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    Rio cria força integrada contra furto e receptação de cabos; estabelecimentos suspeitos foram desapropriados

    há 10 horas

    Cabos que não possuem valor comercial serão instalados nos locais de furtos recorrentes no Rio de Janeiro Jessica Araújo/ g1 A Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do RJ anunciaram a criação do Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos para reforçar o enfrentamento a esse crime na capital fluminense. O decreto que institui a medida foi publicado na manhã desta terça-feira (1º) no Diário Oficial do Município. Uma das primeiras ações é a desapropriação de 2 estabelecimentos no bairro do Sampaio, na Zona Norte do Rio, que, segundo a prefeitura, funcionariam como pontos de receptação de materiais furtados. A região é apontada pelo município como a mais afetada por esse tipo de ocorrência na cidade. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Agora no g1 O objetivo do núcleo integrado é coordenar ações voltadas à prevenção e ao enfrentamento do furto de cabos e de outros componentes da infraestrutura urbana. Segundo a prefeitura, a iniciativa foi motivada pelo alto volume de ocorrências registradas no município — furtos de cabos já custaram R$ 26,6 milhões ao Rio desde 2021. Prefeito Eduardo Cavaliere mostra o modelo dos cabos sem valor comercial que serão usados Reprodução/ Prefeitura do Rio Em entrevista coletiva realizada no Centro de Operações Rio (COR), o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) destacou que os casos cresceram depois da pandemia e não são resolvidos como uma simples manutenção. “O que estamos destacando é que essa ‘epidemia’ não vem do acaso. Ela é fruto de crime e com comportamento sistemático e repetitivo. Em alguns casos, o volume de roubos e furtos não pode ser visto como uma ação episódica, individual. Tem um sinal na cidade que foi roubado 70 vezes ao longo deste ano. Uma vez a cada 3 dias”, afirmou Cavaliere. Segundo o prefeito, as desapropriações devem continuar. “Essa medida de desapropriação dos estabelecimentos já identificados pode ser o grande impacto que faltava para, juntos, de mãos dadas, conseguirmos combater toda essa cadeia criminosa”, afirmou. Roberto Lisandro Leão, chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), destacou a importância da integração entre os órgãos municipais e estaduais para enfrentar o problema. “Uma instituição sozinha não consegue resolver o problema da cidade, do estado e da população como um todo. Quando a gente fala a mesma linguagem e tem o mesmo propósito, os resultados vêm”, afirmou. Levantamento publicado pelo g1 mostra que o furto de cabos e equipamentos da rede semafórica custou R$ 2,8 milhões aos cofres municipais apenas no primeiro semestre deste ano. Desde 2021, os prejuízos acumulados chegam a R$ 26,6 milhões. A criação do núcleo faz parte de um conjunto de medidas para integrar a atuação de órgãos municipais e estaduais no combate a esse tipo de crime. A coordenação ficará a cargo da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), com participação da Guarda Municipal, da Força Municipal, da Rioluz e da CET-Rio. CET-Rio começa a trocar os cabos dos semáforos da cidade por ‘cabos laranja’, sem valor comercial Divulgação O secretário Marcus Belchior afirmou que uma das primeiras medidas do programa foi a desapropriação dos terrenos no Sampaio, na Zona Norte do Rio. “A gente quer quebrar a cadeia criminosa. Vamos fiscalizar estabelecimentos que compram, armazenam ou comercializam cabos e outros materiais furtados”, afirmou o secretário de Ordem Pública. Coletiva com representantes do município e estado do Rio de Janeiro participaram de entrevista coletiva nesta terça-feira (1º) Jessica Araújo/ g1 A proposta prevê o compartilhamento de informações entre os órgãos envolvidos para subsidiar estratégias de prevenção, fiscalização e repressão. Entre as medidas previstas estão a substituição de materiais metálicos por componentes sem valor comercial e o reforço na fiscalização de estabelecimentos suspeitos de receptar produtos furtados. Os locais poderão ser alvo de sanções administrativas e de outras medidas previstas em lei, incluindo, em casos específicos, a desapropriação de imóveis. “O cabo de cor laranja tem cobre, mas em quantidade tão pequena que ele não tem valor comercial. A cor abóbora é para chamar a atenção. É algo que vamos passar a implantar na região da Grande Tijuca e do Grande Méier. Já iniciamos as ações”, disse Marize da Silva Queiroz Ribeiro, presidente da CET-Rio. Zona Norte CET-Rio começa a instalação de caixas sem valor de revenda Divulgação A 1ª etapa das ações será implantada na Zona Norte do Rio. De acordo com a prefeitura, as regiões do Grande Méier e da Grande Tijuca concentram 25% dos furtos de materiais semafóricos registrados na cidade em 2026. As intervenções ocorrerão em vias como a Avenida Marechal Rondon, a Rua 24 de Maio e o Boulevard 28 de Setembro. O investimento previsto para as ações preventivas na região é de R$ 1,95 milhão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Arte da Prefeitura do Rio mostrando onde estão os pontos considerados críticos de roubo de cabos na cidade Divulgação/ Prefeitura do Rio Além da troca dos cabos por materiais sem valor de revenda, o plano inclui a instalação de caixas sem valor comercial, garras antifurto e a concretagem e soldagem de caixas de passagem. Segundo a prefeitura, todos os semáforos do Boulevard 28 de Setembro serão substituídos por equipamentos com os novos materiais. RioLuz Rodolfo Maldonado, diretor-presidente da RioLuz, afirmou que os furtos de cabos também provocam danos a postes e luminárias. Entre 2021 e 2026, foram registradas quase 95 mil ocorrências e mais de 1,8 mil km de cabos furtados. “Esse prejuízo vai além só do cabo, porque a luminária, em diversos momentos, por essa ação criminosa, também deixa de funcionar”, afirmou. Segundo Maldonado, o prejuízo da RioLuz com cabos, luminárias e postes chegou a R$ 42 milhões no período. Considerando também os danos em semáforos, o valor ultrapassa R$ 69 milhões. Ele disse ainda que medidas antifurto, como concretagem de caixas e blindagem de eletrocalhas, tornam a manutenção mais cara e complexa. *estagiária sob a supervisão de Cristina Boeckel
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