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    Furto de vírus na Unicamp: imagens mostram suspeitos retirando material de laboratório

    6 hours ago

    Furto de vírus: imagens mostram retirada de amostras de laboratório da Unicamp Imagens de câmeras de segurança anexadas ao inquérito da Polícia Federal que investiga o furto de vírus da Unicamp, em fevereiro deste ano, mostram a pesquisadora Soledad Palameta Miller e o marido dela, o doutorando Michael Edward Miller, entrando em áreas restritas do Laboratório de Virologia e saindo com amostras. Os registros, aos quais o g1 teve acesso, mostram movimentações consideradas atípicas, inclusive à noite, aos fins de semana e durante períodos de recesso, além de acessos ao laboratório de segurança máxima NB-3 sem os equipamentos de proteção exigidos (assista ao vídeo acima). As imagens não mostram o momento exato em que os frascos de vírus são retirados dos biofreezers. No entanto, segundo o relatório de incidente que integra o processo, os registros de vídeo, associados aos dados de acesso por biometria e à constatação do desaparecimento das amostras, são apontados como indícios da retirada do material. O caso veio à tona em fevereiro e passou a ser investigado pela Polícia Federal. Pelo menos 24 cepas de vírus foram retiradas do laboratório do Instituto de Biologia e encontradas posteriormente em outros prédios da universidade. Ausência de EPIs e desligamento formal As gravações revelam que Michael circulava frequentemente pelos laboratórios Geral, NB-2 e na área de biossegurança máxima NB-3 em horários noturnos, finais de semana e durante o recesso acadêmico, quando as instalações estavam vazias e sem a presença da supervisão responsável. Em diversas ocasiões, o veterinário foi filmado entrando e trabalhando na sala NB-3 sem utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) obrigatórios para a manipulação de agentes infecciosos de alto risco, como os vírus da dengue, chikungunya, zika, H1N1 e coronavírus humano. O sistema também registrou a circulação da professora Soledad Palameta Miller nas áreas restritas NB-2 and NB-3, apesar de ela ter se desligado formalmente do grupo de pesquisa em janeiro de 2025, o que caracterizou ingresso não autorizado em ambiente controlado. Trânsito de caixas e apagão nas câmeras A investigação apontou uma sequência de retiradas de volumes do complexo laboratorial ao longo de três meses: 10 de dezembro de 2025: Soledad foi gravada saindo do laboratório transportando duas caixas de isopor. 11 de dezembro de 2025: Michael entrou no local com duas caixas de isopor vazias e deixou o recinto sem elas. 23 de dezembro de 2025: durante o recesso de fim de ano, Michael foi filmado deixando o prédio com três caixas transparentes com materiais. 2 de fevereiro de 2026: O doutorando entrou com uma mochila e uma caixa de papelão, retirando ambas após duas horas. Um dos pontos centrais apontados pelo processo ocorreu na noite de 24 de fevereiro. Às 21h36, Michael entrou no laboratório carregando uma caixa de papelão. Doze minutos depois, às 21h48, o sistema de câmeras parou de gravar por quase duas horas, voltando a operar apenas às 23h38. Apesar da interrupção das imagens, o sistema de controle biométrico continuou registrando que Michael acessou a sala restrita NB-3 múltiplas vezes durante o apagão visual. Às 23h46, com as câmeras restabelecidas, ele foi gravado saindo do prédio carregando um objeto na mão esquerda. Cronologia da descoberta do furto Na manhã seguinte, em 25 de fevereiro, os registros mostram que Michael voltou ao local às 7h28 e acessou a sala dos biofreezers por cerca de um minuto (entre 7h33 e 7h34). Ele deixou o laboratório às 7h35 com uma caixa de isopor branca, deixada temporariamente do lado de fora antes de sua saída. Pouco mais de uma hora depois, às 8h46, a equipe do laboratório percebeu que o alarme do biofreezer estava acionado e constatou que as caixas com as amostras de vírus haviam sido retiradas dos suportes de armazenamento (racks). Embora as câmeras não registrem o momento exato da extração dos frascos, a Polícia Federal e a perícia apontam que o cruzamento das imagens com os dados de acesso biométrico e o sumiço imediato do material sustentam os indícios de autoria do furto contra o casal. Amostras foram recuperadas na própria Unicamp De acordo com a Polícia Federal, as amostras de vírus foram recuperadas em prédios da Unicamp, sem indícios de contaminação externa ou terrorismo biológico. A professora responde ao processo em liberdade, enquanto a Unicamp conduz uma sindicância interna sobre o caso. Em sua única manifestação sobre o caso, a defesa de Soledad afirmou que não há materialidade de furto, sustentando que a pesquisadora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não dispor de estrutura própria para realizar suas pesquisas. O g1 não conseguiu contato com a defesa de Michael Edward Miller até a última atualização da reportagem. 