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    Saída do batalhão, disparos e corpo carbonizado: veja cronologia da morte de soldado na Grande Fortaleza

    18 hours ago

    Na madrugada do crime, vídeos mostram movimentações dos carros de soldado morto e suspeito A policial militar Júlia Natália Girão e o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima, foram indiciados pelo assassinato do policial militar Raphael Sampaio de Silva, de 27 anos, encontrado baleado e carbonizado em um carro no dia 11 de agosto, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Conforme a investigação, o crime teria motivação passional, visto que Raphael e Júlia, ambos casados, tinham uma relação extraconjugal. O g1 fez uma cronologia do caso, mostrando os principais acontecimentos daquela madrugada, que levaram os investigadores a apontar Antoneudo como possível atirador e Júlia Natália como participante. (Entenda abaixo) ✅ Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp O crime aconteceu após Raphael sair do serviço acompanhado de Júlia, que era sua colega de equipe e havia trabalhado com ele no plantão. O soldado foi encontrado morto em Itaitinga. Segundo a Perícia Forense, Raphael levou três tiros na cabeça e, depois de morto, teve o corpo queimado. Júlia Natália foi presa no mesmo dia devido a contradições em seu depoimento - ela dizia que estava no carro com o colega de farda quando os dois foram atacados por criminosos. A militar teria sido amarrada em um matagal. Porém, câmeras de segurança captaram Júlia circulando em liberdade no horário em que dizia estar amarrada. Antoneudo Ribeiro, marido de Júlia, também foi preso na terça. Quem é a PM presa por envolvimento na morte de policial encontrado carbonizado no CE Cronologia do crime Conforme o inquérito policial, que o g1 teve acesso, imagens de videomonitoramento, sistemas de leitura de placas, prova testemunhal, exames periciais e confronto das versões apresentadas pelos investigados ajudaram os investigadores a reconstruir os acontecimentos que levaram a morte de Raphael Sampaio. No veículo, a perícia encontrou uma algema no banco traseiro e um recipiente com gasolina abandonado próximo ao automóvel. Os horários também ajudaram os investigadores a refutar a versão dos suspeitos: a policial militar foi vista em uma oficina e em uma escola em um horário no qual afirmou que estava amarrada. Veja a cronologia do crime: 16 horas do dia 10 de agosto até 2 horas do dia 11 de agosto: segundo o documento, Raphael e Júlia trabalharam juntos no serviço do 16º Batalhão da Polícia Militar. Entre 1h48 a 1h58 do dia 11 de agosto: imagens do 16º Batalhão registraram o encerramento do serviço de Raphael e de Júlia. 2h19 do dia 11 de agosto: Raphael e Júlia foram ao estacionamento do 16º BPM e, posteriormente, entraram no Hyundai I30, pertencente à vítima, e deixaram a unidade policial. 2h36 do dia 11 de agosto: o carro de Raphael passou pela Avenida Jornalista Thomaz Coelho, em frente a Areninha, e seguiu em direção ao terminal de ônibus da Messejana. 2h40 do dia 11 de agosto: Raphael chegou à Rua Florêncio Fontenele, onde Júlia morava com o marido Antoneudo. 2h41 do dia 11 de agosto: câmeras de segurança próximo da residência registraram que o carro de Raphael transitou vagarosamente pela mesma rua até chegar debaixo de uma árvore, local onde o soldado estacionou o veículo, que permaneceu parado por cerca de 21 minutos. 3h02 do dia 11 de agosto: um veículo branco - mais tarde identificado como o Chevrolet Prisma comprado por Antoneudo - posicionou-se atrás do carro de Raphael e, 4 minutos depois, realizou manobra de marcha à ré, colocou a traseira do segundo veículo contra a traseira do veículo da vítima. 3h06 do dia 11 de agosto: aparecem nas imagens clarões atrás do veículo branco, que, segundo a polícia, seriam dos disparos de arma de fogo. Tudo ocorreu a cerca de 30 metros de distância da residência de Júlia e Antoneudo. Veja no vídeo abaixo: Vídeo flagra momento em que soldado teria sido morto a tiros antes de ser queimado. 3h07 do dia 11 de agosto: os dois veículos deixam o local em direção à Rua Antônio Alves Ribeiro, sentido BR-116. Nas imagens seguintes, obtidas pela polícia, o Chevrolet Prisma seguiu na frente, acompanhado de perto pelo veículo de Raphael. Esse foi o último registro dos dois carros juntos antes do soldado ser encontrado carbonizado no próprio automóvel. 