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    Grupo ligado a Canella era avisado de fiscalizações em postos, aponta PF

    7 hours ago

    Imagem de fiscalização enviada para Pablo Jukiá Felix Ferreira Reprodução Um grupo com participação de policiais investigado por suspeita de lavagem de dinheiro em uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro recebia antecipadamente agendas sigilosas e horários de fiscalizações de órgãos como o Procon, segundo a Polícia Federal. O esquema é investigado na operação que prendeu o deputado eleito Márcio Canella (União Brasil) nesta quinta-feira (15). Segundo a PF, a organização utilizava uma rede de postos de combustíveis como plataforma para lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos e articulação política. Os avisos sobre fiscalizações chegavam ao policial civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, e incluíam os estabelecimentos que seriam inspecionados, o cronograma semanal e até dados do veículo usado pelos fiscais. De acordo com a investigação, servidores ligados a órgãos de defesa do consumidor forneciam as informações ao advogado Diogo Pacheco do Couto, que as repassava a Pablo. Em um dos episódios, ele recebeu o horário exato de início de uma fiscalização: 9h30. Para a PF, os alertas permitiam ao grupo se antecipar às inspeções e dificultar a identificação de irregularidades na comercialização de combustíveis. Os detalhes constam da representação da PF que embasou a 8ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (15). 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Na operação, foram presos Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo; o delegado Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil; Pablo Russo; José Carlos Alves de Souza Júnior; e os policiais civis Christiano e Giovanni Gaspar Fernandes. A PF aponta Canella como articulador político do grupo e Amim como responsável por garantir proteção institucional às atividades investigadas. Pablo e José Carlos, por sua vez, seriam os gestores de fato da rede de postos, embora grande parte das empresas estivesse formalmente registrada em nome das mulheres dos dois. A defesa de Amim informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos. A defesa de Márcio Canella afirmou que não vai se posicionar por enquanto, pois ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão. A TV Globo tenta contato com os demais investigados. Planilha da semana e documento do carro dos fiscais Márcio Canella e Marcus Amim são presos pela PF A análise do celular de Pablo revelou uma sequência de repasses de informações entre abril e maio de 2026. Segundo a PF, o advogado não se limitava a informar que havia uma operação em andamento: transmitia dados sobre alvos, datas e meios usados pelas equipes. A cronologia elaborada pelos investigadores descreve os seguintes episódios: 9 de abril: Diogo obteve com um fiscal informações sobre uma inspeção prevista para aquele dia em um posto BR em Raul Veiga e as repassou a Pablo. 10 de abril: o advogado encaminhou o documento do veículo usado pelos fiscais nas operações. 13 de abril: enviou uma planilha com o cronograma oficial de fiscalizações da semana. Também avisou que uma equipe inspecionaria o Posto Barcellos após a queda de uma liminar judicial. 15 e 16 de abril: alertou sobre uma fiscalização prevista para o dia seguinte em São Gonçalo e, depois, informou o horário exato de início: 9h30. 13 de maio: repassou informações sobre uma possível fiscalização no Posto Portal da Serra antes de sua realização. Segundo a PF, parte das informações vinha de Edvaldo Ferreira Borges, conhecido como Biscoito, e de Luiz Ricardo Estevam Lima, chamado de Tchetcheco Trindade. A representação identifica Edvaldo como então ocupante de cargo comissionado na Sedecon e Luiz Ricardo como coordenador do Balcão do Consumidor do Procon-RJ e ocupante de cargo comissionado na Sedcon. Em conversas de 10 e 11 de abril, Diogo e Pablo também trataram do contato direto com Biscoito. De acordo com os investigadores, Pablo já tinha o telefone do servidor, o que permitia obter informações sem a participação do advogado. Ao analisar os elementos, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que os dados compartilhados não eram informações públicas, mas cronogramas de fiscalização, identificação dos estabelecimentos-alvo e horários exatos das operações. Segundo a decisão, a antecipação permitia dificultar a constatação de irregularidades, ocultar provas e reduzir os efeitos das inspeções. Fiscalização verificava quantidade de combustível nas bombas Uma das ações relatadas nas conversas tinha como objetivo verificar se a quantidade de combustível entregue pelas bombas correspondia ao volume registrado. Para a PF, o acesso sistemático e antecipado a informações sobre inspeções voltadas à quantidade e à qualidade do produto reforça a suspeita de que o grupo buscava frustrar os controles sobre a atividade. A investigação também identificou discussões entre Pablo e José Carlos sobre cotas de fornecimento e condições comerciais das distribuidoras. Em uma conversa de 23 de março, José Carlos afirmou que a rede tinha 43 postos de bandeira BR e reclamou da limitação do volume de combustível liberado. “Se eu fosse o santinho, eu tava com os postos tudo seco, falido”, disse José Carlos em um áudio reproduzido na representação. A PF interpreta a fala, em conjunto com os demais elementos, como indício de que o abastecimento dos estabelecimentos seria complementado por vias irregulares. Além dos alertas recebidos pelo grupo, a PF colheu um relato de que fiscalizações teriam sido usadas para pressionar um antigo sócio. Em um depoimento, um homem afirmou que tinha participação em um dos postos e foi ameaçado por Pablo Russo e José Carlos ao pedir a devolução do dinheiro investido. Segundo ele, sempre que tentava cobrar os valores devidos, passava a sofrer fiscalizações de órgãos fazendários, ambientais e de defesa do consumidor. A testemunha também declarou que os dois costumavam adquirir postos de forma parcelada, pagar apenas as primeiras prestações e permanecer com os estabelecimentos sem quitar o restante, recorrendo a ameaças contra os vendedores. As declarações integram os elementos apresentados pela PF para justificar as prisões preventivas. Lavagem de dinheiro e cartel A oitava fase da operação é um desdobramento das buscas realizadas em julho. Segundo a PF, a organização utilizava uma rede de postos de combustíveis como plataforma para lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos e articulação política. O relatório de inteligência financeira citado pela PGR reúne 2.171 comunicações de operações suspeitas, envolvendo 835 pessoas físicas e jurídicas interligadas. A movimentação global estimada foi de R$ 7,64 bilhões entre maio de 2020 e março de 2026. O valor corresponde às movimentações reunidas no relatório, não a uma quantia já comprovada judicialmente como dinheiro lavado. Na ação desta quinta-feira, a PF saiu para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Os investigados são apontados como participantes de um esquema que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e formação de cartel no setor de combustíveis, entre outros crimes. LEIA TAMBÉM PF aponta Canella como articulador político de organização criminosa que movimentou 7,6 bilhões em 6 anos
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