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    Três governadores, duas eleições e uma disputa judicial em um ano: entenda o cenário político de Roraima

    12 hours ago

    Governadores de Roraima em 2026: Antonio Denarium (renunciou), Edilson Damião (cassado) e Soldado Sampaio (interino) Arquivo g1 e Divulgação/Assessorias Roraima vive um cenário político incomum em 2026. O estado teve três governadores em pouco mais de um mês e passou por uma eleição suplementar sem resultado definido. Enquanto a Justiça Eleitoral não decide se o vencedor do pleito poderá assumir o governo, o estado segue sob comando interino. Em outubro, os eleitores voltarão às urnas para escolher o governador que comandará o estado de 2027 a 2030. 💡 Entenda nesta reportagem o que levou Roraima a essa situação. Como Roraima chegou a ter três governadores A situação é resultado de uma sequência de decisões judiciais e mudanças políticas que teve origem em ações relacionadas às eleições de 2022, vencidas por Antonio Denarium (Republicanos) e Edilson Damião (União Brasil). A cassação da chapa provocou uma sucessão de trocas no comando do estado. Em março deste ano, Denarium renunciou ao cargo para disputar uma vaga no Senado. Damião, que era vice-governador, assumiu o governo. Cassação, eleição suplementar e eleições gerais: entenda o cenário político de RR em 2026 Damião permaneceu no cargo por 34 dias, até o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato dele em abril. A Corte também tornou Denarium inelegível por oito anos e determinou a realização de uma eleição suplementar. A decisão ocorreu porque a Justiça Eleitoral entendeu que houve abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, com uso da máquina pública em benefício eleitoral. Entre as irregularidades apontadas estavam distribuição de cestas básicas, reformas de casas e repasses de recursos a municípios fora dos critérios legais. Como a decisão atingiu a chapa eleita, o TSE determinou a realização de uma eleição suplementar para escolher um novo governador. Com a cassação de Damião e a ausência de governador e vice-governador no cargo, o presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, Soldado Sampaio (Republicanos), assumiu o governo de forma interina. Por que houve uma eleição suplementar A cassação da chapa eleita em 2022 abriu caminho para uma nova eleição. Como ainda faltava parte do mandato iniciado em 2023, o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) convocou a eleição suplementar para escolher quem governaria o estado até o fim de 2026. A votação suplementar ocorreu em 21 de junho. Arthur Henrique (PL), ex-prefeito de Boa Vista, foi o mais votado, com 160.004 votos (60,87%). Soldado Sampaio ficou em segundo lugar, com 93.897 votos (35,72%). No entanto, Arthur não foi declarado eleito porque o registro de candidatura estava sub judice e ainda depende de uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral. A disputa judicial sobre o registro de candidatura de Arthur envolve o prazo mínimo de afastamento da prefeitura exigido pela legislação eleitoral. Esse período, chamado de desincompatibilização, é o tempo que um ocupante de cargo público precisa ficar afastado antes de disputar uma eleição. Arthur renunciou à Prefeitura de Boa Vista em 2 de abril para disputar as eleições de outubro. Com a convocação da eleição suplementar para junho, também se candidatou ao novo pleito. Na data da votação, porém, ele estava afastado da prefeitura havia pouco mais de dois meses, período considerado insuficiente pela Justiça Eleitoral. Os prazos para a desincompatibilização previstos na Lei da Inelegibilidade são de três, quatro ou seis meses antes da votação. O TRE-RR barrou a candidatura, mas Arthur recorreu ao TSE. O caso também é discutido no STF. Enquanto a questão não é resolvida, Sampaio permanece no cargo, mesmo tendo ficado em segundo lugar na eleição suplementar. INFO - Cenário político de Roraima em 2026 arte/g1 Por que haverá outra eleição em outubro A eleição suplementar de junho e a eleição de outubro têm objetivos diferentes. A votação de junho foi convocada apenas para preencher o período restante do mandato iniciado em 2023, que termina em dezembro de 2026. Já a eleição de outubro é a votação regular para o mandato de 2027 a 2030. Por isso, mesmo com a indefinição sobre o resultado da eleição suplementar, os eleitores de Roraima voltarão às urnas em outubro. Quem são os principais personagens Soldado Sampaio Soldado Sampaio (Republicanos) é deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Roraima. Ele assumiu o governo de forma interina após a cassação de Damião e também disputou a eleição suplementar de junho. Sampaio já fez parte da base política de Denarium e chegou a ser líder dele na Assembleia, mas