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    Guerra dos drones: como funcionam os equipamentos usados por criminosos para lançar explosivos no Rio

    12 hours ago

    Exclusivo: drones lançam bombas em áreas disputadas por facções criminosas no RJ Os drones utilizados por criminosos no Rio de Janeiro deixaram de servir apenas para monitorar rivais e passaram a ser empregados como plataformas de ataque capazes de transportar e lançar explosivos sobre comunidades em disputa. A prática, cada vez mais comum, vem transformando o céu das favelas em um novo campo de batalha entre facções. Drones com explosivos viram nova arma na disputa entre facções no Rio de Janeiro Imagens obtidas pela polícia e exibidas pelo Fantástico mostram o funcionamento desses ataques. Em uma gravação feita pelo próprio drone utilizado pelos criminosos, é possível ver o momento em que um explosivo é lançado em direção a um carro onde estariam integrantes de um grupo rival. A bomba cai até atingir o alvo, enquanto traficantes comemoram a ação. Os artefatos lançados pelas aeronaves são conhecidos como "bombas-tubo". Segundo a polícia, os criminosos utilizam tubos de PVC recheados com pólvora, parafusos e cacos de vidro, aumentando o potencial de destruição e a dispersão de estilhaços após a explosão. Para demonstrar os danos provocados pelo dispositivo, o esquadrão antibombas realizou uma detonação controlada. Os explosivos semelhantes aos usados pelos traficantes já atingiram casas, quintais, veículos e até festas comunitárias. Em um dos casos relatados na reportagem, uma residência teve parte da cozinha e de um quarto destruídas após uma bomba explodir no telhado. Os drones oferecem uma vantagem estratégica para os criminosos porque permitem observar a movimentação dos rivais do alto e atacar à distância, reduzindo o risco para quem realiza a operação. Segundo especialistas ouvidos pelo Fantástico, a tecnologia garante aos grupos criminosos uma visão privilegiada do território disputado. Em algumas investigações, a polícia conseguiu rastrear a origem dos ataques acompanhando a trajetória dos equipamentos. Nesta semana, agentes seguiram o voo de um drone que havia lançado um explosivo contra um blindado da PM. A aeronave pousou na cobertura de um imóvel alugado por temporada no Recreio dos Bandeirantes. Dois suspeitos foram presos. Segundo a polícia, o local era usado para operar drones empregados em ataques contra comunidades rivais. Rotina de medo Moradores de comunidades do Rio de Janeiro passaram a conviver com uma nova ameaça em meio à disputa territorial entre facções criminosas: ataques de drones carregados com explosivos. Dados do Disque Denúncia indicam o crescimento dessa ameaça. O primeiro registro de um drone equipado com granada ocorreu em 2023. Em 2024, houve quatro denúncias. Já em 2025, o número saltou para 73 casos envolvendo traficantes e outros 14 relacionados a milicianos que também utilizam drones para lançar explosivos. Em um dos episódios, um morador percebeu a aproximação de um drone carregando uma granada e avisou a mãe. Pouco depois, o explosivo foi lançado na rua e houve uma explosão. O medo, segundo os moradores, passou a fazer parte da rotina mesmo dentro de casa. “A gente vive com muito medo mesmo dentro do nosso quintal, mesmo dentro de casa.” Os explosivos também atingiram imóveis. Em uma casa, uma bomba caiu sobre o telhado, explodiu e destruiu parte da cozinha e de um quarto. Em outra comunidade, o artefato caiu sobre uma árvore no quintal e estourou uma janela. Um dos moradores conta que as explosões se tornaram frequentes e que a violência passou a atingir pessoas sem relação com a disputa entre criminosos. Ele cita a própria filha, que costuma andar de bicicleta pela região. Outro morador foi atingido por estilhaços durante um dos ataques. Ele contou que ouviu primeiro o barulho da hélice do drone e, em seguida, uma explosão. “E quando falaram: ‘Olha o drone, olha o drone’, eu só ouvia esse barulho da hélice e um barulhão, um clarão e todo mundo gritando. (...) Acertou minha perna, o estilhaço acertou minha perna.” Drones com explosivos viram nova arma na disputa entre facções no Rio Reprodução/TV Globo Risco também para o espaço aéreo A expansão do uso de drones com explosivos cria ainda riscos para a circulação de aeronaves. O tráfego de helicópteros é intenso no Rio, e drones que voam sem autorização ou coordenação podem cruzar rotas de aeronaves. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) informou que faz a gestão do espaço aéreo brasileiro com foco na segurança e na regularidade da navegação. Segundo o órgão, por se tratar de fatos que podem envolver investigações criminais, informações ou providências devem ser solicitadas às autoridades de segurança pública. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) afirmou que a segurança nas rotas utilizadas por drones perto de aeroportos envolve articulação com a Polícia Federal e o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A Secretaria de Segurança Pública do Rio reconheceu os riscos do uso de drones por organizações criminosas e informou que o enfrentamento exige integração com o governo federal. Segundo a pasta, serão destinados drones e equipamentos antidrone para reforçar o trabalho das forças de segurança. A secretaria também criou uma divisão especializada para combater esse tipo de crime.
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