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    Governo de SP inicia obra de R$ 12 milhões para impedir desaparecimento da Ilha do Cardoso

    há 13 horas

    Obra de R$ 12 milhões tenta conter avanço da erosão na Ilha do Cardoso, no litoral de SP O Governo de São Paulo começou uma obra de R$ 12 milhões para conter a erosão no Estreito do Melão, na Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP). O trabalho terá duração de nove meses e busca estabilizar o trecho mais afetado pelo escape de areia. Realizada pela Fundação Florestal em parceria com a SP Águas, a intervenção prevê o uso de dragagem. A técnica de engenharia consiste na retirada e no reposicionamento de sedimentos para recompor e estabilizar o cordão arenoso, área mais impactada pela dinâmica costeira da região. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O processo de erosão é causado pela ação de agentes naturais, como a água e o vento. Na Ilha do Cardoso, segundo o promotor de Justiça Paulo Campos dos Santos, o fenômeno foi agravado pela elevação do nível do mar e por eventos extremos associados às mudanças climáticas. Fundação Florestal O diretor-executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, explicou que a primeira etapa envolve a instalação de geotubos na faixa voltada para o oceano. As estruturas são preenchidas com areia e não provocam impactos ambientais. "Essa estrutura vai ajudar a proteger o cordão arenoso contra a erosão e evitar o rompimento do Estreito do Melão. Isso é importante porque uma ruptura prejudicaria de forma bastante severa as comunidades localizadas mais ao norte", afirmou Levkovicz. Um eventual rompimento do Estreito do Melão afetaria as comunidades da Enseada da Baleia, Vila Rápida e Marujá, além de um complexo de manguezais. A mudança traria impactos diretos sobre a pesca tradicional e a navegação. Obra para contenção do avanço erosivo do Estreito do Melão começou na Ilha do Cardoso, em Cananéia. Divulgação/Governo do Estado de SP O Ministério Público (MP) acompanhou o processo de contratação da obra por meio de vistorias na região, com a participação da Defensoria Pública, de representantes das comunidades locais e de equipes especializadas dos órgãos estaduais. Comunidades Representantes das comunidades tradicionais afirmaram que o início da obra representa uma conquista após anos de mobilização. O engenheiro ambiental Jorge Cardoso, caiçara e morador da Enseada da Baleia, disse que a intervenção é um marco. "As comunidades não desejam sair dos seus espaços. Existe um vínculo afetivo com seu território", ressaltou. Estrutura de contenção na Ilha do Cardoso, em Cananéia Reprodução/MP-SP A cientista social Tatiana Cardoso, assessora técnica da Articulação dos Povos e Comunidades Tradicionais da Ilha do Cardoso, reforçou a importância da medida para reduzir riscos e garantir a continuidade do modo de vida caiçara. "A obra é resultado de anos de mobilização comunitária e contribui para reduzir os riscos enfrentados pelas comunidades tradicionais, ajudando a garantir a permanência das famílias em seus territórios e a continuidade dos modos de vida caiçaras", disse Tatiana. Ministério Público Em março deste ano, o MP apresentou à Justiça de Cananéia um parecer técnico apontando risco iminente de rompimento do Estreito do Melão. O documento indicou que, no trecho mais crítico, a faixa de terra havia se estreitado para cerca de 50 metros. Havia possibilidade de rompimento ainda em 2026, o que formaria uma nova ilha e isolaria moradores. Na ocasião, a Justiça determinou que a Fundação Florestal e o Estado elaborassem um plano emergencial para proteger a região. Em 2018, outro rompimento alterou a configuração da ilha e forçou a realocação de comunidades locais. Mar invadiu comércios na Ilha do Cardoso, em Cananéia (SP) Arquivo Pessoal/Junior Neves VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos
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