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Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, durante sabatina O Globo/CBN/Valor
Maria Isabel Oliveira / O Globo
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi entrevistado por "O Globo", "Valor" e CBN nesta quarta-feira (19). Conduzida pelos jornalistas Vera Magalhães, Marcello Corrêa e Guilherme Muniz, a entrevista faz parte de uma série realizada com os postulantes ao Executivo paulista.
Nesta quinta-feira (20), o sabatinado por "O Globo", "Valor" e CBN será o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciando também às 10h30. Os convites foram baseados no desempenho dos candidatos na pesquisa Quaest divulgada em 29 de julho.
A equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Fernando Haddad (PT-SP). Leia:
"Eu sou o autor da lei das PPPs [parcerias público privadas]. Eu fui para Brasília em 2003, para redigir a lei das PPPs, que foi naquele mesmo ano pro Congresso Nacional numa solenidade da qual eu participei explicando o objetivo da Lei. Então, eu sou a favor da parceria com o setor privado."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
A Lei nº 11.079, conhecida como Lei das PPPs, instituiu normas para licitação e contratação desse tipo de parceria no âmbito da administração pública e foi sancionada em 30 de dezembro de 2004. O texto da norma, disponível no site oficial da Casa Civil, não tem a assinatura de Fernando Haddad, que, à época, era assessor especial do Ministério do Planejamento.
Mas ele é citado na página 3 do documento do Projeto de Lei, acessível no site da Câmara dos Deputados e com data de 2003. Leia o trecho: "Para instituir o presente parecer, a Comissão Especial encarregada da matéria ouviu em audiência pública: a) o Secretário Fernando Haddad, responsável pela formulação do projeto, que prestou ao colegiado valiosos esclarecimentos acerca do seu conteúdo".
"Nós temos problema com a Sabesp, campeã de reclamações no Procon, por causa da qualidade do serviço, por falta d'água ou água impura, aumento [do preço] da água. [...] ele [Tarcísio] diz que ia ser reduzida a conta d'água. Então, nós temos problema."
g1
A declaração é #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
O Procon-SP contabiliza as reclamações dos consumidores de duas formas. A primeira é por meio do registro geral de reclamações, que reúne todos os casos formalmente apresentados ao órgão. A segunda refere-se a reclamações fundamentadas, que correspondem aos casos que não foram solucionados após atendimento preliminar. Atualmente, a Sabesp ocupa a terceira colocação no ranking geral e a primeira no de reclamações fundamentadas.
Maior empresa de saneamento do Brasil, a Sabesp foi privatizada pelo governo de São Paulo em julho de 2024.
No ranking de reclamações fundamentadas de 2025, a companhia teve 6.879 queixas, quase o triplo do ano anterior – quando ficou na 13ª colocação – e mais de quatro vezes o volume registrado em 2023.
O órgão de defesa do consumidor recebeu, diariamente, 19 reclamações do tipo sobre a companhia de abastecimento de água, com taxa de atendimento de 31%.
Veja o comparativo dos últimos anos: 2023 (1.621 queixas); 2024 (2.507 queixas); e 2025 (6.879 queixas).
Os dados estão disponíveis no painel de reclamações fundamentadas do Procon-SP, que é uma lista pública com as empresas que mais receberam queixas de consumidores e não solucionaram os problemas na fase de atendimento preliminar. No ano passado foram contabilizados 78.903 casos do tipo.
Nos dados gerais, porém, o cenário é diferente. Os números mais recentes, referentes ao período de janeiro a agosto de 2026, colocam a Sabesp na terceira colocação entre as empresas com mais reclamações. Foram 22.493 registros, atrás da Vivo (27.366) e da Claro (23.186). Nesse intervalo, o Procon-SP contabilizou 770.499 reclamações no total.
A maioria das queixas à Sabesp está relacionada a cobranças consideradas indevidas (cerca de 16 mil). Uma parcela menor diz respeito a problemas na prestação do serviço (aproximadamente 1,7 mil).
Em 2025, a companhia registrou 23.827 reclamações e apareceu na terceira posição do ranking, atrás da Claro (31.837) e da Vivo (30.323). Ao todo, o Procon-SP recebeu 1.000.048 reclamações naquele ano.
Entre 2021 e 2024, a Sabesp não figurou entre as cinco empresas com maior número de reclamações nos dados gerais do Procon-SP.
"Ele [TarcÍsio] prometeu uma porção de coisas. Baixar o [Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores] IPVA – não baixou. Dar aumento para policial civil – não deu."
A declaração de Haddad sobre o IPVA é #FATO.
A declaração de Haddad sobre aumento para policial civil é #FAKE.
Veja por que a primeira delas é #FATO:
Selo Fato (Horizontal)
g1
Tarcísio prometeu reduzir a alíquota-base do IPVA de 4% para 3% e diminuir o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre veículos automotores.
Como mostrou um levantamento do g1 sobre as promessas de Tarcísio, publicado em 22 de julho, as alíquotas permaneceram inalteradas durante a gestão. Neste ano, a alíquota-base continuou em 4%.
Por outro lado, o governo ampliou benefícios para segmentos específicos. Em 2025, foi sancionada a isenção de IPVA para motocicletas de até 180 cilindradas. Segundo a gestão, a medida beneficia cerca de 4,4 milhões de veículos, ou 77% da frota dessa categoria no estado.
Veja por que a segunda delas é #FAKE:
g1
Em 2023, já no primeiro ano de governo, Tarcísio sancionou uma lei que reajustou os salários das polícias Civil e Militar. O reajuste médio foi de 20,2%, com vigência a partir de 1º de julho daquele ano.
O aumento não foi linear: cada patente da Polícia Militar e cada cargo da Polícia Civil recebeu um percentual diferente. As categorias de entrada tiveram os maiores reajustes. Soldados de 2ª classe tiveram aumento de 31,62%; escrivães de 3ª classe, de 24,64%; e policiais técnico-científicos de 3ª classe, de 22,19%.
Em 2 de abril de 2026, o governador sancionou outro pacote que incluiu reajuste salarial de 10% para todas as classes e carreiras das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica.
O reajuste de 2026 foi publicado na Lei nº 18.441 e passou a valer a partir daquela data.
Como relatou reportagem publicada à época pelo g1, a medida previa alcançar cerca de 198 mil servidores, entre ativos e inativos, com impacto estimado de R$ 1,75 bilhão nas contas públicas.
A categoria pressionava o governo por um reajuste de dois dígitos. Um mês antes do anúncio do reajuste, "O Globo" apurou que havia uma insatisfação generalizada entre os policiais a respeito do nível de investimento do governo Tarcísio em comparação com a gestão anterior, de João Doria e Rodrigo Garcia.
Eleito com a promessa de endurecer o combate ao crime e equipar as polícias, Tarcísio havia destinado, àquela altura, R$ 2 bilhões para essa finalidade desde 2023, quando assumiu o Palácio dos Bandeirantes. Nos três anos anteriores, o valor foi de R$ 3,8 bilhões, em valores corrigidos pela inflação.
"Eu não sei se eu vou ter tempo, em 60 dias, de apresentar para a população o que está acontecendo com a educação. Caiu para 10° lugar no país."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025, divulgado em 5 de agosto pelo Ministério da Educação, São Paulo ficou em 10º no ranking nacional referente ao ensino médio nas redes estaduais. O estado obteve nota 4,3, a mesma de Santa Catarina e Mato Grosso.
A edição de 2023 do mesmo indicador, também considerando o Ensino Médio nas redes estaduais, havia colocado São Paulo em 6° lugar, com nota 4,2 e também dividindo a posição com Mato Grosso.
