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    Relatório da Câmara aponta mortes, falta de leitos e divergências financeiras no CHS em Sorocaba

    6 hours ago

    Relatório da Câmara aponta falta de pessoal, insumos e falhas no CHS A Comissão Especial de Monitoramento da Rede Estadual de Saúde da Câmara de Sorocaba (SP) apresentou, nesta terça-feira (11), o relatório final sobre o Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). O documento de 155 páginas reúne denúncias de mortes, sobrecarga de trabalho, falhas estruturais e inconsistências financeiras no hospital, que é gerido por uma Organização Social (OS). A Secretaria de Estado da Saúde (SES) e o Seconci não quiseram se manifestar sobre a conclusão do relatório. Durante as apurações, o grupo ouviu depoimentos de sete pacientes, além de familiares que perderam seis parentes que estavam internados na unidade. O relatório destaca que os depoimentos mostram padrões semelhantes de negligência e precariedade, confirmados por inspeções dos conselhos regionais de Medicina (Cremesp) e Enfermagem (Coren-SP). 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp A comissão é formada pelo vereador Henri Arida, presidente, pelo vereador Izídio de Brito (PT), relator, pela vereadora Jussara Fernandes (PL) e pelo vereador Ítalo Moreira (Missão). Os trabalhos foram iniciados em 30 de abril de 2026, com instrução entre maio e julho. Comissão da Câmara de Sorocaba (SP) aponta falhas em hospital estadual Reprodução/TV TEM Padrões nos relatos de pacientes Os depoimentos apurados referem-se a atendimentos prestados entre 2023 e 2026 em setores como Maternidade, UTI e Clínica Médica. O relatório lista os seguintes problemas recorrentes: Infraestrutura e higiene: goteiras, elevadores quebrados e acúmulo de lixo; Falta de insumos: desabastecimento de lençóis, luvas, sabão e álcool; Falta de equipe: déficit de profissionais para atender casos graves; Acesso a documentos: recusa ou demora na entrega de prontuários, exigindo boletim de ocorrência; Instabilidade de internação: altas precoces e sucessivas trocas entre UTI e enfermaria; Isolamento de famílias: restrições para acompanhantes e demora no aviso sobre piora de pacientes. O relatório traz casos graves relatados por pacientes. Uma gestante de alto risco contou que foi levada para tomar banho gelado poucas horas após a cesariana, sob efeito de anestesia, em um banheiro com sangue de outros pacientes. Em outro relato, uma grávida teve a cesárea negada duas vezes por falta de vaga na UTI neonatal. Na terceira vez em que procurou o hospital, o bebê já estava morto. O caso é discutido na Justiça. O documento aponta ainda a morte de uma criança com hidrocefalia, mielomeningocele e síndrome de Chiari que passou por 17 cirurgias em um ano de internação. Outro caso citado envolve uma menina de 11 anos transferida da UTI para a enfermaria. A família avisou que a criança parou de urinar, mas o quadro não foi avaliado a tempo pela equipe médica. A garota morreu no dia seguinte, e a necropsia apontou choque séptico e infecção generalizada. Trabalhadores relatam sobrecarga e retaliação Seis trabalhadores e representantes sindicais foram ouvidos. Um relatou plantão com dois profissionais para 16 pacientes. Outro descreveu unidade semi-intensiva de oito leitos com apenas dois ou três técnicos, e uma profissional afirmou ter ficado sozinha responsável por 13 pacientes pós-cirúrgicos. Segundo o relatório, "ambulâncias da própria instituição chegaram a ser utilizadas para buscar lençóis em municípios vizinhos devido à falta de enxoval disponível no hospital". O Coren-SP informou que realizou 13 inspeções entre 2021 e 2026, apurou 49 denúncias e abriu 12 processos de sindicância, além de apontar necessidade adicional de 152 enfermeiros e 70 técnicos ou auxiliares. O Crefito registrou um fisioterapeuta para 18 leitos de UTI neonatal. Também há relatos de retaliação a quem questionou condições de trabalho, incluindo processo disciplinar, bloqueio de crachá e agressão física. A comissão diz que "a repetição dos relatos por diferentes fontes justifica apuração pelos órgãos competentes" e recomenda fiscalizações sem aviso prévio." Vistorias do Cremesp e visita negada A comissão analisou 16 relatórios do Cremesp feitos entre 2022 e 2026 que já apontavam jornadas exaustivas e escalas médicas incompletas. Na Maternidade, vistorias flagraram plantões de até 36 horas ininterruptas tomados por médicos. Os vereadores tentaram realizar visitas técnicas ao interior do CHS em maio e junho de 2026, mas foram impedidos pela direção do hospital. A comissão precisou recorrer à Justiça para obter acesso a documentos públicos da licença sanitária. Impacto na rede municipal e contrato de R$ 1 bilhão Visitas a UPHs da Zona Leste, Zona Oeste e Zona Norte, além da UPA Éden, mostraram que a falta de vagas no CHS afeta a rede municipal. Pacientes aguardaram de três a seis dias por transferência, e a UPH Zona Norte chegou a ter cerca de 25 pessoas simultaneamente à espera de vaga hospitalar. O contrato de gestão da OS com o Estado tem valor superior a R$ 1 bilhão e vai até 2028. Em 2025, a receita operacional foi de aproximadamente R$ 261,5 milhões, e os serviços de terceiros somaram R$ 82,4 milhões, com diferença de cerca de R$ 10,9 milhões entre a despesa contábil registrada e os pagamentos examinados, ponto que o relatório diz exigir conciliação documental. A análise contábil apontou divergências financeiras que exigem auditoria: Rateio administrativo que subiu de R$ 2,8 milhões (2020) para R$ 5,95 milhões (2025), alta de 112,3%; Transferências entre o Hospital Geral de Itapecerica da Serra (SP) e o CHS de R$ 10,796 milhões em 2025; R$ 10,47 milhões em subvenção governamental para investimentos ainda pendentes no fim de 2025. A comissão também identificou subcontratação de empresas privadas pela OS para serviços médicos, o que dificulta saber quanto do valor pago chega ao profissional, ponto classificado como item que exige auditoria. Encaminhamentos aos órgãos de controle Com o fim dos trabalhos, o relatório final será enviado ao Ministério Público Estadual e Federal, Polícia Federal, Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP), Gaeco, Ministério Público do Trabalho e órgãos de classe. O grupo pediu a apuração das irregularidades e fixou prazos de até 90 dias para retornos oficiais. Procurados pelo g1, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) e o Seconci informaram que não iriam comentar as conclusões do relatório. Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
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