3h22 do dia 11 de agosto: o Prisma de Antoneudo é filmado trafegando sozinho a apenas 226 metros do local em que o Hyundai I30 de Raphael e o corpo dele foram encontrados carbonizados, já no território do município de Itaitinga. 3h29 do dia 11 de agosto: após a prática do homicídio e carbonização de Raphael, outra câmera registrou o Prisma em deslocamento e, nela, é possível ver que há pelo menos dois ocupantes no carro. 3h32 do dia 11 de agosto: o Prisma passa pela Rua Florêncio Fontenele e entra na residência de Júlia e Antoneudo. 7h17 do dia 11 de agosto: Antoneudo é registrado conduzindo o Chevrolet Prisma até uma oficina. No local, Júlia é vista com o vestido rosa com o qual, mais tarde, diria que foi sequestrada na madrugada. Antoneudo deixa a oficina alguns minutos depois, utilizando um Fiat Pulse vermelho. 7h38 do dia 11 de agosto: Júlia e Antoneudo são vistos deixando a filha na escola. Veja no vídeo abaixo. Vídeo: PM e marido deixando filha na escola no horário em que ela alegou estar amarrada. 11h03 do dia 11 de agosto: o Fiat Pulse vermelho no qual Antoneudo saiu da oficina é visto por câmeras de segurança em Aquiraz. 12h01 do dia 11 de agosto: Polícia é acionada por um moradora que encontrou Júlia após ela sair de um matagal, em Aquiraz, supostamente amarrada, dizendo que havia sido vítima de sequestro. Ainda na tarde do dia 11 de agosto, Júlia Natália foi presa em flagrante, enquanto prestava depoimento, por suspeita de participação no homicídio. O mario dela, Antoneudo, foi preso mais tarde, no mesmo dia, com documentos falsos e munições. No dia 13 de agosto, os dois passaram por audiência de custódia e a Justiça decretou a prisão preventiva - sem prazo para acabar - dos dois por suspeita de envolvimento no assassinato. Eles estão detidos desde então. Infográfico: PM é encontrado carbonizado dentro de carro no Ceará Arte/g1 Indiciamento do casal A Polícia Civil afirma que há indícios suficientes de que Júlia Natália e Antoneudo atuaram juntos e "conscientemente" no homicídio de Raphael, mediante divisão de tarefas. Com isso, o casal foi indiciado por homicídio qualificado, por recurso que dificultou a defesa da vítima e por motivo torpe, relacionado ao contexto de relacionamento extraconjugal e ciúme. 📍 O indiciamento significa que a Polícia Civil viu fatos suficientes para representar contra os suspeitos. Depois, o caso será analisado pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), que pode concordar ou não com o indiciamento. Depois, o MPCE apresenta a denúncia contra aqueles que considera responsáveis pelos crimes - se considerar motivação e autoria. Se a Justiça aceitar a denúncia do MP, eles viram réus e vão a julgamento. A defesa de Júlia Natália, representada pelo advogado Walmir Medeiros, disse que vai pedir a soltura da agente. Já a defesa de Antoneudo Ribeiro, feita pela advogada Karla Borges, afirmou que não vai comentar o caso. Motivação passional De acordo com o inquérito policial, obtido pelo g1, a Polícia Civil aponta que o crime teve motivação passional, visto que Raphael Sampaio e a policial militar Júlia Natália, ambos casados com outras pessoas, mantinham um relacionamento extraconjugal. Segundo testemunhas, os dois costumavam se encontrar após o serviço e diziam aos seus respectivos cônjuges que estavam chegando tarde em casa devido a ocorrências policiais. Testemunhas relataram que Antoneudo sabia que Júlia Natália e Raphael tinham um caso e que ele tinha "intenso ciúme" dela. Testemunhas também relataram à polícia que Raphael já havia revelado o relacionamento com Júlia e acreditava que Antoneudo sabia, pois Júlia havia mostrado uma foto de Raphael para o próprio marido. Na véspera do homicídio, Raphael disse a uma pessoa próxima que ele e a amante planejavam assumir publicamente o relacionamento, divorciando-se dos respectivos cônjuges. Júlia Natália Girão Gomes, Raphael Sampaio da Silva e Antoneudo Ribeiro Lima Júnior Reprodução "Dessa maneira, a hipótese de motivação passional não decorre exclusivamente da existência abstrata de uma relação extraconjugal, mas encontra suporte em elementos indicativos de que Antoneudo tinha conhecimento da infidelidade e de que a relação entre Júlia e Raphael permanecia ativa em período imediatamente anterior ao crime", aponta o inquérito policial. Disparos contra a vítima A análise da polícia apontou Antoneudo Ribeiro como provável responsável