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    Polícia aponta que holding foi 'motor financeiro' para lavar dinheiro e custear mortes ligadas a Adilsinho

    8 hours ago

    A Polícia Civil do Rio concluiu que a Fictor Holding funcionava como o "motor financeiro" que custeou homicídios cometidos por homens ligados a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. O bicheiro foi denunciado pelo Ministério Público (MPRJ) e se tornou réu na Justiça como mandante da morte de Rodrigo Marinho Crespo, em fevereiro de 2024. Um policial militar do 15º BPM (Duque de Caxias) foi preso na segunda-feira (28). Advogado Rodrigo Marinho Crespo, de 42 anos, morto a tiros no Rio. Reprodução A Fictor foi fundada em 2007 com foco no setor de tecnologia. Em 2013, realizou sua primeira operação de investimento e, a partir daí, iniciou um processo de diversificação dos negócios. A evolução patrimonial da empresa saltou de R$ 10 mil para praticamente R$ 1 bilhão em 17 anos, de acordo com dados da Junta Comercial de São Paulo. Hoje, o conglomerado brasileiro atua nos segmentos de alimentos, energia, infraestrutura, mercado imobiliário e financeiro. O grupo entrou com um pedido de recuperação judicial em fevereiro deste ano, após a polêmica da compra do banco Master. O que é o Grupo Fictor, que pediu recuperação judicial em SP Pagamento para carro utilizado em crime O relatório final da investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) sobre a morte de Crespo apontou que o dinheiro utilizado para custear o carro que seguiu os passos do advogado antes da execução passou pela esposa do PM Leandro Machado, preso e condenado pelo homicídio em março deste ano. As investigações da Polícia Civil indicam que Francisca Machado recebeu R$ 50 mil da Fictor Holding. Para a Delegacia de Homicídios da Capital, Leandro Machado usava a conta bancária da esposa como intermediária para receber recursos da holding. Em nota, a Fictor afirmou que os pagamentos ocorreram entre 2023 e 2024, pelo sistema bancário regular, e que a empresa não tinha conhecimento de condenações ou investigações sobre qualquer crime. A Fictor afirmou ainda que "rejeita qualquer interpretação de que tenha conscientemente participado de crimes de lavagem de dinheiro ou financiamento de atividades criminosas." (leia a nota na íntegra ao final do texto). O policial militar Leandro Machado da Silva, ao se entregar na Delegacia de Homicídios Betinho Casas Novas/TV Globo Francisca Machado enviou mais de R$ 15 mil para a locadora Horizonte 16 entre janeiro de 2023 e fevereiro de 2024. O dinheiro quitou o aluguel de um Gol branco utilizado para vigiar Crespo na semana anterior ao crime. O mesmo veículo também foi utilizado para vigiar outra vítima, morta um mês antes em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio: Thiago Trigueiro Gomes foi morto em janeiro de 2024. A investigação aponta para mais um homicídio ligado à atuação da máfia dos cigarros. O motivo: Thiago estaria vendendo o "cigarro errado". Segundo as investigações, Francisca também pagava as “diárias” de criminosos como Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, foragido pela morte de Crespo, e Ryan Patrick Barboza de Oliveira, o “Motinha”. Os investigadores detectaram uma transferência de R$ 150 para Ryan. Ryan, chamado de "Motinha" porque costumava usar sua moto para seguir alvos da organização criminosa antes dos homicídios, foi alvo de um mandado de prisão pela morte do advogado. Ele já estava preso por participar da execução de Antônio Gaspazianne Mesquita Chaves, dono do bar Parada Obrigatória, em Vila Isabel. Adilsinho também é apontado como mandante do crime, que ocorreu no dia 9 de junho. No dia 12 de junho, segundo a quebra do sigilo do celular de Ryan, ele trocou mensagens com o PM Renato Franco Lopes, o Pitbull, justamente sobre a morte da vítima. O policial do 15º BPM foi preso pela morte de Crespo nesta semana. Em nota, a defesa de Adilsinho afirmou que o cliente "desconhece a empresa mencionada na reportagem e as respectivas transações financeiras, reafirmando sua absoluta inocência em relação aos crimes apurados". (leia a nota na íntegra ao final do texto) 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Ryan Patrick Barboza de Oliveira foi preso na Baixada Fluminense Reprodução PF investiga estrutura de lavagem de dinheiro com o CV Polícia Federal prende 14 pessoas em operação contra fraudes bancárias e lavagem de dinheiro Em março de 2026, uma operação da Polícia Federal apontou que o grupo Fictor e células da facção Comando Vermelho (CV) utilizavam o mesmo esquema de lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o grupo Fictor injetava recursos que alimentavam as simulações de fluxo de caixa, ajudava a montar empresas de fachada e operava mecanismos usados para enganar instituições financeiras. O CV, por sua vez, se aproveitava de empresas fictícias e da contabilidade fabricada para justificar a entrada de recursos ilícitos no sistema bancário. Três estados foram alvos da ação da Polícia Federal (PF), que investigou fraudes que podem ultrapassar R$ 500 milhões. O CEO da Fictor, Rafael de Gois, foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão. Holding 'lavava' dinheiro de quadrilha de Adilsinho, aponta investigação O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, na sede da PF Reprodução/TV Globo O relatório final da investigação do assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo apontou que a holding Fictor era utilizada para lavar dinheiro da organização criminosa chefiada por Adilsinho. As análises do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil se debruçaram sobre movimentações financeiras entre janeiro de 2023 e 31 de maio de 2024. Segundo as investigações, a holding