O Ideb, que na avaliação global leva em conta o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, cruza duas informações e apresenta os resultados em uma escala que vai de 1 a 10: a porcentagem de alunos que não reprovaram (taxa de aprovação/fluxo escolar); e as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), uma prova de português e matemática realizada por alunos do 2º, 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e por estudantes do 3º ano do Ensino Médio.
"O Tarcísio colocou R$ 600 milhões no [programa] Muralha Paulista [...]. A letalidade policial subiu 80% no governo Tarcísio. A morte de policiais em serviço e fora dele, inclusive por suicídio, aumentou."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, enviada pela gestão Tarcísio em janeiro, prevê R$ 565.058,14 em investimentos para o programa Muralha Paulista. Voltado à área de Segurança Pública, o programa unifica câmeras de estabelecimentos públicos e privados em uma rede de monitoramento para rastrear placas de veículos roubados e identificar pessoas procuradas pela Justiça.
O dado de 80% de aumento da letalidade policial consta de uma pesquisa da Agência Brasil, empresa de mídia do governo federal brasileiro, divulgada em 2025 e feita com base em um relatório do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Segundo esse levantamento, o número de mortes causadas por policiais do estado de São Paulo saltou de 357 em 2023 para 653 em 2024, um aumento de 83%.
A mesma cifra também aparece no 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 24 de julho de 2025, com base em dados do ano anterior.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 23 de julho de 2026 com base em dados de 2025, o número total de mortes de profissionais da ativa em São Paulo aumentou de 49 em 2024 para 60 no ano seguinte, impulsionado principalmente pelo crescimento das mortes por suicídio. Em 2025, o índice atingiu o mesmo patamar de mortes violentas intencionais como causa de morte entre policiais no estado (30 casos cada).
"A gente descobriu quatro ministros do [ex-presidente Jair] Bolsonaro recebendo dinheiro do Master. O próprio Bolsonaro e Tarcísio receberam dinheiro de campanha do Vorcaro."
g1
A declaração #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
As investigações da Polícia Federal apontam que três membros do alto escalão do governo Bolsonaro (2019-2022) são associados ao caso do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil, de 4 de agosto de 2021 a 29 de dezembro de 2022: Segundo inquérito da Polícia Federal, Ciro Nogueira recebia uma propina mensal de R$ 500 mil paga por Daniel Vorcaro.O relatório aponta que o senador também recebia outras vantagens financeiras, como viagens internacionais, despesas em restaurantes de alto padrão e hospedagem em hotel de luxo em Nova York. Em contrapartida, a investigação acredita que o parlamentar atuava no Senado para defender os interesses do Banco Master.
Flávia Arruda, ministra da Secretaria de Governo do Brasil, de março de 2021 a março de 2022: Dados declarados à Receita Federal e enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado apontam que o Instituto Terra Firme, ONG presidida por Flávia Peres, recebeu R$ 457,2 mil do Banco Master. Flávia Peres adotou o sobrenome Arruda enquanto estava casada com o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Após o fim desse relacionamento, em 2023, Peres se casou com o empresário e banqueiro Augusto Ferreira Lima, sócio do Banco Master, que foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
Fábio Wajngarten, secretário-executivo do Ministério das Comunicações de abril de 2019 a março de 2021: Dados declarados à Receita Federal e enviados à CPI do Crime Organizado indicam que a empresa WF Comunicação, do ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social do governo Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten, recebeu ao menos R$ 3,8 milhões do Master em 2025.
Não há registro de recebimento direto de recursos do Master por Mário Frias, que atuou como secretário executivo da Cultura na gestão Bolsonaro entre 2020 e março de 2022. No entanto, o g1 apurou — com base em relatórios de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — que a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos do Banco Master. A empresa é apontada como financiadora do filme “Dark horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, que tem Frias como produtor executivo. Em 23 de julho de 2026, o ministro do STF André Mendonça autorizou a abertura de um inquérito da PF para investigar os repasses de Vorcaro para a produção do longa.
