Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Malas pelo ar e um italiano barulhento: os segredos de um hotel icônico às margens dos trilhos de Campo Grande

    12 hours ago

    Como hotel e ferroviária ajudaram a construir a história de Campo Grande Da paixão por uma pequena cidade a um lugar que entrou para a história da capital de Mato Grosso do Sul, o Hotel Gaspar é conhecido por muitas gerações de campo-grandenses. O local foi inaugurado no aniversário de 82 anos de Campo Grande, como uma forma de o idealizador português Antônio Gaspar homenagear a cidade que escolheu para viver e onde decidiu construir sua história. Veja o vídeo acima. Muito antes da criação de Mato Grosso do Sul, Gaspar já havia escolhido o lugar onde construiria não apenas um hotel, mas também seu lar, ao lado da esposa, dos filhos e, mais tarde, dos netos. No “coração de Campo Grande”, como a família costuma definir a região, ele viu, ao lado da estação ferroviária, o ponto ideal para o empreendimento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp ➡️🎂 Esta reportagem faz parte de uma série especial em homenagem aos 127 anos de Campo Grande, celebrados nesta quarta-feira (26). A neta, Christian Gaspar, contou ao g1 que o avô era determinado e não teve dúvidas de onde queria construir. “Ele queria construir o hotel aqui. Tinha que ser aqui. Meu avô sempre foi uma pessoa assim, muito visionário [...] Ele tinha uma coisa com esse terreno, porque, acredito eu, era na frente da ferroviária, e era o coração de Campo Grande, porque tudo se fazia pela ferrovia, tudo chegava em Campo Grande pela ferrovia”, contou no hall do hotel. Estação ferroviária Inaugurada em 1914, a Estação Ferroviária de Campo Grande teve um papel importante no crescimento da cidade. O local funcionou até 1996, quando foi fechado. Anos depois, a estação foi tombada como patrimônio histórico pela Prefeitura de Campo Grande. A estação era usada para embarque e desembarque de passageiros, além do carregamento e descarregamento de mercadorias transportadas pela ferrovia. Ela foi uma das primeiras estações ferroviárias concluídas no então estado de Mato Grosso. Com a chegada dos trilhos, Campo Grande se tornou um ponto de distribuição de mercadorias que antes chegavam e saíam da região principalmente pelo porto de Corumbá. A ferrovia também encurtou o caminho entre o então Mato Grosso e São Paulo. Foi justamente a proximidade com a estação que ajudou a transformar o Hotel Gaspar em um ponto de parada para quem chegava de trem. Quem desembarcava na cidade podia encontrar ali um lugar para comer, descansar e esperar até a próxima viagem. Inauguração e expansão O dia da inauguração, porém, não foi tão festivo quanto a família imaginava. Dois dias antes, o então presidente da República, Getúlio Vargas, morreu aos 72 anos. O país estava de luto e as comemorações foram deixadas de lado. Mesmo assim, o hotel abriu as portas. No início, eram cerca de 55 quartos, que logo passaram a ser bastante procurados pelos viajantes que chegavam a Campo Grande em busca de comida e um lugar para descansar. Segundo Christian, a pressa para conseguir uma vaga no hotel era tanta que alguns passageiros nem esperavam o trem parar completamente. “Quando o trem chegava, a parte da frente, de onde desciam os viajantes, parava a cerca de 150 metros do hotel. Aí eu lembro que teve uma época em que alguns passageiros jogavam as malinhas para fora e pulavam pela janela, antes mesmo do veículo parar por inteiro, para conseguir chegar primeiro no hotel e garantir a vaga”, contou a neta, rindo da situação. Com o movimento aumentando, Gaspar decidiu ampliar o hotel. O número de quartos passou para 82, numa tentativa de dar conta da quantidade cada vez maior de hóspedes que chegavam à cidade pelos trilhos. Funcionários que entraram para a história Ter um hotel tão requisitado e acostumado a receber pessoas de fora também rendeu muitas histórias para a família. Christian conta que, entre os funcionários, uma das figuras mais marcantes foi o gerente Quirino, como era conhecido pela família. Ele trabalhou no hotel por 50 anos e só deixou o cargo depois da morte de Gaspar. "Ele era um filho para o meu avô. Meu avô o pegou com 13 anos e falou: 'você quer trabalhar?', ele disse 'quero', 'então você vai começar aqui no bar, primeiro vai limpar, depois vai fazer salgado, depois doce, e depois vai atender o cliente'. Então, assim, meu avô ensinou tudo para ele", conta. Quando era mais jovem, Christian também gostava de "perturbar" o gerente. Ela relembra as brincadeiras que fazia para conseguir um dinheiro extra. "Eu perturbava ele até não poder mais. Eu batia no balcão e falava: 'Quirino, eu preciso de dinheiro'. Ele dizia 'não', e eu falava: 'eu vou contar para o vovô amanhã'. Daí ele falava: 'tá bom, pode pegar o dinheiro'. Ele foi um pai para mim aqui no hotel, uma pessoa muito especial", relembra. Mesmo após parar de trabalhar no hotel, Quirino continuou acompanhando de perto a rotina do lugar. Uma vez por semana, ele aparecia por lá para conferir se estava tudo em ordem. "Ele ia à lavanderia, olhava as máquinas por dentro, por fora, ia na cozinha, olhava uma coisa, olhava outra. [...] Ele era o braço direito e esquerdo, as duas pernas do meu avô aqui dentro." O hóspede italiano que acordava o hotel inteiro Outra figura que ficou na memória da família foi um hóspede italiano chamado Michelle, que morou no quarto andar do hotel. Segundo Christian, ele costumava ligar para a mãe, que vivia na Itália, sempre aos domingos, por volta das 6h. O problema é que as conversas eram tão animadas que acabavam acordando todo mundo. "Ele gritava no telefone e aí descia e a gente falava: 'Mimo, da próxima vez você só abre a janela e grita, a mama vai escutar lá. Você não precisa fazer mais nada porque, no volume que você fala, você acorda o hotel inteiro'. E ele dizia: 'Não, mas tem que ligar esse horário para a mama, porque lá são não sei quantas horas pra frente'. Mas, gente, era uma figura", conta. Com o tempo, Michelle deixou de ser apenas hóspede e virou parte da família. Depois de se divorciar, passou a morar com eles e acabou sendo "adotado" por Gaspar. Às sextas-feiras, inclusive, era ele quem preparava o macarrão para a família. Segundo Christian, essas figuras fizeram parte da rotina da família desde que ela se entende por gente. "Eles só deixaram de frequentar o hotel por falecimento, só por isso deixaram de vir ao hotel." Um hotel que virou parte da história Mesmo após a morte de Gaspar, em 1988, a família continuou à frente do estabelecimento. O hotel chegou a ser arrendado por dez anos, mas depois voltou para as mãos da família. Hoje, o prédio está à venda e não funciona mais como hotel. Apesar de não ser considerado patrimônio histórico, para a família, o lugar carrega uma história que vai muito além das paredes do prédio. Ferroviária e hotel fazem parte da história de Campo Grande Arquivo TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Habeas corpus para cultivo de cannabis: entenda o que a autorização permite e quais são os limites
    Artigo Seguinte
    Fóssil de peixe de 254 milhões de anos revela nova espécie em Mato Grosso

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário