Pesquisa

    Canal de Denúncias PeloBrasil360

    Use o chat abaixo para enviar denúncias e relatos do seu bairro.

    Conformidade GDPR

    Utilizamos cookies para garantir a melhor experiência no nosso website. Ao continuar a usar o nosso site, aceita a nossa utilização de cookies, Política de Privacidade, e Termos de Serviço.

    Eleições 2026: íntegra do discurso de Lula na convenção que o lançou candidato à reeleição

    9 hours ago

    02.08.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante convenção Federação Brasil da Esperança, no Expo Center Norte, São Paulo - SP. Ricardo Stuckert/Divulgação O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, oficializou a candidatura dele neste domingo, 2 de agosto, em evento na zona norte de São Paulo. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), segue como vice na chapa de Lula. Confira a íntegra do discurso de Lula: "Hoje é um dia em que eu fui surpreendido com a grandiosidade e a criatividade, Edinho, que organizou este evento. Agora, antes de eu falar, eu quero fazer uma crítica a mim. Uma crítica. Porque não é possível que a gente tenha esquecido que, no principal evento da nossa campanha, não tenha colocado uma mulher para falar. Então, como a minha querida companheira Janja não estava no script, não está na agenda de ninguém, eu quero que ela, em nome das pessoas que participam do Pacto contra o Feminicídio, fale para as mulheres aqui." Lula passa a palavra para Janja e, depois, o presidente prossegue o discurso: "Uma coisa muito importante é que nós terminamos uma Copa do Mundo. E na Copa do Mundo se falava muito qual era o jogador que mais tinha participado de Copa do Mundo. O Pelé, que foi o grande jogador de futebol do século XX, considerado atleta do século, só disputou quatro Copas. Das quatro Copas, ele só jogou 14 jogos. Ele jogou quatro jogos na primeira Copa, jogou dois na segunda, jogou dois na terceira e jogou a Copa inteira em 1970. Mas só jogou quatro Copas. Então o Messi e o Cristiano Ronaldo me parece que estão passando para a história como os dois únicos jogadores que participaram de seis Copas. PT lança candidatura de Lula à presidência O que eles não sabem é que essa Copa minha é a sétima. O que eles não sabem é que eu já fui candidato em 1989. Já fui candidato em 1989, em 1994, em 1998, em 2002, em 2006, em 2022 e agora. Sendo que, se eu ganhar essa, são quatro Copas do Mundo. Eu não vou ter chance de disputar o penta porque resolvi que, depois de a gente entregar o Brasil perfeitamente para o povo brasileiro, nós vamos sair de férias para namorar mais uns 20 anos. Esse é o meu desejo. Eu queria agradecer aos partidos que estão aqui. Eu queria agradecer, em primeiro lugar, aos companheiros militantes, mulheres e homens do PT. Aos nossos deputados e deputadas estaduais. Aos nossos candidatos. Aos nossos deputados federais e deputadas federais. Às nossas candidatas. Quero agradecer a todos os candidatos a senadores e a governadores que estão aqui. Quero agradecer aos companheiros do PSOL que estão nos apoiando nessa grande caminhada. Quero agradecer aos companheiros do PSB. Muito obrigado, João Campos, por estar aqui. E, sobretudo, Renata. Muito obrigado, Renata. Quem não sabe, Renata é a viúva do Eduardo Campos, uma companheira de muito tempo de luta. Quero agradecer a presença do companheiro Lupi, a representação mais nobre do trabalhismo no Brasil. Herdeiro do Leonel de Moura Brizola. Herdeiro do Getúlio Vargas. E herdeiro de alguém melhor do que todos eles, que eu não sei quem é. Quero agradecer aos companheiros do PV, que dão uma contribuição extraordinária ao PT quando a gente está discutindo a questão ambiental. Quero agradecer aos companheiros do PCdoB, que estão comigo nessa luta desde 1989. Não é pouca coisa. Quero agradecer aos companheiros da Rede, que, além de estar conosco, trazem para ser senadora de São Paulo a companheira Marina Silva, que, junto com a Simone, irão dar um banho aqui nas eleições para o Senado. Bem, companheiros, eu quero dizer para vocês que hoje é um dia de festa. Mas é um dia em que a gente também é obrigado a sentir falta de muita gente que começou essa caminhada junto conosco, que caminhou desde os anos 79, quando nós começamos a criar o movimento pró-PT. Não era fácil, naquele instante, a gente falar em criar um partido político. A gente estava na luta pela redemocratização do país. Eu lembro, Haddad, que num comício feito pelo PMDB em São Bernardo do Campo, eu, que era parceiro de muitas caminhadas junto com o PMDB... Eles falavam que era preciso liberdade partidária. Liberdade de organização partidária. O tempo inteiro. João... Todos eles