10 pontos para entender o caso Pelo menos 24 cepas diferentes de vírus foram levadas de um laboratório da Unicamp Entenda abaixo, em 10 pontos, o que já se sabe sobre o caso e o andamento da investigação: Local do crime: as amostras biológicas foram retiradas sem autorização do Laboratório de Virologia do Instituto de Biologia (IB), uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), o mais alto patamar de contenção laboratorial no Brasil para agentes infecciosos. Principais suspeitos: a investigação aponta a professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), e seu marido, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, como os suspeitos pelo furto do material biológico. Vírus furtados: segundo apuração do Fantástico, foram levadas pelo menos 24 cepas diferentes, como dengue, zika, chikungunya, herpes, coronavírus humano e 13 tipos de vírus animais. Além disso, o g1 apurou que entre as amostras estavam os vírus H1N1 e H3N2, causadores da gripe tipo A. Cronologia dos fatos: o desaparecimento das amostras foi notado inicialmente por uma pesquisadora em 13 de fevereiro de 2026; a Unicamp notificou a Polícia Federal em 16 de março e o inquérito foi instaurado oficialmente em 20 de março. Evidências por câmeras: registros de câmeras de segurança mostraram Michael Miller saindo do laboratório NB-3 com caixas em horários incomuns no final de fevereiro, o que levou a universidade a apontá-lo como suspeito do furto. Fraude processual e descarte: após a PF realizar buscas em sua residência no dia 21 de março, Soledad Miller retornou à Unicamp e descartou parte do material biológico dentro de um dos laboratórios para tentar destruir evidências. Localização do material: as amostras foram recuperadas pela perícia em três locais distintos: na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e no Instituto de Biologia. Não havia amostras na residência do casal. Motivação e risco: a PF descartou a hipótese de terrorismo biológico, indicando que a motivação seria relacionada a pesquisas internas do casal; as autoridades garantem que todas as amostras foram recuperadas e que não houve contaminação externa. Tipificação penal: a pesquisadora é investigada por crimes como furto qualificado, fraude processual, perigo para a vida ou saúde de outrem e manutenção ou transporte irregular de organismos geneticamente modificados. Andamento do processo: Soledad Miller responde ao processo em liberdade provisória, sob condições como proibição de acessar os laboratórios envolvidos; paralelamente, a Unicamp instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. O marido da professora ainda é investigado pelo furto do material. LEIA TAMBÉM Furto de vírus na Unicamp: H1N1 estava entre amostras levadas de laboratório Sociedade Brasileira de Virologia acompanha investigação e reforça confiança em protocolos de segurança científica Câmeras registraram retirada de vírus de laboratório da Unicamp; veja cronologia do caso 'Caso isolado', diz Unicamp Logo após o caso vir à tona, a Unicamp divulgou uma nota em que afirmou que o furto de vírus do Laboratório de Virologia e Biotecnologia Aplicada do Instituto de Biologia foi um “caso isolado” e não envolveu organismos geneticamente modificados. A instituição informou que, ao tomar conhecimento do caso, acionou a Polícia Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que possibilitou a “rápida localização e apreensão dos materiais subtraídos”. Uma sindicância interna foi instaurada, enquanto a investigação federal apura a motivação do caso e o possível envolvimento de “diferentes pessoas físicas e jurídicas”. Laboratório de Virologia do instituto de Biologia da Unicamp Estevão Mamédio/g1 Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 Imagem aérea do campus da Unicamp, em Campinas (SP) Reprodução/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
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