os dois romperam politicamente em 2024. Na eleição suplementar, ficaram em lados opostos: enquanto Denarium apoiou Arthur Henrique, Sampaio disputou diretamente contra o ex-prefeito. No pleito, o Sampaio recebeu apoio de Teresa Surita, também ex-prefeita da capital e, até então, aliada política de Arthur. Arthur Henrique Arthur Henrique é ex-prefeito de Boa Vista e candidato do PL ao governo de Roraima. Ele foi eleito prefeito da capital em 2020 e reeleito em 2024 com apoio da antecessora Teresa Surita (MDB). Na eleição suplementar de junho, recebeu 160.004 votos, o equivalente a 60,87% dos votos válidos, e terminou em primeiro lugar. Arthur teve o apoio de Denarium na eleição suplementar e mantém esse apoio na disputa de outubro. Arthur Henrique concorreu na eleição pelo PL Nalu Cardoso/g1 RR Antonio Denarium e Edilson Damião Inelegível, Denarium não disputa a eleição de outubro. Ele apoia a deputada federal Helena da Asatur (PSD), candidata a uma das duas vagas de Roraima no Senado. Uma das suplentes de Helena é Tânia Soares (União Brasil), cunhada de Denarium e ex-secretária do governo dele. Edilson Damião (União), que foi cassado pelo TSE em abril, disputa uma vaga de deputado federal. Atualmente, os dois não têm sido vistos juntos publicamente. Em julho, porém, em entrevista ao g1, Damião afirmou que eles ainda mantinham contato. "Converso com ele todos os dias e a gente não teve nenhum tipo de rompimento", disse. Palácio Senador Hélio Campos, sede do governo de Roraima, em Boa Vista. Secom-RR/Divulgação O que está em disputa agora Arthur Henrique e Soldado Sampaio, que disputaram a eleição suplementar de junho, concorrem novamente ao governo do estado em outubro. Na primeira pesquisa de intenção de voto para o governo, divulgada nesta quinta-feira (27) pela Quaest, em levantamento encomendado pela Rede Amazônica, Arthur Henrique aparece com 60% das intenções de voto, enquanto Soldado Sampaio tem 27%. Além deles, outros três candidatos disputam o cargo: Clébio Genuíno (PCO), Farah Mesquita (Solidariedade) e Rosi Aires (PSOL). Assim, Roraima chega à eleição de outubro com uma situação incomum: o governador interino concorre ao cargo que ocupa, enquanto o candidato mais votado na eleição suplementar também disputa a eleição regular e ainda enfrenta uma disputa judicial sobre sua candidatura. O impacto da instabilidade política Na avaliação do cientista político Carlos Santiago, essa sucessão de governadores ultrapassa a disputa entre grupos políticos e afeta a administração pública e, principalmente, a população. Ele diz que a instabilidade sobre mudanças em secretarias, comando de hospitais, e de outras estruturas impacta no que deve ser prioridade e dificulta a continuidade das políticas públicas. "O cidadão sente essa instabilidade à medida que há um revezamento no comando político do Estado. Cada governador tem uma equipe e uma estratégia para resolver os problemas, mas não há continuidade. O impacto não fica restrito ao alto escalão do governo. A troca de comando pode afetar diretamente políticas públicas e serviços oferecidos à população", resume. Ele acrescenta ainda que a instabilidade causada pelas sucessivas mudanças também dificulta a cobrança por resultados. "Quem paga essa conta duas vezes é a população", pontua. Santiago é presidente da Comissão de Reforma Política e Combate à Corrupção Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Amazonas. Cronologia: entenda as mudanças no governo Março Antonio Denarium renunciou ao governo para disputar uma vaga no Senado nas eleições de outubro. O então vice-governador Edilson Damião assumiu o cargo. Abril O TSE cassou Damião, tornou Denarium inelegível por oito anos e determinou a realização de uma nova eleição. Os dois foram condenados por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Soldado Sampaio, então presidente da Assembleia Legislativa, assumiu o governo. Junho Eleitores de Roraima foram às urnas em 21 de junho. Arthur Henrique terminou a apuração em primeiro lugar, com 160.004 votos (60,87%). O resultado não foi homologado porque o registro de candidatura de Arthur estava sub judice. Julho Foram realizadas as convenções partidárias para as eleições de outubro, que vão definir o governador, o vice-governador, os deputados estaduais e federais, os senadores e o presidente da República. Agosto Começaram as campanhas eleitorais nas redes sociais, nas ruas, rádios e televisão. Neste período, Roraima chegou a dois meses com a eleição suplementar ainda indefinida. Eleitorado de Roraima Roraima tem 401.496 pessoas aptas a votar nas Eleições Gerais de 2026. O primeiro turno será realizado em 4 de outubro e, caso seja necessário, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.
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