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    Marcha dos Manguezais em Belém defende peixe de reservas extrativistas na merenda escolar

    há 1 mês

    Marcha dos Manguezais em Belém defende peixe de reservas extrativistas na merenda escolar. Divulgação/Associação Rare do Brasil Comunidades tradicionais das Reservas Extrativistas (Resex) Marinhas do Pará se reuniram em Belém para a 3ª Marcha dos Manguezais Amazônicos. Entre as principais reivindicações do movimento, realizado no último domingo (26), está a inclusão regular do pescado local na merenda escolar da rede pública de ensino, em substituição a alimentos ultraprocessados. A presidente da Associação de Usuários da Resex Marinha Mocapajuba, Renilde Piedade da Silva, sintetizou a demanda ao destacar a importância de alimentar os estudantes com a produção das próprias comunidades. "Não queremos mortadela nem alimentos industrializados nas escolas. Nossos filhos precisam comer o nosso pescado", defendeu Renilde. "Queremos o peixe produzido pelos nossos pescadores na merenda escolar, porque são os nossos filhos que estão ali". Marcha em defesa dos manguezais, em Belém. Divulgação/Associação Rare do Brasil A liderança celebrou o avanço do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que já viabiliza a compra direta do pescado das Resex pelo poder público, mas ressaltou que o próximo passo é garantir que esse alimento chegue de forma contínua às escolas. "Pela primeira vez o governo compra diretamente do pescador da nossa Resex para alimentar as próprias famílias, e queremos que isso também chegue às outras escolas", completou. Sociobioeconomia e preservação A demanda por merenda escolar de qualidade está inserida em um contexto mais amplo: o fortalecimento das associações comunitárias na costa paraense, fundamentais para a consolidação da sociobioeconomia na Amazônia. Essas organizações estruturam e dão escala a cadeias produtivas locais, como as do caranguejo, mariscos, pescado e oleaginosas, gerando renda para centenas de famílias e atuando diretamente na preservação ambiental. Maura Sousa, gerente sênior da Associação Rare do Brasil, ONG que atua há mais de 15 anos com projetos comunitários na região, alerta para a importância de apoiar quem de fato protege esses ecossistemas. "Muita gente frequenta a zona costeira apenas como espaço de lazer, mas não imagina o trabalho realizado diariamente pelas comunidades para manter esse ecossistema vivo. Se não fortalecermos quem protege esses territórios, corremos o risco de perder esse patrimônio", afirmou Maura. Apesar dos desafios financeiros enfrentados pelas associações, Renilde destaca que a união entre os moradores e os parceiros institucionais tem sido a chave para a resistência. "Às vezes esbarramos na falta de recursos, mas não desistimos. Preservar os manguezais é cuidar do nosso sustento e também contribuir para o equilíbrio ambiental do planeta. Sozinhos não conseguimos. Unidos somos mais fortes", refletiu. Marcha em defesa dos manguezais, em Belém. Divulgação/Associação Rare do Brasil Liderança feminina e a 'escola da vida' A marcha integrou a programação da Campanha Julho Verde, que mobiliza comunidades tradicionais ao longo de todo o mês nos estados do Pará, Amapá e Maranhão. Um dos destaques dos debates foi o avanço do protagonismo feminino nas tomadas de decisão dentro das reservas extrativistas, espaços historicamente liderados por homens. Segundo Renilde, a mudança começou com a criação de redes de apoio e incentivo à participação das mulheres. Dessas iniciativas nasceram a Rede Mães do Mangue, os clubes de poupança comunitários e projetos de geração de renda, como a Cozinha da Maré. "O clube de poupança não era só sobre dinheiro. A gente percebeu que era uma forma de falar sobre o papel das mulheres, para ocuparem os espaços de decisão, já que os presidentes eram sempre os homens", relembrou. Atualmente, as mulheres presidem associações, integram conselhos deliberativos das Resex e representam suas comunidades em debates estaduais, nacionais e internacionais. Renilde compartilhou a própria trajetória como exemplo dessa transformação social. "Eu não fiz faculdade, mas o movimento das Reservas Extrativistas foi a minha escola da vida. Foi aqui que aprendi sobre gestão do território, participação social e políticas públicas", relatou a líder comunitária, que começou como sócia fundadora e hoje preside a associação de sua Resex. Ao fim do ato em Belém, as lideranças reforçaram a necessidade urgente de ampliação dos investimentos públicos para os territórios tradicionais da Amazônia. Para os manifestantes, conservar os manguezais significa proteger a biodiversidade, impulsionar a bioeconomia e assegurar alimento, renda e dignidade para as futuras gerações. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Leia mais notícias do estado no g1 Pará
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