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    Três animais ameaçados de extinção morrem atropelados em rodovias do interior de SP em dois dias: 'Perda absurda', diz biólogo

    11 hours ago

    Espécies ameaçadas de extinção morrem atropelados em rodovias do interior de SP em dois dias Núcleo da Floresta/Reprodução Três animais silvestres morreram após serem atropelados em rodovias das regiões de Itapetininga e Sorocaba (SP), entre sábado (22) e domingo (23). Segundo o Cras Núcleo da Floresta, de São Roque (SP), duas antas foram encontradas na região de Itapetininga. Uma delas, uma fêmea adulta, foi localizada já morta no quilômetro 14 da Rodovia Vicinal José Waldemar Mazzer, em Pilar do Sul. 📲 Partcipe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Agora no g1 O outro animal, um macho adulto, foi encontrado na noite de sábado, no quilômetro 162 da Rodovia Bunjiro Nakao (SP-250), em São Miguel Arcanjo. De acordo com Rafael Mana, biólogo do Cras, a anta foi resgatada com vida, mas morreu assim que foi colocada no veículo de transporte. Também foi encontrada morta uma fêmea adulta de gato-do-mato-pequeno, no quilômetro 129 da Rodovia João Leme dos Santos (SP-264), em Salto de Pirapora, na manhã de domingo (23). O animal estava na faixa de rolamento. Em Itu (SP), uma onça-parda foi localizada no quilômetro 98 da Rodovia Marechal Rondon (SP-300). O animal foi resgatado com vida e encaminhado para a Associação Mata Ciliar, em Jundiaí. LEIA TAMBÉM Raposa-do-campo é resgatada após ser atropelada em rodovia de Sorocaba; vídeo Estiagem e queimadas atraem ouriços a áreas urbanas no interior de SP; saiba evitar acidentes Terapia com animais ajuda na ressocialização de adolescentes da Fundação Casa: 'Me deixou mais calmo', diz interno Onça-parda foi resgatada com ferimentos em rodovia de Itu (SP) e levada para centro de reabilitação em Jundiaí (SP) Associação Mata Ciliar/Divulgação Em nota, o Centro de Controle Operacional da Motiva Sorocabana, responsável pela administração das rodovias, informou que foi acionado durante o fim de semana para atender duas ocorrências envolvendo animais silvestres: uma anta e um gato-do-mato-pequeno. Segundo a concessionária, equipes de Operações e Inspeção prestaram o suporte necessário e realizaram o atendimento à anta, que, apesar dos esforços, morreu por volta das 22h de sábado. "Ambos os animais foram encaminhados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres Núcleo da Floresta, em São Roque, para a destinação adequada", diz o comunicado enviado ao g1. Impactos ecológicos Rafael explica que o inverno faz com que a oferta de alimento diminua muito no ambiente florestal, fazendo com que os animais precisem caminhar mais e acabem atravessando as rodovias com maior frequência. "Além disso, as queimadas fazem com que saiam desnorteados da vegetação. Esses dois fatores juntos são terriveis para a fauna silvestre", observa. Conforme o biólogo, os três animais mortos fazem parte de espécies ameaçadas de extinção, o que chama a atenção para os impactos sobre a fauna e o equilíbrio dos ecossistemas. "Toda perda de um indivíduo desse, principalmente um indivíduo adulto, em período reprodutivo, é uma perda absurda, não só para a diversidade genética da região, mas para a própria função ecológica de cada espécie", aponta. No caso das antas, o biólogo destaca a importância dos animais para a regeneração da Mata Atlântica com a dispersão de grandes sementes pela floresta. “São as jardineiras da floresta, responsáveis diretamente pela dispersão das sementes e das grandes sementes na Mata Atlântica. São animais com uma função ecológica absurda, que anda grandes distâncias, que consegue, não só dispersar essas sementes, mas ela já aduba as sementes", explica Mana. Anta foi encontrada muito debilitada e com ferimentos compatíveis à caça em bairro de Tapiraí (SP), em junho deste ano Núcleo da Floresta/Divulgação As antas percorrem grandes distâncias e, além de espalharem