falavam. Quando eu fui falar que ia criar o PT, tomei uma vaia. Por que tomei uma vaia? Porque a democratização que eles queriam era uma democratização só para eles. Não imaginavam a criação de um novo partido. Mas também muitos partidos de esquerda não queriam que eu criasse o PT. Todos os que já existiam se achavam o Partido dos Trabalhadores. E, quando aparece um trabalhador dizendo que quer criar um partido, eu era uma figura estranha. Aí fui chamado, durante muito tempo, de divisionista. Vocês não sabem as brigas que nós tivemos com vários companheiros do PCdoB. Quantas brigas nós tivemos. O meu querido Haroldo Lima, no Congresso Nacional. Não era fácil. E depois o PCdoB, através do João Amazonas, compreendeu a necessidade de a gente estar junto. O PSB era um partido que tinha um líder que foi a única pessoa que eu assumi a responsabilidade de receber no aeroporto quando voltou do exílio. O companheiro Miguel Arraes. Foi o único que fui receber. Porque ele voltou com muita humildade para o Brasil. E voltou querendo conversar. Então, a minha relação com o PSB também é histórica. Pela família do João. Pelo doutor Arraes. Pela Madalena. Pelas filhas. Pelos netos. E pelo filho. A minha relação com o Eduardo Campos foi uma relação, eu diria, extraordinária. Pela lealdade. Pela compreensão que eu tinha da necessidade de desenvolver o Nordeste. Da mesma forma, os governadores do Nordeste. Eu estou vendo aqui o companheiro Rafael Fonteles, do Piauí. A companheira Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte. O companheiro Elmano, do Ceará. Estou vendo aqui o nosso companheiro Camilo, ex-governador, o Cid, ex-governador, Humberto Costa, ex-governador, o Jero, agora não é mais Jerônimo, é Jero. E o nosso governador de Sergipe. O nosso governador da Bahia. O nosso ex-governador do Ceará. Aqui tem dois ex-governadores do Ceará, não, tem três do Ceará, tem Cid, tem Camilo e tem Elmano. Então eu sou muito feliz de estar com vocês nessa caminhada. Sabendo que tem outros companheiros que gostariam de estar aqui para a gente poder discutir um pouco o futuro deste país. Todo mundo sabe que nós somos a única candidatura que não tem que contar uma mentira. Nós não temos que contar uma inverdade nesta campanha. Nós não temos que inventar nada para dizer para o povo. Quem é governo não pode fazer um programa de governo dizendo um monte de coisa que ainda vai fazer. Porque o povo vai perguntar: "Se ia fazer, por que não fez?" O que motiva um governo a ganhar uma eleição é se o legado dele for merecedor de confiança e de respeito. Quem fez pode prometer mais. Quem não fez não tem o que prometer. Essa é a lógica da nossa campanha. Eu queria que vocês... Eu sou muito azarado porque todos que falaram antes de mim conhecem tudo o que eu fiz. O Haddad conhece tudo porque foi o ministro da Educação mais bem-sucedido que a gente teve. Depois, seguido pelo Camilo. Eu dei uma tarefa para o Camilo: bater ele e ser o mais bem-sucedido, o Haddad iria para o segundo lugar. E agora entrou o nosso companheiro ministro Léo, que eu falei, tem que bater o Camilo. Logo, logo, vocês dois estarão em segundo ou terceiro lugar. Porque o Léo vai ser o primeiro. E assim por diante. O Alckmin sabe tudo. Porque, quando eu ganhei as eleições, eu tinha uma preocupação de escolher para o Ministério da Indústria e Comércio uma pessoa que conhecesse de indústria. Que conhecesse de tecnologia. E eu fiquei procurando. Não foram poucas as conversas que eu tive com muita gente importante. Ô, Genoíno, tudo bem? Hoje é tua salva de palmas. Palmas para o Genoíno, que está aqui. É. E eu então fiquei procurando o gênio que ia ser meu ministro da Indústria e Comércio. Quando foi um dia, várias pessoas me indicaram uma pessoa. Eu fui receber uma pessoa importante do mundo acadêmico. Essa pessoa sentou comigo e começou a falar. Eu gosto, às vezes, do intelectual que fala muito. Porque ele fala muito, pensa que a gente não sabe nada e vai falando. Quando esse cidadão terminou de falar quase meia hora seguida, eu perguntei: "Senhor, me conta uma coisa. Alguma dessas coisas que você está falando para mim o senhor já colocou em prática?" "Não." "Mas, se você não colocou em prática, por que está falando isso para mim?" Sabe qual foi a genialidade de Deus? Me fez fazer a opção por alguém que foi governador de São Paulo durante 16 anos. Tinha cacife e autoridade moral para ser meu ministro da Indústria e Comércio. E vou te dizer uma coisa: o Brasil nunca teve um ministro da Indústria e Comércio da qualidade que você foi nesses quatro anos. Pode gravar. O Brasil nunca teve um ministro da Indústria e Comércio da qualidade, da competência política, do