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    Promotor e juiz do Acre são alvos de ataques homofóbicos ao anunciarem casamento: 'Manifestações de ódio'

    7 hours ago

    Promotor e juiz do Acre são alvos de comentários homofóbios ao anunciarem casamento O promotor de Justiça do Ministério Público do Estado (MP-AC) Thalles Ferreira e o juiz do Tribunal de Justiça do Acre Caique Cirano Di Paula foram alvos de homofobia ao anunciarem que iam casar em uma postagem nas redes sociais. Em uma publicação sobre o ensaio fotográfico na praia, internautas deixaram comentários homofóbicos e criticaram a postagem. "Calada me deito, sem processo me levanto! Só acho o fim do mundo mesmo!", diz um dos comentários. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Thalles e Caique estão juntos há dois anos e oficializaram a união na última terça (11) em São Miguel dos Milagres, em Alagoas. O ensaio fotográfico foi feito na segunda (10), na mesma praia. Eles têm um filho, de 3 anos, que foi adotado inicialmente só por Thalles e o g1 contou a história em 2024. As fotos do ensaio foram publicadas na rede social do promotor e republicadas pelo site Contilnet, onde foram deixados os comentários homofóbicos. O g1 conversou com o Thalles e ele contou como se sentiu com a repercussão do casamento. O juiz não quis comentar o caso. Postagem sobre casamento foi alvo de comentários homofóbicos Reprodução "Nosso casamento nasceu para celebrar o amor. Foi pensado como um encontro íntimo, cercado por familiares e amigos que conhecem a nossa história, respeitam a nossa caminhada e compreendem tudo o que foi necessário enfrentar para chegarmos até aqui. Ainda assim, a exposição desse momento despertou manifestações de ódio. Nós, um promotor de Justiça e um juiz, fomos vítimas de ataques homofóbicos nas redes sociais simplesmente porque decidimos celebrar publicamente a nossa união", destacou o promotor. Dentre os comentários que chamou a atenção do promotor, que chegou a responder algumas pessoas, estava o questionamento sobre as atividades desenvolvidas pelo casal nos órgãos que trabalham. "Não trabalhamos juntos. Nunca trabalhamos em nenhum momento. Não podemos atuar juntos em processos. Ninguém vai colocar a carreira em risco por conta disso. Além disso, não sou o único promotor casado com um juiz de direito no Acre. Quando voltei da licença paternidade [em 2024] já estava morando em Rio Branco e iniciamos uma união estável", ressaltou. Promotor chegou a responder alguns comentários de internautas Reprodução Thalles é promotor dos Direitos Humanos do MP-AC há dez anos e se mudou para o estado acreano após ser aprovado no concurso para o cargo. Ele atuou na comarca de Sena Madureira, interior do Acre, onde adotou o filho, mas atualmente mora e trabalha na capital. Já Caique Cipriano é juiz de direito titular da Vara Criminal da Comarca de Sena Madureira. O promotor destacou que seria incorrência de sua parte ficar calado diante dos ataques e, por isso, resolveu responder algumas pessoas. LEIA MAIS: Casal é detido em boate no Acre e alega ter sido vítima de homofobia Mulher é condenada a 1 ano de prisão por crime de homofobia após chamar procurador da república de 'Barbie girl' Delegado gay prende mulher por homofobia contra ele em operação no AC: 'disse que eu deveria virar homem' "Nunca poderíamos nos calar. Eu, especialmente. Depois de tantos anos de atuação como promotor de Justiça na defesa dos direitos humanos, seria incoerente exigir coragem das vítimas e, quando a violência atravessasse a minha própria vida, escolher o silêncio. Minha atuação profissional sempre me ensinou que direitos somente permanecem vivos quando alguém decide defendê-los — inclusive quando isso exige falar da própria dor", complementa o promotor. Promotor e juiz casaram na praia com amigos e familiares Arquivo/Joana Sodré Medidas necessárias O promotor ressaltou que identificou perfis e guardou algumas informações para tomar medidas necessários quanto aos ataques. Segundo ele, a atitude não foi tomada por confronto ou ou vingança, mas porque a violência não pode ser tratada como algo normal. "Uma mensagem homofóbica não é apenas uma opinião infeliz lançada na internet. Ela integra uma estrutura de exclusão que constrange, humilha, adoece e, em situações extremas, mata. Sabemos que temos formação, proteção institucional e uma rede de afeto capaz de nos amparar. Mas quantos jovens LGBTQIA+ recebem diariamente mensagens semelhantes e precisam enfrentá-las sozinhos?", lamenta. O promotor diz que respondeu os comentários mais desrespeitosos para rebater e mostrar que aquelas palavras não o afeta. "Não fiz nenhum tipo de ameaça, são comentários desrespeitosos. Esse alcance que teve só demonstra pra mim a necessidade de falar muito sobre isso", descreve. Casal está junto há mais de dois anos e não dividem processos Arquivo/Joana Sodré Casamento na praia O casal reuniu os amigos mais próximos e familiares para celebrar a união na última terça. Thalles é mineiro e Caique nordestino os dois amam praia. Em seu perfil nas redes sociais, o promotor detalhou como foi o momento. "Foi tudo leve. Foi tudo incrível. Teve gente querida que atravessou distância só pra estar aqui, e isso vira poesia sem pedir licença. Vira estado de coisa rara: um dia em que o mundo pareceu do tamanho certo, do tamanho de quem a gente ama por perto. Foi massa demais casar na areia, com o mar testemunhando e o céu meio nublado como quem finge não estar emocionado. Foi massa ver rosto conhecido, abraço apertado, gente que veio de longe e nos deu presença, amizade e cheiros", complementa. Casamento ocorreu em São Miguel dos Milagres, em Alagoas Arquivo/Joana Sodré Reveja os telejornais do Acre
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