Quanto ao repasse de dinheiro de campanha mencionado por Haddad, em 2022, Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi o maior doador pessoa física das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jair Bolsonaro (PL). Ele transferiu R$ 3 milhões para a campanha presidencial do ex-presidente e R$ 2 milhões para o atual governador de São Paulo.
"A oposição só foi para o segundo turno [nas eleições para governador de São Paulo pós-redemocratização] em duas ocasiões. Em 2002 e em 2022."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
A lista a seguir considera os cinco candidatos mais votados em cada eleição para o Governo de São Paulo.
2002 – Geraldo Alckmin (PSDB) venceu José Genoino (PT) no segundo turno. Na etapa anterior, também concorreram nomes como Paulo Maluf (PPB), Carlos Apolinário (PGT) e Lamartine Posella (PMDB).
2006 – José Serra (PSDB) ganhou no primeiro turno. Os concorrentes mais bem posicionados foram: Aloizio Mercadante (PT), Orestes Quércia (PMDB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Carlos Apolinário (PDT).
2010 – Geraldo Alckmin (PSDB) ganhou no primeiro turno. Os concorrentes mais bem posicionados foram: Aloizio Mercadante (PT), Celso Russomanno (PP), Paulo Skaf (PSB) e Fábio Feldmann.
2014 – Geraldo Alckmin (PSDB) ganhou no primeiro turno. Os concorrentes mais bem posicionados foram: Paulo Skaf (MDB), Alexandre Padilha (PT), Gilberto Natalini (PV) e Gilberto Maringoni (PSOL).
2018 – João Doria (PSDB) venceu Márcio França (PSB) no segundo turno. Na etapa anterior, também concorreram nomes como Paulo Skaf (MDB), Luiz Marinho (PT) e Rogério Chequer (Novo). Como à época da disputa França era governador em exercício, já que havia assumido o cargo após a saída de Alckmin, não se pode considerá-lo oposição.
2022 – Tarcísio de Freitas (Republicanos) venceu Fernando Haddad (PT) no segundo turno. Na etapa anterior, também concorreram nomes como Rodrigo Garcia (PSDB), Vinicius Poit (Novo) e Elvis Cezar (PDT).
"Então, tinha lá R$ 60 bilhões de déficit no orçamento de 2023, reconhecido pelo governo anterior. O [Paulo] Guedes [ministro da Economia na gestão Bolsonaro] mandou um orçamento com um défict de R$ 60 bilhões."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2023, sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 9 de agosto de 2022, estabeleceu uma meta de déficit primário de R$ 65,9 bilhões para o governo central, que reúne as contas do governo federal, do Banco Central e da Previdência Social. Ou seja, o próprio governo anterior já previa que as contas públicas terminariam o ano com resultado negativo.
Já o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) de 2023, enviado ao Congresso em agosto de 2022 pela equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes, previa déficit primário de R$ 63,7 bilhões, equivalente a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB).
"Dois terços dos beneficiários do Braços Abertos reduziram o consumo de crack."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
O programa De Braços Abertos foi lançado na cidade de São Paulo em janeiro de 2014, pelo então prefeito Fernando Haddad, e regulamentado em abril do mesmo ano. Era voltado à região da cracolândia, no Centro de São Paulo, para acolher dependentes químicos.
Em 2016, a Plataforma Brasileira de Política de Droga (PBPD), com financiamento da Open Society, divulgou uma pesquisa que apontou que mais de 65% dos beneficiários declararam ter reduzido o consumo de crack após ingressar no programa.
Conduzida em 2015, a pesquisa da PBPD foi realizada com 80 beneficiários da iniciativa.
Em março de 2016, segundo dados divulgados pela prefeitura de São Paulo, uma pesquisa feita com cerca de 400 participantes apontou que 88% dos beneficiários da ação afirmavam ter reduzido drasticamente o consumo de crack. O levantamento foi feito por assistentes sociais que atuavam no programa.