entendimento da necessidade de a indústria crescer. Porque ele juntava o conhecimento, a experiência de governar São Paulo e a habilidade política que o homem de Pindamonhangaba. Então eu quero repetir: O Brasil já teve muitos empresários. Já teve muita gente sabida da Faria Lima no Ministério da Indústria e Comércio. Mas vou repetir: o Brasil nunca teve um ministro da Indústria e Comércio da tua competência. Portanto, é essa competência que faz vocês terem me escolhido outra vez. Além da competência, a lealdade e o companheirismo. Eu sou obrigado a agradecer ao Haddad. Porque, se não fosse uma conversa que eu tive com o Haddad, você não estaria na minha vida. E você entrou de forma muito positiva. Então eu fico imaginando que nós vamos para uma campanha em que, qualquer assunto... Eu vou repetir. Nós vamos para uma campanha em que, qualquer assunto, em qualquer estado, com qualquer governador, vocês podem ter orgulho de defender o que o governo federal fez naquele estado. Porque eu duvido que, na história do Brasil, um presidente da República colocou tanto dinheiro nos estados como nós colocamos. E vou dizer mais. Está aqui o Rui Costa, que foi coordenador do PAC, e agora está Miriam Belchior, que é minha ministra. Nesse PAC de 2023 a 2026, 95%, 99% de todas as prefeituras receberam uma obra ou um equipamento do PAC. Eu duvido que, na história do país, desde a Proclamação da República até agora, tenha havido esse fato inédito. Do respeito que nós temos pelas prefeituras desse país. Então nós temos autoridade moral, em cada cidade, em cada estado, para defender com orgulho aquilo que nós fizemos. Não aquilo que o Lula fez. Aquilo que nós fizemos. Porque é importante não falar "o governo do Lula". Falem "o nosso governo". Porque o governo não é só meu. E eu sozinho não faria o que está sendo feito. Eu duvido que, quando a Sonia Guajajara for discutir junto com o meu ministro dos Povos Indígenas quem fez mais pelos indígenas, quem demarcou mais terras, eu duvido que tenha alguém no Brasil que tenha feito o que nós fizemos. Fizemos tudo? Não. Lógico que não dá para fazer tudo. Mas a gente vai caminhando. Deus levou sete dias para fazer o mundo e ainda não acabou. Porque só vai acabar no dia em que a gente acabar com a violência neste mundo. Sobretudo com a violência de homem contra mulher neste país. E o PT tem que ter coragem. O meu governo tem que ter coragem de dizer em alto e bom som. Não tem problema que eu perca algum voto. Mas não é necessário e não é possível. O cara vai ter que escolher: Ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. Pega a sua mão e vota em quem você quiser. Eu quero criar uma sociedade de respeito. Quero criar uma sociedade de compartilhamento. Uma sociedade em que as pessoas vivam em harmonia. Porque o casal, quando briga, passa o exemplo para a família. Para as crianças, que não têm nada a ver com isso. Que não pediram para vir ao mundo. Portanto, a luta contra a violência contra a mulher não é uma luta das mulheres. É uma luta de nós, homens, que somos os violentos. Que achamos que somos donos delas. Nós namoramos e achamos que somos donos da namorada. Nós casamos e achamos que somos donos da mulher. Não existe contrato que permita alguém ser dono de outra pessoa. Então, é parceiro. É companheiro. Para viver da forma mais decente possível enquanto for possível viver junto. Quando não for, adeus. Tchau. Eu vou embora. Você segue o seu caminho. Esse é o lema do nosso partido. E as mulheres não têm que ter medo de denunciar. Agora, só para vocês terem ideia, desde que nós fizemos o pacto contra o feminicídio, nós já fizemos mais leis e mais decretos do que em muitos anos. Garantindo às mulheres direitos. Está crescendo o número de denúncias. Porque agora as mulheres têm garantia. Estão denunciando e vão ter proteção. O cara vai ser preso logo. E ainda esta semana eu sancionei a lei do Pix. Para a mulher receber pensão do caloteiro que não quer pagar pensão para as crianças que ele pôs no mundo. E agora o cidadão vai ter que colocar tornozeleira. E vai ser uma tornozeleira moderna. A mulher vai acompanhar se ele vai chegar perto dela. É assim que a gente vai educar os homens. A gostar das suas mulheres. Até porque, quando ele tiver raiva de uma mulher, tem que lembrar de onde veio. Veio da barriga de uma mulher. Então agradeça a Deus. Essa é uma coisa muito importante. Mas eu queria dizer para vocês que vou falar do programa de governo no dia 16. Espero vocês no estádio da Vila Euclides. O estádio da Vila Euclides é onde tudo começou, em 1979. E aí eu queria recontar a história dos avanços que nós tivemos. Das quedas que nós tivemos. E nada melhor