava manipular a escolha política dos eleitores por meio de práticas de coação e ameaça. A suposta influência de uma organização criminosa nas eleições municipais de Sobral em 2024 e no processo eleitoral de 2026 é investigado pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral, e pelo Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL). Em coletiva realizada nesta manhã, representantes do Ministério Público e da Polícia Federal detalharam que o inquérito foi aberto em 2024, coletando depoimentos e evidências da influência da facção nos processos eleitorais. Os indícios apontam que o 'pedágio' cobrado era de R$ 30 mil para candidatos que não tinham mandato e de R$ 60 mil para candidatos que já tinham mandato. As práticas de ameaças também foram investigadas em relação ao processo eleitoral de 2026, com o cancelamento de eventos e reuniões de políticos que seriam realizados em Sobral, após ameaças de morte e de atentados contra estabelecimentos e pessoas envolvidas na organização desses eventos. Ainda durante entrevista coletiva, foi detalhado que uma das pessoas presas nesta terça-feira (11) é uma policial militar, que atuava no policiamento ostensivo, e que é casada com um chefe de uma organização criminosa em Sobral, que também está preso. Parlamentares e agentes públicos são alvos de operação Operação cumpre diversos mandados de prisão preventiva e busca e apreensão em Sobral Divulgação/ PF A operação prendeu três vereadores de Sobral e os afastou dos cargos por 180 dias. Ao todo, a operação tem por objetivo cumprir 14 mandados de prisão preventiva (incluindo os três parlamentares), 25 de busca e apreensão e 5 medidas de afastamento cautelar de cargos públicos. Segundo apuração da TV Verdes Mares, os vereadores presos são: Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode), e ⁠Mario Vicktor (União). O g1 procurou os partidos dos vereadores, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza. Os nomes dos demais alvos não foram divulgados. De acordo com o MP, estão entre os alvos da operação: vereadores de Sobral, um assessor jurídico da Câmara Municipal e integrantes de uma facção criminosa. Uma policial militar e agentes públicos foram afastados das funções por 180 dias. O Ministério Público confirmou que 20 mandados de busca e apreensão contra os suspeitos já foram cumpridos. Segundo a Polícia Federal, um advogado também está entre os alvos. Ele é suspeito de integrar a estrutura da organização criminosa, exercendo funções relacionadas ao núcleo de liderança e de execução de ordens voltadas à interferência no processo eleitoral. Buscas e apreensões de aparelhos celulares, documentos e outros materiais também integraram a ação. A operação também aplicou medidas cautelares, como a proibição do contato entre investigados e testemunhas. Outra medida cautelar é para que a Câmara Municipal de Sobral apresente uma relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratados temporários vinculados à Casa, segundo a Polícia Federal. Se condenados, os investigados podem responder pelos seguintes crimes: integrar organização criminosa, domínio social estruturado, extorsão, na modalidade conhecida como "pedágio eleitoral" corrupção eleitoral, impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral, lavagem de dinheiro. Conforme o Ministério Público, o nome da operação faz alusão a um rígido código de honra e silêncio da máfia italiana, que proíbe qualquer cooperação ou contato com autoridades policiais e judiciais. A quebra desse juramento significa traição ao grupo, sob pena de morte na cultura do crime organizado. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
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