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    Quem foi a astrônoma Nancy Grace Roman, que dá nome ao mais recente telescópio espacial lançado pela Nasa

    7 hours ago

    NASA prepara lançamento de poderoso telescópio que vai expandir o trabalho do James Webb A Nasa batizou seu mais novo telescópio espacial em homenagem à cientista americana Nancy Grace Roman. As contribuições de Roman para a astrofísica deveriam tê-la tornado famosa, mas muitas pessoas provavelmente nunca ouviram falar dela. LEIA TAMBÉM: Telescópio Roman: como funciona o novo observatório espacial que a Nasa deve lançar hoje Durante décadas, os astrônomos foram presenteados com dados e imagens impressionantes do Telescópio Espacial Hubble, lançado à órbita da Terra em 1990. Em 2021, o Telescópio Espacial James Webb (JWST) foi enviado ao espaço como sucessor do Hubble. Desde então, o JWST identificou algumas das primeiras estrelas e galáxias a se formarem após o Big Bang e fez uma série de outras descobertas surpreendentes. O JWST foi projetado para observar objetos individuais com detalhes extraordinários. O telescópio Roman, por sua vez, foi projetado para fazer um levantamento do céu em grande escala. Ao monitorar vastas áreas do Cosmos, os astrônomos poderão montar um quadro mais amplo de como o Universo se transforma. As capacidades dos dois telescópios são, portanto, complementares. O nome do novo telescópio espacial homenageia uma cientista que lutou contra a discriminação em um campo dominado por homens, tornando-se, por fim, a primeira astrônoma-chefe da Nasa. Telescópio Roman: Nasa lança observatório espacial Reprodução/Nasa Roman nasceu em Nashville, no estado americano do Tennessee, filha de uma professora de música e de um pai que era matemático e físico. Ela se formou em astronomia pelo Swarthmore College, na Pensilvânia, em 1946. Ela obteve seu doutorado na Universidade de Chicago, concluindo seus estudos de pós-graduação no Observatório Yerkes da universidade, onde trabalhou no mapeamento dos movimentos das estrelas. Em suas primeiras pesquisas, Roman comparou a maneira como as estrelas se moviam no céu com sua composição. Isso levou à descoberta de que havia diferentes populações de estrelas dentro da Via Láctea. Roman também descobriu que as quantidades de elementos químicos “pesados” (na astronomia, aqueles elementos mais pesados que o hélio) nessas estrelas estavam ligadas à velocidade e direção com que elas se afastavam de nós. Isso permitiu a criação de um modelo matemático que, essencialmente, reverteu o tempo para analisar como as estrelas nasceram a partir da mesma nebulosa. Roman descobriu que nem todas as estrelas em uma determinada área têm a mesma idade, o que levou a evidências observacionais sobre como nossa galáxia está estruturada. Roman coletou grandes quantidades de observações astronômicas em uma época em que o processo para fazer isso — baseado em placas fotográficas, em vez de câmeras digitais — era muito mais demorado do que é hoje. Para identificar as estrelas, Roman utilizou um método chamado “excesso de UV”, que ainda hoje é usado como uma forma rápida de identificar diferentes tipos de estrelas. Telescópio vai mapear grandes áreas do céu. Arte g1 Durante seu período como docente no Observatório Yerkes da Universidade de Chicago, Roman foi vítima de desigualdade salarial. Certa vez, ela estimou que ganhava não mais do que 60% do que seus colegas homens ganhavam. Ela também sentia que nunca conseguiria ser professora titular devido ao seu gênero. Em uma entrevista de 2017, Roman disse que levou suas preocupações salariais ao chefe de seu departamento na época, o físico e ganhador do Prêmio Nobel Subrahmanyan Chandrasekhar. Ele disse a ela: “Não discriminamos mulheres. Só que podemos contratá-las por um salário menor”. Isso contribuiu para que Roman se mudasse para um cargo mais seguro no Laboratório de Pesquisa Naval, em Washington, DC. Nessa nova função, como chefe de espectroscopia de micro-ondas, ela utilizou ondas de rádio para aumentar a precisão da medição da distância entre a Terra e a Lua. Ela também mapeou grandes seções da Via Láctea por meio de ondas de rádio. Um novo modelo a ser seguido Quando a Nasa foi criada em 1958, a maior parte da equipe científica foi recrutada no Laboratório de Pesquisa Naval. A liderança desse grupo consultou Roman sobre a criação de um programa de astronomia na nova agência. Em 1959, ela se transferiu para a Nasa, como chefe de astronomia observacional. Seu cargo foi alterado para chefe de astronomia após um ano. Roman foi a primeira mulher a ocupar qualquer cargo executivo na Nasa, numa época em que a diferença salarial entre homens e mulheres nos EUA era de 60 centavos por dólar e as mulheres eram submetidas a graves práticas discriminatórias no local de trabalho — assim como em outros lugares. Durante esse período, Roman era a única responsável por decidir quais projetos de astrônomos receberiam ou não financiamento da Nasa. Hoje, o processo é conduzido por painéis de revisão por pares, que reduzem o número de candidatos por meio de rodadas de pré-seleção. Roman supervisionou o desenvolvimento e o lançamento de alguns dos primeiros telescópios espaciais. A ideia de colocar um telescópio em órbita havia sido sugerida pela primeira vez pelo físico e astrônomo americano Lyman Spitzer em 1946. Isso ocorreu antes mesmo de o primeiro satélite ter sido lançado em órbita. Os telescópios espaciais têm muitas vantagens, entre eles evitar a distorção provocada pela atmosfera terrestre, permitindo que os observatórios obtenham imagens mais nítidas e claras. Roman trabalhou inicialmente no lançamento de vários telescópios espaciais menores que observavam o céu em comprimentos de onda ultravioleta e de raios X. Ela também ajudou a lançar o Observatório Aéreo Kuiper, que possibilitou estudar as estrelas em comprimentos de onda infravermelhos (aqueles ligeiramente mais longos que a luz vermelha visível). Um foguete Falcon Heavy da SpaceX, com o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA a bordo NASA/John Kraus Essas missões serviram como prova de conceito para o que eram, na época, técnicas de observação de ponta. Elas também justificaram o investimento de quantias maiores de dinheiro em missões subsequentes. Roman trabalhou com habilidade para angariar apoio ao Telescópio Espacial Hubble (inicialmente conhecido como Grande Telescópio Espacial), realizando palestras públicas e mobilizando astrônomos. O chefe científico da NASA, Ed Weiler, mais tarde apelidaria Roman de “mãe do Hubble” com base nesses esforços. Ela continuou sendo uma defensora entusiasmada das mulheres na ciência e da astronomia em geral até sua morte, em 2018. A escolha do nome de Roman para este novo telescópio finalmente reconhece uma astrônoma excepcional e uma das arquitetas da era dos observatórios espaciais. Esperamos que isso também contribua para divulgar sua vida e suas conquistas. Ian Whittaker não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.
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