recebeu mais de 200 depósitos em espécie, em agências bancárias de Duque de Caxias e Belford Roxo, na Baixada Fluminense. A maioria dos depósitos era de até R$ 10 mil. Lara Bernardino/g1 A prática, chamada de "smurfing" pela polícia, consiste em dividir grandes quantias em vários depósitos menores para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, assim como o destino desses valores. Depois disso, segundo a polícia, o dinheiro da holding chegava à conta de outras duas pessoas, além de Francisca: Evandro Marques da Silva, o Magrinho Uanderson Costa de Souza, o PQD Evandro Marques, conhecido como Magrinho, recebeu mais de R$ 1 milhão da Fictor, aponta investigação Reprodução Segundo as investigações, Evandro Marques da Silva recebeu da Fictor R$ 1,186 milhão no período analisado. A análise das movimentações financeiras indica que uma parte desse dinheiro foi utilizada para manter a estrutura logística dos homicídios ligados à organização criminosa. Da conta de Magrinho também saíram mais de R$ 330 mil para uma distribuidora de bebidas. A empresa, segundo a Polícia Civil, era possivelmente usada para lavagem de dinheiro da quadrilha de Adilsinho. A distribuidora também repassou mais de R$ 60 mil para as contas dele. As investigações também mostraram que um pequeno bar localizado na Avenida Perimetral, em Duque de Caxias, com uma média mensal de R$ 20 mil em faturamento, recebeu mais de R$ 500 mil em créditos em 2023. Pelo menos R$ 18 mil da conta do bar foram enviados para Magrinho naquele mesmo ano. A suspeita da polícia é que o bar funcione como uma "conta de passagem" para lavar dinheiro ilícito. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. Ex-PM Sem Alma recebeu R$ 33 mil Rafael do Nascimento Dutra, conhecido como Sem Alma Reprodução/TV Globo Entre janeiro e junho de 2023, quem recebeu R$ 33 mil de “Magrinho” foi um ex-PM, expulso da corporação e velho conhecido em investigações de homicídios: Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma. Até a publicação desta reportagem, ele tinha seis mandados de prisão por diferentes homicídios cometidos a mando da organização criminosa de Adilsinho. No dia 2 de janeiro de 2023, Sem Alma recebeu 11 depósitos sucessivos em dinheiro, todos abaixo de R$ 2 mil, em terminais de atendimento bancário. A partir de junho de 2023, no entanto, os valores passaram a ser depositados para outro PM: Leandro Machado, que teria participação direta na morte de Rodrigo Crespo. O dinheiro que vinha de Evandro “Magrinho” também serviu, segundo a polícia, para pagar os seguranças de um braço direito de Adilsinho. O valor incluía o pagamento de diárias, escalas e despesas logísticas. Um desses seguranças, o PM Vitor Hugo Henrichs Mello, lotado no 15º BPM (Duque de Caxias), recebeu R$ 37,6 mil durante o período. Vitor Hugo foi preso durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na investigação do homicídio de Crespo. Uanderson PQD Uanderson, conhecido como PQD, investigado por crimes ligados a Adilsinho Reprodução Uanderson Costa de Souza, conhecido como PQD, recebeu pelo menos R$ 38,8 mil da Fictor Holding entre janeiro de 2023 e maio de 2024. As investigações também apontam que ele devolveu cerca de R$ 15 mil para a Fictor em transações sem qualquer justificativa. PQD é apontado por investigações da Polícia Civil como um dos matadores da quadrilha de Adilsinho. Em 2025, ele foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão em uma operação da Delegacia de Homicídios da Capital. Em 2022, PQD foi preso junto com Rafael Ferreira Silva, conhecido como Cachoeira, atualmente foragido pela morte de Rodrigo Marinho Crespo. Rafael Ferreira Silva, o Cachoeira, está foragido pela morte de Rodrigo Marinho Crespo Reprodução Em dezembro daquele ano, os dois estavam tentando sequestrar uma mulher em Nilópolis, na Baixada Fluminense, quando foram presos em flagrante. As investigações da Polícia Civil apontam que ela pode ter sido vítima de um entre os mais de 20 crimes envolvendo o mercado de cigarros ilegais do Rio desde 2022. Uanderson também está foragido e é procurado como um dos suspeitos pelas mortes do vereador Danilo do Mercado e de seu filho, Gabriel, que ocorreram em 2021 em Duque de Caxias. O g1 pediu notas para as defesas de Leandro Machado e Francisca Machado, mas não recebeu respostas até a publicação da reportagem. O g1 não conseguiu contato com as defesas de Uanderson Costa de Souza e Evandro Marques da Silva. Nota da defesa de Adilsinho “A defesa de Adilson Oliveira Coutinho Filho manifesta que seu cliente desconhece a empresa mencionada na reportagem e as respectivas transações financeiras, reafirmando sua absoluta inocência em relação aos cromes apurados" "Adilson é alvo de diversas acusações infundadas que carecem de qualquer prova de seu envolvimento com os fatos, seguindo confiante que a Justiça julgará com a isenção e imparcialidade características do devido processo legal”, afirmou o advogado Ricardo Braga. Nota da Fictor A Fictor se pronunciou com a seguinte nota: "Os pagamentos mencionados ocorreram entre 2023 e 2024, por meio do sistema bancário regular, no contexto das relações então mantidas pela companhia com os respectivos beneficiários e em observância aos procedimentos de compliance aplicáveis. À época das operações, a Fictor não tinha conhecimento de condenações ou investigações envolvendo essas pessoas que pudessem relacioná-las aos fatos mencionados na reportagem. A companhia rejeita qualquer interpretação de que tenha conscientemente participado de operações destinadas à lavagem de dinheiro, ao financiamento de atividades criminosas ou à ocultação de recursos. A Fictor permanece à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários."
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