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    O que candidatos ao governo de MG propõem sobre dívida pública e isenções fiscais

    7 hours ago

    Cidade Administrativa de Minas Gerais, sede do governo do estado Raquel Freitas/TV Globo Minas Gerais deve mais de R$ 188 bilhões à União. Em dezembro de 2025, o governo federal autorizou a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que permite a quitação do débito em até 30 anos. O Executivo mineiro optou pela modalidade que prevê abatimento de 20% do saldo devedor e o parcelamento do restante, com correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e juros zerados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Para pagar a entrada, o governo ofereceu uma série de ativos à União, como imóveis e participações em empresas. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) também foi privatizada – a gestão do ex-governador Romeu Zema (Novo) defendeu que a medida era necessária para a amortização da dívida. Enquanto isso, o estado mantém uma política bilionária de renúncias fiscais. Em 2025, Minas Gerais abriu mão de arrecadar R$ 19,4 bilhões em Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Em 2027, estão previstos R$ 26,2 bilhões em isenções. Agora no g1 A forma de enfrentar a dívida e de tratar a questão fiscal divide os 11 candidatos ao governo. O g1 apurou o que cada um deles propõe nos planos apresentados à Justiça Eleitoral. Nas próximas semanas, o g1 também publica reportagens sobre as propostas dos candidatos para temas relacionados a saúde, meio ambiente e mobilidade. A primeira reportagem da série falou sobre combate a feminicídios e facções criminosas. Veja abaixo o plano de cada candidato, por ordem alfabética: Alexandre Kalil (PDT) Alexandre Kalil (PDT) Amira Hissä O plano de Alexandre Kalil (PDT) diz que o Propag significou, na prática, "alongar uma dívida impagável". O candidato propõe que o governo mineiro atue junto à União e ao Congresso para buscar o "aperfeiçoamento" do programa e impedir que as obrigações assumidas comprometam investimentos e serviços públicos. O candidato defende que o patrimônio público não seja tratado como "solução fiscal de curto prazo". Nos casos em que houver serviços públicos envolvidos, segundo o plano de Kalil, devem ser analisados impactos tarifários, necessidades de investimento, metas de universalização e diferenças regionais. O documento ainda apresenta propostas para aumentar a capacidade de investimento do estado, como a revisão de programas e despesas com baixo impacto para a população, o combate à sonegação e o uso responsável de operações de crédito para projetos estruturantes. Em relação às isenções fiscais, Kalil propõe que esses benefícios sejam avaliados periodicamente e que a avaliação considere geração de empregos, investimentos realizados, inovação, agregação de valor, impacto sobre as cadeias produtivas e contribuição para o desenvolvimento regional. Ben Mendes (Missão) Ben Mendes (Missão) Divulgação O plano de governo de Ben Mendes (Missão) diz que a dívida de Minas Gerais é resultado de um "pacto federativo injusto, que suga recursos gerados" no estado, mas não apresenta propostas específicas para renegociar, auditar ou suspender o pagamento. No âmbito das contas públicas, o candidato fala em transformar MG em um estado gerencial soberano, detentor de um fundo patrimonial público ligado à "riqueza finita do subsolo". A ideia é que todos os mineiros sejam titulares de uma "conta individual soberana" que complemente a renda, mas não há detalhes de como isso seria viabilizado. O documento propõe passar um "pente-fino" nas isenções fiscais concedidas pelo estado no setor extrativista e condicionar a oferta de benefícios a metas de desempenho. Se as empresas não cumprirem as metas estabelecidas, deverão devolver os valores proporcionalmente. O texto também prevê novas formas de renúncias fiscais para companhias que investirem na reconstrução de ferrovias operacionais desativadas e empresas que concederem aos funcionários benefícios voltados à prática de atividade física. Cleitinho Azevedo (Republicanos) senador Cleitinho (Republicanos-MG) Ton Molina/Agência Senado O candidato Cleitinho Azevedo (Republicanos) defende a renegociação da dívida de Minas Gerais com a União por meio de uma "atuação firme" junto ao governo federal. Cleitinho também propõe a criação de um "fundo de retorno de recursos" para investimentos em logística e infraestrutura em Minas Gerais, mas não detalha como funcionaria. O plano de governo ainda fala em estrutura administrativa enxuta, com redução de cargos comissionados sem função técnica e corte de despesas públicas, além de implantação de metas de desempenho para todas as secretarias estaduais. O documento propõe uma avaliação técnica "rigorosa" de todos os incentivos fiscais concedidos pelo estado e a manutenção dos que comprovadamente gerarem empregos, investimentos e arrecadação. Flávio Roscoe (PL) Flávio Roscoe (PL) Elizabete Guimarães Flávio Roscoe (PL) diz que o Propag "alonga" a dívida com o governo federal e não resolve a distorção entre os dados do orçamento e o dinheiro que efetivamente existe no caixa do estado. O candidato não apresenta propostas específicas em relação à dívida, mas