do que lotar aquele estádio da Vila Euclides. Eu conto com vocês no dia 16, a partir das 10 horas da manhã, no estádio da Vila Euclides. Você não vai entrar. Você não vai entrar. Bem, queridos companheiros... Eu estava dizendo que sinto saudade de algumas pessoas que caminharam comigo. No meu sindicato tem pouca gente viva da minha diretoria. Nem sei se está por aqui o Djavan Souza. É um companheiro que continua militando no PT. Está com 80 e poucos anos. 85, 86 anos. Ele seria o presidente do meu sindicato se eu não pudesse ser. Mas, como nós fomos cassados ele também não pode ser. Mas eu sinto saudade de pessoas como Antonio Candido. Eu sinto saudade de pessoas como o Henfil. Eu sinto saudade de pessoas como o Betinho. De pessoas que ajudaram a gente a construir este partido. Como Paulo Freire. Nos ajudou muito a construir este partido. Tem muita gente. Como eu não tenho o nome, tenho medo de esquecer. Mas essas pessoas foram muito importantes na minha vida. Eu acho que muita gente ficou pelo caminho. Às vezes eu lamento que essas pessoas não tenham visto o que aquela ideia que nós tivemos nos anos 80 ajudou a construir neste país. Eu não falo essas coisas para diminuir ninguém. Mas eu conheço muito mundo. E a essência do PT é que o PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade. Porque a esquerda não conversava. João, você que é muito novo... A esquerda não conversava. Quando eu criei o Fórum de São Paulo, em 1990, foi porque eu tinha ido para o segundo turno com o Collor. Achei que a gente poderia educar a esquerda na América Latina através das eleições. Chamei toda a esquerda da América Latina para o Hotel Danúbio, em São Paulo, em junho de 1990. Para tentar dizer a toda a esquerda que a melhor via para a gente chegar ao poder não era a luta armada. Era a organização do povo e a eleição direta. E a participação no processo eleitoral. E assim nós ganhamos vários países na América Latina. Ganhamos o Chile. Ganhamos o Equador. Ganhamos a Venezuela. Ganhamos o Uruguai. Ganhamos a Argentina. Ganhamos o Brasil. Pela democracia. Disputando o voto. Sem matar ninguém e sem morrer ninguém. E a esquerda adotou esse caminho. E ganhamos até El Salvador. Eu lembro que, numa demonstração... no PT as pessoas não se conversavam. Todo mundo... eu não vou falar o nome das organizações aqui porque não fica muito... Mas era duro. Então a classe operária, liderada por pessoas como Olívio Dutra, Jacó Bittar, eu, Wagner, dos petroleiros de Pernambuco... A gente conseguiu criar um partido em que a maioria da primeira direção do PT é quase todo mundo sindicalista. E quase toda a esquerda revolucionária passou a trabalhar junto conosco. Mesmo divergindo. Cada um continua com o seu jornalzinho. Cada um continua com a sua tese revolucionária. Mas todos acatam as decisões que o partido toma. Porque o partido é o guarda-chuva que unificou toda essa esquerda. Então, sou grato. Eu nunca esqueço que eu estava para desistir da campanha de 1989. Vocês não têm noção do que é sofrimento. Eu fui para Manaus. Em Manaus peguei um avião e fui para Balbina ver o monumento à insanidade que era a hidrelétrica de Balbina. E, quando eu volto, vou comprar um jornal, eu não, Ricardo Kotscho. O jornal tinha uma manchete assim: "Lula cai de três para 2,75." Ô, cara, você sabe o que é um candidato ter 2,75? É ter nada. É ter nada. Eu falei: "Vou desistir." Naquele tempo eu pensei em chegar em São Paulo e convidar Luiza Erundina, que era prefeita, para ela assumir. Porque, senão, além de ficar devendo um dinheirinho, eu ainda ia dever ponto para o Ibope. E como é que eu vou sair devendo ponto? Foi numa conversa com o João Amazonas. Faço questão de reconhecer isso publicamente. O velho João Amazonas. Foi numa conversa com ele que ele disse: "Ô, Lula, nós temos que seguir em frente, meu caro. Vamos escolher o nosso público." E fizemos uma definição: Falar para a classe trabalhadora. Falar para a classe trabalhadora organizada. E foi daí que a gente foi para o segundo turno naquelas eleições. Eu nunca me esqueço da ousadia. Por isso eu quero dizer para todo mundo: Não fiquem preocupados com pesquisa. Nem se estiver boa. Nem se não estiver boa. A guerra não começou. O campeonato não começou. Ele vai começar agora. Você veja. Eu estou aqui hoje, Haddad. Eu não posso falar que sou candidato. Eu não posso falar que você é candidato. Eu tive até que dizer que não sou. Eu falei na Bahia, eu vou ser multado, porque pedi voto para você. Eu não deveria ter pedido. Só pode pedir depois do dia 15. Então, meu caro, é o seguinte: Vocês têm que preparar a campanha. Nem preparar a seleção melhor do que o Ancelotti. Mas todo mundo prepara