pelos disparos contra o soldado Raphael Sampaio. Embora não haja imagens diretas disso, a tese, segundo o inquérito, é sustentada pela dinâmica do crime. Na madrugada do crime, Júlia e Raphael estavam no carro do soldado, um Hyundai I30, quando um Chevrolet Prisma se aproximou e estacionou. Conforme a investigação, o Prisma havia sido comprado por Antoneudo em setembro de 2025. Nas imagens obtidas pela Polícia Civil, o ocupante do Prisma desce - sem que seja possível vê-lo diretamente - e, momentos depois, são vistos três clarões rápidos. Segundo os investigadores, os clarões seriam os disparos de arma de fogo. A Perícia apontou que Raphael foi baleado justamente três vezes na cabeça. Pouco depois, o Prisma deixa o local com pelo menos um passageiro, além do motorista. Na sequência, o veículo entra na casa de Júlia e Antoneudo. No exame de papiloscópica realizado no interior do Chevrolet Prisma, foram encontradas impressões papilares de Antoneudo. Posteriormente, às 7h17, Antoneudo foi registrado conduzindo o Chevrolet Prisma até uma oficina. Para a Polícia Civil, a "análise integrada dos elementos informativos produzidos no curso da investigação permite formular [...] a hipótese de que Antoneudo Ribeiro Lima Júnior possa ter sido o agente que efetuou os disparos de arma de fogo contra Raphael Sampaio da Silva, embora os registros audiovisuais disponíveis não permitam afirmar essa individualização em caráter conclusivo". "Esse encadeamento permite considerar plausível, no plano indiciário, que Antoneudo, movido pelo conhecimento do relacionamento extraconjugal mantido por sua esposa com Raphael, tenha se utilizado do Chevrolet Prisma para participar da abordagem e execução da vítima e que possa ter sido a pessoa que desembarcou do veículo imediatamente antes dos disparos", consta do documento. Mais tarde, câmeras de segurança voltariam a filmar o Prisma, desta vez a cerca de 220 metros de distância do local onde o carro de Raphael foi incendiado, com ele dentro. Um exame pericial identificou ainda que Antoneudo apresentou uma lesão no punho direito, com características de queimadura de segundo grau. O exame foi realizado três dias após o homicídio do soldado. Carro é incendiado em Fortaleza. Isaac Macedo/SVM Participação de Júlia Para a Polícia Civil, a soldado Júlia Natália teve o papel de um "agente ativo" no crime. "Júlia buscou trabalhar exatamente no plantão de Raphael; deixou o batalhão na companhia dele; acompanhou a vítima até as proximidades de sua própria residência; e, após os acontecimentos relacionados ao homicídio, aparece novamente vinculada a Antoneudo", diz a investigação. Uma testemunha relatou que Júlia não estava escalada para o serviço entre os dias 10 e 11 de agosto (data do crime), mas insistiu para trabalhar naqueles dias com a equipe de Raphael, além de oferecer R$ 50 para outra agente trocar de lugar com ela na escala. Além disso, após o crime ela apresentou a versão de que havia sido sequestrada por terceiros após uma abordagem na qual Raphael teria sido atingido por disparos, sustentando ter sido retirada pelos cabelos e colocada no porta-malas de um veículo desconhecido. A policial militar Júlia Natália foi indiciada pelo homicídio do soldado Raphael Sampaio. Arquivo pessoal Quando foi encontrada após o suposto sequestro, ela estava vestindo um vestido rosa. No entanto, ela não soube dizer em em que momento teria tirado a farda da Polícia com a qual havia saído do serviço e passou a vestir o vestido. Imagens de câmeras de segurança mostraram que logo no início da manhã - menos de quatro horas após o crime - Júlia e Antoneudo foram deixar a filha na escola. Na sequência, eles foram a uma oficina de um conhecido, onde deixaram o Prisma de Antoneudo e saíram em um Fiat Pulse. Testemunhas reconheceram que, nesta hora, Júlia usava o vestido rosa. Para a Polícia Civil, Júlia colaborou com Antoneudo na ação criminosa, sobretudo após o assassinato. "Sua conduta antecedente e, sobretudo, a atuação posterior coordenada com Antoneudo e a apresentação de versão incompatível com os registros objetivos constituem elementos relevantes de adesão à empreitada investigada", diz o inquérito. Imagem mostra Júlia Natália em oficina no horário próximo ao que o corpo do PM foi encontrado carbonizado. Reprodução Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:
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