defende a redução de despesas com pessoal, uma força-tarefa permanente de fiscalização e cobrança da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) e a criação de um comitê fiscal independente para auditar trimestralmente a execução orçamentária. Sobre as renúncias fiscais, o plano de governo defende que qualquer benefício tributário seja condicionado à geração ou à manutenção comprovada de trabalhos formais. Além disso, propõe a criação de um selo estadual de "empresa cumpridora", a ser renovado anualmente, para que companhias com histórico comprovado de regularidade fiscal e manutenção de empregos tenham acesso facilitado a créditos de ICMS. Gabriel (MDB) Gabriel Azevedo (MDB) Karoline Barreto/ CMBH O plano de governo de Gabriel (MDB) faz uma análise crítica sobre o Propag, mas não apresenta propostas para romper ou renegociar o programa. O foco do candidato para a gestão das contas públicas é fazer com que a despesa cresça menos do que a receita. O documento prevê a estabilização dos gastos, a revisão de programas públicos e a adoção das "melhores práticas" de políticas sociais e de concessão de serviços. Outra ideia é a criação da "Comissão Independente de Avaliação e Resultados", para avaliar o impacto e o custo-benefício de programas, contratos, subsídios e regulações estaduais. O objetivo é elaborar o orçamento com dados científicos, excluindo despesas que não gerem resultados efetivos. Gabriel propõe divulgar um painel anual de benefícios e subsídios fiscais, com custo estimado, objetivo, contrapartidas e evidências de resultado e, a partir do diagnóstico, revisar as isenções. Henrique Áreas (PCO) Henrique Áreas Divulgação O plano do candidato Henrique Áreas (PCO) diz que a dívida pública é "fraudulenta" e "já foi paga várias vezes" e defende o cancelamento das dívidas externa e interna com bancos e grandes credores. Áreas propõe também a imediata redução das taxas de juros e a estatização do sistema financeiro, com a criação de um banco estatal único sob o controle dos trabalhadores. O documento não fala sobre renúncias fiscais. Indira Xavier (UP) Indira Xavier (UP) Foto: Divulgação Indira Xavier (UP) defende a revogação do Propag, a paralisação dos pagamentos e a anulação da dívida do estado com a União, que considera "ilegítima". A candidata também propõe o fortalecimento das estatais mineiras, como Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), além da reestatização da Copasa. O plano de governo não apresenta propostas específicas sobre isenções fiscais, mas fala em taxação de grandes empresas estrangeiras para a permanência dos lucros no estado. Mateus Simões (PSD) Mateus Simões (PSD) Divulgação O plano do atual governador, Mateus Simões (PSD), trata o equacionamento definitivo da dívida como "agenda central". Entre as linhas de atuação propostas, está buscar uma solução duradoura para o endividamento estadual "no âmbito dos instrumentos federativos disponíveis", mas não há detalhes do que deve ser feito. Em relação à questão fiscal, Simões propõe uma transição tributária com foco em simplicidade, justiça fiscal, competitividade e transparência quanto aos benefícios concedidos. Patrus Ananias (PT) Patrus Ananias (PT ) Kayo Magalhães / Câmara dos deputados Patrus Ananias (PT) defende que a dívida com a União seja renegociada. Ele propõe ajustes no Propag, como a prorrogação, de cinco para dez anos, do prazo para o início da cobrança integral dos encargos e a concessão de condições especiais para Minas Gerais, incluindo redução do estoque da dívida e ampliação do prazo de pagamento. O candidato também fala em manter sob controle do estado empresas públicas estratégicas, como Cemig e Codemig, além de rever a privatização da Copasa. O plano de governo defende, ainda, o combate à sonegação de impostos e a busca de novas fontes de receita para o aumento da arrecadação. Uma das ideias envolve mecanismos de tributação sobre a exploração e a exportação de riquezas minerais. Em relação às renúncias fiscais, o documento propõe a revisão do modelo de incentivos e a redistribuição de benefícios. Rafael Duda (PSTU) Rafael Duda (PSTU) Reprodução/Redes sociais O candidato Rafael Duda (PSTU) defende a suspensão imediata do pagamento da dívida do estado à União e a reestatização da Copasa. O plano de governo de Rafael Duda propõe também a revogação da Lei de Responsabilidade Fiscal e a criação de uma "Lei de Responsabilidade Social", que priorize as necessidades dos trabalhadores. O documento prevê, ainda, o fim das isenções fiscais concedidas a grandes empresas privadas e a expropriação de companhias com dívidas acumuladas em impostos. Túlio Lopes (PCB) Túlio Lopes (PCB) Renata Regina O plano de Túlio Lopes (PCB) propõe auditoria completa da dívida pública estadual, com participação popular e transparência, e a suspensão do pagamento das parcelas até a conclusão da checagem. Túlio diz que, em nome da dívida, salários são congelados, serviços públicos, desmontados, e empresas estratégicas, privatizadas. Na avaliação do candidato, o Propag não resolve o problema. O documento também defende a suspensão imediata das renúncias fiscais "ocultas" e a cobrança dos valores não pagos. Vídeos mais vistos no g1 Minas:
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