o time. Nós temos time. Nós temos futebol. Nós temos o que entregar. Nós temos argumento. Nós não podemos permitir que a mentira utilizada pela inteligência artificial venha ganhar uma eleição neste país. Neste país a mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que nós estamos fazendo ao povo brasileiro. Que eu não vou dizer... Ô, Luizão! Vocês já viram o nosso amigo Luizão? Ele faz o papel de pai do Paulo Vieira numa novela da Globo. Eu já vi você umas quatro vezes. Quando tenho tempo, falo: "Vamos ver aquele negão bonito, o Luizão, contando mentira lá." Aí eu vou assistir. Bem, gente. Eu trouxe uma coisa por escrito aqui. Como eu sou maluco...Maluco, beleza. Deixa eu falar para vocês. Ô, Haddad. Você sabia que aqui em São Paulo nós temos 971 mil meninos e meninas recebendo Pé-de-Meia? Aquele programa que nós criamos achando que poderia dar certo ou não. No Brasil já receberam Pé-de-Meia 7 milhões e 200 mil jovens. Estão aqui na capital. Só no estado de São Paulo são 971 mil. Peguem o seu estado para ver quantos já receberam. Vejam a revolução que nós fizemos para garantir que as meninas e os meninos não desistissem da escola para ajudar no orçamento da família. Resolvemos fazer uma bolsa. Muita gente dizia que era gasto. E eu dizia: "Educação não é gasto. Educação é investimento." Um preso aqui em São Paulo, Rui Falcão, numa prisão comum em São Paulo custa R$ 35 mil por ano. Um estudante de um Instituto Federal custa R$ 16 mil por ano. Numa cadeia de segurança máxima custa R$ 40 mil por mês um preso. Um estudante da Universidade Federal fazendo um curso de engenharia espacial, que é o único curso de engenharia espacial do Brasil, custa R$ 20 mil por mês. Qual é a definição? É mais barato investir em educação do que gastar dinheiro com prisão. E quem pode ir para a prisão é esse jovem, se a gente não lhe der oportunidade. O companheiro Alckmin aqui foi injusto com a Caixa Econômica Federal e com o Banco do Brasil. Porque você está falando do BNDES. Nós temos que dar crédito também à Caixa Econômica Federal, ao Banco do Brasil, ao BASA e ao BNB. Todos jogam um papel muito importante no desenvolvimento da economia deste país. Cada um com a sua característica. O BNDES, Aloizio, é um banco bom. Pense num banco bom. Mas também só empresta dinheiro para quem não precisa. O cara já tem dinheiro. A exigência é tanta... Mas eu estou sabendo, Aloizio, inclusive para o Nordeste. Quanto foi para o Nordeste? Neste semestre aumentou o investimento, o empréstimo para o Nordeste em 186%. Porque o BNDES não tinha caixa-preta. Como aquela gente dizia. O BNDES tinha dinheiro para emprestar para o desenvolvimento. Como eles não queriam fazer isso, preferiram dizer que tinha uma caixa-preta. Ficaram quatro anos falando nisso. Quando nós abrimos a caixa, tinha uma fotografia dele lá. A caixa-preta era a cara dele. Porque ele não sabia para que utilizar o BNDES. Tem uma coisa que a gente tem que aprender. Nós temos que politizar a sociedade. A gente não tem que brigar. A gente tem que politizar. Tem que esclarecer. Porque tem gente que é palmeirense porque é palmeirense. Eu não vou convencer um palmeirense a virar corintiano. Tem gente que é corintiano porque é corintiano. Eu não vou conseguir fazer virar palmeirense. Assim também é na religião. E também é na política. Tem cara que é bolsonarista porque é bolsonarista. Mas tem um monte de gente que não é. E é essa gente que nós precisamos convencer. Para que serve a nossa boca? Para que serve a nossa língua? Para que serve o dom da palavra? Não é para a gente criar slogan. Por exemplo, estou vendo a menina da UBES: “Estudantes em luta por uma nova escola”. Olha. Vocês vão falar de uma nova escola? Então falem do que já aconteceu. Comecem esses cadernos de vocês contando o que aconteceu na educação brasileira. Porque foi um metalúrgico de São Bernardo do Campo... Está no peito da Janja essa fotografia desse menino. Levanta para o pessoal ver, Janja. Depois ninguém vê minha fotografia. Olha como eu era bonito. Dá uma olhada. Olha a felicidade da dona Lindu quando percebeu que estava me parindo. Baianinho jeitoso. Eu sou resultado de milagres. Vocês podem acreditar. Eu sou resultado de um milagre. Porque essa fotografia bonita, quando eu tinha cinco anos de idade, existe porque eu escapei de morrer de fome até os cinco anos. Tudo o que aconteceu na minha vida foi um milagre. Eu vir para São Paulo foi um milagre. Meu pai ter traído minha mãe e ido viver com outra mulher foi um milagre. Porque fez a minha mãe criar sozinha os oito filhos. E criou decentemente. Uma mulher que não sabia fazer um "o" com um copo. Mas tinha um caráter que não cabia num