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    PMs que atiraram em motoboy nu durante Operação Escudo irão a júri popular; entenda

    17 hours ago

    Exclusivo: câmeras corporais mostram PMs atirando em motoboy durante operação A Justiça de Santos, no litoral de São Paulo, determinou que os três policiais militares que atiraram contra o motoboy Evandro Alves da Silva durante a Operação Escudo sejam submetidos a júri popular. O sargento Thiago Freitas da Silva e os soldados Daniel Pereira Noda e Carlos Vinicius Batista Bruno serão julgados por tentativa de homicídio qualificado. Ao g1, o advogado que representa os três afirmou que os policiais agiram em legítima defesa e que provará a inocência deles. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O caso aconteceu em 30 de agosto de 2023, no Morro José Menino, em Santos. Evandro estava nu e usava o banheiro de um imóvel alugado como ponto de apoio para mototaxistas quando foi baleado. Imagens das câmeras corporais dos policiais registraram a ação (veja acima). 🔎 O que foi a Operação Escudo? Realizada na Baixada Santista, a operação começou em julho de 2023, após a morte do PM Patrick Bastos Reis, e resultou na morte de 28 suspeitos em supostos confrontos. A ação foi alvo de denúncias por órgãos de direitos humanos a partir de relatos de moradores sobre execuções, tortura e abordagens policiais violentas. Evandro pulou janela após ser baleado por policiais durante a Operação Escudo, em Santos Reprodução Os policiais foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por tentativa de homicídio com as qualificadoras de motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima. A Vara do Júri e Execuções da Comarca de Santos recebeu a denúncia em setembro de 2025. Depois da fase de instrução, que incluiu depoimentos de testemunhas e dos envolvidos, a Justiça determinou nesta semana a pronúncia dos três policiais — decisão que leva os acusados a julgamento pelo Tribunal do Júri. Segundo a juíza Thais Caroline Brecht Esteves Gouveia, os depoimentos prestados em juízo e as circunstâncias do caso fornecem elementos para que os jurados analisem se os policiais agiram da forma descrita na denúncia. "A prova oral produzida em juízo, notadamente os depoimentos da vítima e das testemunhas, aliada às circunstâncias em que os fatos teriam ocorrido, fornece substrato suficiente para que o Conselho de Sentença examine se os acusados agiram conforme denunciados", afirmou a magistrada. Em juízo, Evandro afirmou que sofreu diversas fraturas nas costelas e perdeu o baço e parte do pulmão esquerdo. Ele também disse que passou a sofrer crises de pânico e limitações físicas após o episódio. O que diz a defesa? O advogado Gilberto Quintanilha Pucci, que representa os três policiais, afirmou ao g1 que os agentes agiram em legítima defesa e no estrito cumprimento do dever legal. Segundo ele, os disparos foram uma reação a uma suposta agressão de Evandro. A defesa afirmou que pretende demonstrar essa versão durante o julgamento. Entenda o caso Às 10h58, a câmera mostra apenas um casaco sobre a cama. Dois minutos depois, a pistola aparece no mesmo local. Montagem g1/Reprodução Evandro estava nu e usava o banheiro quando foi baleado em 30 de agosto de 2023. Mesmo ferido por disparos de calibre 12, ele pulou uma janela e caiu de uma altura de aproximadamente sete metros nos fundos do imóvel. Na época, os policiais afirmaram que o motoboy estava armado e apresentaram um revólver encontrado sobre uma cama. Segundo o MP-SP, porém, a versão foi contrariada pela análise das imagens das câmeras corporais. As gravações mostram que, inicialmente, não havia arma sobre a cama. Cerca de dois minutos depois, uma pistola semiautomática cromada aparece no local. A família de Evandro afirma que a arma foi colocada na cena pelos policiais. Em dezembro de 2025, o MP-SP arquivou a investigação contra o motoboy pelos crimes de resistência e porte ilegal de arma de fogo. Ao pedir o arquivamento, o promotor Fabio Perez Fernandez afirmou que ficou comprovado que Evandro "não estava armado, nem resistiu de qualquer forma, apenas fugiu da abordagem policial".
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