Em junho daquele ano, a prefeitura divulgou o dado da PBPD apontando que 2 em cada 3 beneficiários do programa afirmavam terem reduzido o consumo de crack com a adesão ao De Braços Abertos.
"A investigação em São Paulo não apura [nem] 5% dos crimes. Nós chegamos ao absurdo de apurar a autoria de homicídio em 31%, ou seja, para cada três homicídios, você pune um homicida."
g1
A declaração #NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
A afirmação de que "a investigação em São Paulo não apura [nem] 5% dos crimes" se apoia em dados defasados que não retratam necessariamente a situação atual da investigação criminal no estado nem contemplam a totalidade dos crimes apurados pela Polícia Civil.
Procurada pelo Fato ou Fake, a assessoria de imprensa de Haddad informou que o número citado tem origem no programa de governo de Tarcísio de Freitas de 2022, que reproduz uma reportagem publicada pela Jovem Pan com dados de 2018. O cálculo considerou crimes específicos registrados entre janeiro e outubro daquele ano: homicídios, estupros, latrocínios, roubos e furtos. De 788.405 ocorrências, 32.150 teriam sido esclarecidas – o que equivale a menos de 4%.
Trata-se, portanto, de um indicador baseado em registros de sete anos antes da declaração analisada e restrito a um conjunto específico de crimes, não a todos os delitos registrados no estado nem ao total das investigações realizadas pela Polícia Civil.
Já a informação sobre apuração de 31% da autoria de homicídios aparece no relatório "Onde Mora a Impunidade?", do Instituto Sou da Paz, divulgado em 2025. O indicador mede a proporção de homicídios dolosos ocorridos em 2023 – primeiro ano da gestão Tarcísio de Freitas – que resultaram em denúncia do Ministério Público até o fim de 2024. Foram 2.605 homicídios e 798 denúncias, o que corresponde a uma taxa de esclarecimento de 31%.
O próprio relatório classifica São Paulo na faixa de baixo desempenho, com queda em relação aos 40% registrados para os homicídios ocorridos em 2022. Segundo o mesmo levantamento, a taxa nacional de esclarecimento de homicídios foi de 36% para os crimes ocorridos em 2023. Assim, São Paulo ficou cinco pontos percentuais abaixo da média nacional.
O estudo, porém, não mede condenações ou punições efetivas. Para o Instituto Sou da Paz, um homicídio é considerado esclarecido quando ao menos um autor é identificado e denunciado pelo Ministério Público. A denúncia é apenas uma etapa do processo penal, anterior ao julgamento, e não garante que haverá condenação. Por isso, é imprecisa a afirmação de que "para cada três homicídios, você pune um homicida". O dado permite afirmar que houve denúncia em cerca de um terço dos casos, mas não que houve punição na mesma proporção.
"São 3 milhões de estudantes que têm diploma hoje, ou vão ter, graças ao Prouni."
g1
A declaração é #FATO. Veja por quê:
Na sexta-feira (14), o Ministério da Educação divulgou em seu site oficial um comunicado sobre os 21 anos do Programa Universidade para Todos (Prouni), iniciativa criada pelo governo federal em 2005 para oferecer bolsas integrais (100%) e parciais (50% de desconto) em instituições de ensino particulares.
Na seção "destaques ao longo da trajetória", são listados os seguintes números: "27,7 milhões de estudantes inscritos; 8,1 milhões de bolsas ofertadas; 3,7 milhões de bolsas ocupadas; e 1,6 milhão de formados".
Haddad foi ministro da Educação entre julho de 2005, no primeiro mandato de Lula como presidente, e janeiro de 2012, quando Dilma Rousseff ocupava o Palácio do Planalto.
Participaram da checagem: Anna Júlia Steckelberg, Carolina Calegari, Clara Gomes Simão, Jorge Fofano, Leonardo Pinheiro, Leonaro Zvarick, Mel Trench, Roney Domingos e Vitória Nascimento.
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