mar de tão grande que era. Tinha uma força de vontade maior do que o Oceano Pacífico. Tinha muita força de vontade. E ela criou um milagre. O milagre de alguém que jamais imaginou entrar para a política. Jamais imaginei ser dirigente sindical. Jamais imaginei ser vereador. Jamais imaginei ser deputado. Eu lembro que o PMDB, em 1978... O Fabiano e o Marcelo Gatto foram ao sindicato me convidar para ser deputado. “Você fez as greves de 78, você vai ser eleito". Eu falei: "Ô, Gatto..." O Gatto era muito meu amigo. "Gatto, é o seguinte: Não há cargo de deputado mais importante do que a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Eu vou continuar sindicalista. É isso. Então, eu vir para a política foi um milagre daqueles que eu jamais imaginei. Eu disse para vocês. Em 1978 eu era tão ignorante que achava que não era. Eu achava... A imprensa dava manchete para mim: "O operário puro." "O operário puro." "O operário que não gosta de política." Era assim que eles me tratavam. Porque eles não querem que o trabalhador tenha consciência política. Eu lembro que, em junho, julho de 1978, eu dizia assim: "Eu não gosto de política e não gosto de quem gosta." Eu achava o máximo. Tinha jornalista que dava manchete: "Lula, o puro." "Lula, o santo." "O que não gosta de política." Dois meses depois eu estava no palanque apoiando Fernando Henrique Cardoso para o Senado. Dois meses depois eu ainda o representava em vários comícios da cidade. Era eu quem falava em nome dele. Ele era candidato na sublegenda do PMDB contra Franco Montoro e contra meu amigo Cláudio Lembo. Pessoa com quem tive uma bela amizade. Um homem de respeito. Sempre me tratou com muita deferência. Então, companheiros, tudo o que eu era não era para eu estar aqui hoje. Se eu estou aqui hoje, existem dois milagres. Um de Deus. E o outro de vocês. Porque um dia vocês acreditaram. Eu nunca esqueço quando, na convenção do PT, em 1989, o Eduardo Jorge me lançou candidato a presidente. Eu fui para casa pensando: "Esse Eduardo Jorge é meu inimigo." "Como é que esse cara pode me lançar candidato a presidente?" Do outro lado tinha Aureliano Chaves, vice-presidente do Figueiredo. Ulysses Guimarães, o homem da Constituinte, Leonel de Moura Brizola, um cara que já vinha sendo candidato desde o exílio; Paulo Salim Maluf; Mário Covas. Afif Domingos. Roberto Freire. Só tinha gente importante. E estava lá o metalúrgico. Eu fui para casa pensando: "Será que vai dar?" Será que vai dar? E deu. Deu porque eu descobri que, quando a gente tem trabalho de base... Essa é uma coisa que me deixa triste com a política de hoje. Quero que vocês saibam. Eu fico triste com a política de hoje. Eu preferia o meu partido quando a gente tinha que vender camiseta para arrumar dinheiro. Para colocar gasolina no carro. Para ir fazer outro comício. Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Não me agrada porque está levando os partidos à promiscuidade. É isso que eu penso. Fez todos nós virarmos iguais. Eu fico imaginando... Eu conheço o jeito daquele Congresso. Um partido que recebe R$ 1 bilhão por ano. R$ 1 bilhão. Tem que prestar contas ao povo brasileiro. E, muitas vezes, no Poder Executivo, a gente precisa cortar R$ 10 milhões de uma escola. R$ 10 milhões de um programa de saúde. Então houve uma inversão que nós precisamos mudar. Eu quero que vocês saibam. A minha quarta Presidência é para mudar muita coisa neste país. Quero que vocês saibam. Vai ter briga. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo. Porque... Esses dias eu peguei... Ô, Randolfe... Esses dias eu peguei... Eu vou ter que vetar uma faculdade criada por você. Você aprovou no Senado uma universidade no Amapá. Eu sei que também aprovaram uma em Minas Gerais. Hoje eu tenho que vetar. Porque universidade é atribuição do presidente da República. Não é de deputado nem de senador. Se eu não vetar, sabe o que vai acontecer? Ano que vem vão criar 503 universidades. Todo ano. Então eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. Vai perdendo o direito de indicar dirigentes de agências. Vai perdendo o direito de indicar ministro da Suprema Corte. Vai perdendo o direito de indicar dirigente do CADE. Vai perdendo o direito de criar. Ou seja... Daqui a pouco, qual é o direito que terá o presidente da República? Nenhum. Então a gente vai ter que discutir isso. E é bom vocês se elegerem. Todos vocês. Não quero um primeiro suplente. Quero todo mundo eleito. Porque vai ter que ter briga democrática para a gente mudar este país. Eu não quero ser mais o presidente só do Bolsa Família, só do Brasil Sorridente, é tudo mais. Mais e mais. É preciso ser mais. Esse "mais" significa mudar de