as sementes, contribuem para a fertilização delas. Conforme Rafael, as sementes dispersadas por esses animais apresentam maior capacidade de regeneração e desenvolvimento. Controle de outras espécies O gato-do-mato-pequeno também exerce uma função importante no equilíbrio ambiental, principalmente no controle da população de pequenos roedores e outros animais. De acordo com o biólogo, a espécie sofre com a expansão dos perímetros urbanos e também pode ser vítima de conflitos com moradores, principalmente quando invade galinheiros para se alimentar. “Se você não tem o predador, essas presas começam a crescer em número, desordenadamente. E isso acaba gerando outros problemas, como o aparecimento de zoonoses e diversos problemas que a superpopulação acarreta”, explica. Já a onça-parda é considerada um predador de topo de cadeia e tem papel fundamental no equilíbrio das populações de presas. Segundo Rafael, a espécie também contribui para a seleção natural, já que animais debilitados ou doentes podem ser mais facilmente predados. “Ela faz o controle não só da presa, mas da possibilidade da dispersão dessa zoonose”, afirma. Para o biólogo, a perda desses animais representa um impacto significativo para as áreas florestais. “Se você não tem o predador, você não consegue ter o equilíbrio ecológico dentro de uma área florestal. Então, a importância desses animais é de um grau absurdo. Isso em dois dias, né? Isso foi sábado e domingo, uma coisa assustadora”, desabafa o biólogo. Medidas necessárias Passagem aérea de fauna em Bauru Priscila Medeiros/Prefeitura de Bauru O especialista cita medidas que poderiam ajudar a reduzir o número de atropelamentos e mortes de animais silvestres nas rodovias, como a passagens de fauna, redutores de velocidade e a fiscalização de desmatamentos e queimadas. “Seria necessária a construção de passagens de fauna interligando os corredores ecológicos, implantação de redutores de velocidade, fiscalização dos desmatamentos e queimadas e empenho das prefeituras municipais”, detalha. O corredor ecológico é uma área de vegetação que conecta dois grandes fragmentos florestais, permitindo o deslocamento de animais e plantas entre eles. Um exemplo é uma Área de Preservação Permanente (APP) ao longo de um curso d'água, que pode formar uma faixa de vegetação capaz de conectar diferentes áreas de floresta. “Isso é um corredor ecológico. Ele serve para um fluxo de fauna e flora, um fluxo genético de fauna e flora, inclusive”, explica Rafael. Já a passagem de fauna é uma estrutura criada para permitir que os animais atravessem obstáculos, como rodovias e cursos d'água, com segurança. Segundo o biólogo, essas estruturas podem ser subterrâneas, construídas sob as estradas. “Muitas dessas passagens, inclusive, utilizam a drenagem de água de chuva ou até mesmo a drenagem de cursos d'água pequenos. São aquelas tubulações grandes que passam embaixo da rodovia, que se faz uma adequação para a passagem da fauna”, explica. Também existem travessias aéreas, que conectam as copas das árvores nos dois lados da rodovia. Dessa forma, os animais podem passar de um lado para o outro sem precisar cruzar a pista. “Existem travessias aéreas que você interliga o dossel das árvores dos dois lados da rodovia ou dos dois lados de um curso d'água, para que essa fauna passe por cima sem necessidade de atravessar a rodovia e ser atropelada”, afirma. Rafael também cita os viadutos de travessia de fauna, estruturas aéreas construídas sobre as rodovias e que podem receber vegetação para facilitar a passagem dos animais. “Onde esses animais vão utilizar isso para passar de um lado ao outro. O corredor ecológico é feito de vegetação para conduzir essa fauna. Muitas vezes, você considera um corredor ecológico um local preservado, onde essa vai interligar dois pontos de grande importância ambiental. E a travessia é só para atravessar os pontos”, conclui o especialista. 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