comportamento. A gente vai ter que ser mais ousado. Muito mais ousado. Para mudar muita coisa. Por exemplo, na questão da educação. Nós vamos ter que ter muita coragem. Então significa que a gente não vai poder ficar chorando atrás da miséria que sobra do orçamento. Significa que a gente vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação neste país. Porque, sem educação, a gente não chegará aonde tem direito de chegar. Por isso é preciso investir. Ciência e tecnologia. É importante a gente tomar a decisão de investir mais. Porque, se a gente não investir em pesquisa, em formar cientistas, a gente não vai chegar lá. A gente só vai trabalhar com o que já tem. Hoje eu corto R$ 10 milhões. Amanhã tenho cinco para colocar. Depois corto mais dez. Nós precisamos definir aquilo que é prioridade para o país. Aquilo que nós precisamos entregar em um projeto de dez anos. De quinze anos. Mas temos que dizer ao povo o que vamos fazer definitivamente. Como nós fizemos com a Nova Indústria Brasil. Na verdade, Alckmin fez um milagre junto com a equipe econômica para fazer a Nova Indústria Brasil funcionar. Perguntem para as pessoas como está a indústria da saúde hoje no Brasil. E por que a indústria da saúde cresce? Porque nós temos um consumidor chamado SUS. Que compra máquinas. Só para vocês terem uma ideia... Como chama esse negócio? Implanon, das mulheres... Implanon. Sabe o que é Implanon? Os homens não sabem. Porque os homens não se interessam pelas coisas das mulheres. Implanon é uma coisa que substitui o anticoncepcional. É uma coisa que substitui o DIU. É uma coisa aplicada no braço da mulher que dura três anos. Durante três anos a mulher não engravida. É uma coisa milagrosa para a juventude. Para meninas de 16, 17, 18 anos. Para dar tranquilidade à família e não estragar o futuro delas. Porque uma jovem que fica grávida aos 16 anos muitas vezes joga o futuro fora. E nós temos que protegê-las. Estou dizendo isso por quê? Ela tem que ter filho quando ela quiser. Por isso tem que haver planejamento familiar. Mas vocês sabem qual era o país que mais tinha comprado isso? O México. Comprou 80 mil cápsulas. Sabe quantas nós compramos? 1 milhão e 800 mil. No Rio de Janeiro já caiu mais de 57% a gravidez na adolescência. É isso que é o milagre. É isso que nós temos que fazer. Ser ousados. A gente não pode melhorar hoje e piorar amanhã. Vou pegar o Fome Zero. Vou pegar o Bolsa Família. A gente acabou com a fome em 2014, no governo Dilma. Quando eu voltei, em 2023, tinha 33 milhões de pessoas passando fome. Eles acabaram com o Ministério da Cultura. Com o Ministério da Mulher. Com o Ministério da Igualdade Racial. Com o Ministério do Trabalho. Ou seja, acabaram com tudo. Se a gente quiser passar para a história como o governo e o partido que transformaram este país, somos nós, da esquerda. Portanto, é por isso que a gente pode brigar. Mas é preciso parar de achar que a verdade está no nosso partido. A verdade está na nossa capacidade de unir todas as nossas verdades. E construir uma verdade comum para todos nós trabalharmos juntos. E ganhar esta eleição. Porque muitas vezes a gente briga muito. A educação é uma coisa muito básica queria dizer para vocês outra coisa. Eu já falei das mulheres. A recomposição da renda das famílias brasileiras. Essa é uma coisa que a gente não pode deixar de fazer. A cada ano, a gente recuperar um pouco da renda das pessoas. E aí eu quero agradecer ao Haddad pela coragem e pela habilidade de negociar. E a gente aprovar uma política tributária que estava há 40 anos esperando. E, ainda mais, o mesmo Congresso que eu tanto critico é o Congresso que aprovou por unanimidade a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Aliás, uma coisa que eu vou dizer para vocês. Se a gente não fizer o reajuste da tabela do Imposto de Renda para essa gente, daqui a pouco os R$ 5 mil vão diminuir. Portanto, a gente vai ter que corrigir aquilo que nós não fizemos. Porque, quando a gente erra, a gente apanha. Nem sempre, quando a gente acerta, a gente é reconhecido. Mas, quando erra, a gente toma porrada que não acaba mais. Então acho que a gente tem que fazer as coisas certas. É por isso que o Lulinha, aquele menino da dona Lindu, que você deixaram chegar onde eu cheguei, se não fosse por vocês...Eu fico imaginando o heroísmo de vocês. Eu pego um intelectual... Está aqui o intelectual do Rio de Janeiro. Eu fico imaginando um intelectual levantar de manhã para ir à urna votar para presidente num cara que só tem quatro anos de escola. Isso é uma coragem revolucionária. É uma coragem. O Aloizio Mercadante, com tudo o que aprendeu na Unicamp, depois votar no Lulinha... Que ele sabe que é metalúrgico. Eu falava “menas laranja”... Hoje eu já falo “en passant”. Hoje eu já falo até coisas que eu não sabia falar. E, de vez em quando, a Janja fala outras. Mas eu quero dizer para vocês, companheiros e companheiras, que nós temos cinco compromissos. Cuidem. Prestem atenção. Anotem o que eu vou dizer aqui. Porque é para vocês cobrarem a imprensa também. Por favor. Parem de olhar o celular e anotem o que eu vou dizer. Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação neste país. Eu sou presidente pela quarta vez porque quero pagar uma dívida com os idosos deste país. É preciso que a gente saiba que a nossa população envelheceu. É importante que a gente saiba que nem sempre o filho que a mãe pariu cuida dela, quando ela está velha, da mesma forma que ela cuidou dele quando ele fazia xixi e fazia cocô nas fraldas. Era ela que cuidava dele. Era ela que ensinou ele a comer. Era ela que ensinou ele a andar. Era ela que acordou de madrugada para matar a fome dele com uma madeira ou com peito. Então nós temos muitos idosos abandonados hoje. Muitas pessoas que a família não quer porque têm algum tipo de doença. Se tiver mal de Parkinson, mal de Alzheimer, alguma coisa, as pessoas não querem. Aí o velhinho fica escondido numa sala, na frente da televisão. E eu quero... Essa é uma coisa com que eu sonho e vou fazer. Nós precisamos criar um programa para o idoso. Não para ele ficar trancado. Queremos que ele tenha um lugar onde possa nadar, dançar, ler, ver filmes, caminhar. Possa fazer o que quiser. Até namorar, se encontrar uma parceira. Então, estejam preparados. Eu estou pensando nisso não porque tenho 80 anos. Mas quero que vocês saibam. Isso é uma confissão minha. Hoje, com 80 anos, pelo fato de ter me preparado, estou infinitamente melhor do que quando eu tinha 57 anos, quando tomei posse no meu primeiro mandato. Sabe por quê? Porque tomei uma decisão na minha vida. Eu não vou conseguir parar a rotação da Terra. Ela vai continuar rodando. Portanto, os anos vão passando. Eu não vou conseguir parar a rotação. A Terra gira. Os anos passam. E, no ano que vem, eu já tenho 81 anos. Com quem eu quero brigar, Zaratini, eu quero brigar com a velhice. Por isso eu levanto às 5h30 todos os dias. Por isso eu faço perna. Por isso eu faço braço. Por isso eu ando uma hora. E hoje corro a 8 km/h, coisa que eu não andava a 4,57. Porque eu quero vencer a velhice. Eu não quero andar arrastando as pernas. É por isso que eu digo às pessoas de idade: “Mexam-se, pelo amor de Deus.” Não é o médico que vai curar você. Você só procura o médico quando já está doente. Evite. Você pode evitar. Melhore a qualidade da comida. Faça mais exercício. Se tiver que beber, beba com cuidado. E bebida boa. Então, gente... Quando a gente tem uma causa, todos nós temos que ter uma causa. A gente não pode nunca acordar dizendo: "Ah, eu estou cansado." "Vou desistir." "A vida é dura." Gente, ninguém tem o direito de acordar assim. Ninguém. Quando você acordar, cara, estique o peito. Se estiver cansado, ande um pouco. O que você não pode fazer é sentar no sofá e ligar a televisão. Ande um pouco. Vá comprar pão. Vá passear com sua mulher. Vá andar com seu neto. Vá andar com seu cachorrinho. Vá andar sozinho. Quem cuida da sua vida não é o plano de saúde. É você. Você pode evitar metade dos gastos que tem com saúde se fizer o que a natureza manda fazer. Eu aprendi isso. Aprendi isso. Por isso, queridos companheiros, eu estou inteiraço. Por isso, quando o Alckmin falou que eu sou um menino... É verdade. Quase, quase que eu peço para a Janja gritar e dizer que é verdade. Janja, grita! Para dar uma moral para mim, porque eu estou precisando de uma moral. Outra coisa importante: a questão da defesa. Eu quero pedir à esquerda. Quero pedir à esquerda. Às mulheres e aos homens. Parem com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa. Este país tem 16.800 quilômetros de fronteira seca. Este país tem 8 mil quilômetros de fronteira marítima. Além da nossa fronteira, nós temos 5,7 milhões de quilômetros quadrados de águas sob a nossa responsabilidade. Este país tem a maior floresta tropical do planeta. Tem 12% da água doce do mundo. Tem uma riqueza mineral que a gente ainda não sabe quanto tem. E este país tem 210 milhões de preciosidades, que são homens, mulheres e crianças que nascem neste país. E nós precisamos investir na defesa. Eu quero estar preparado para que ninguém invada este país para levar o presidente como eles invadiram. Eu quero estar preparado para a paz. Quero estar preparado para a paz. Não para a guerra. Quero estar preparado para que ninguém ousar se fazer de besta conosco. Então é importante saber que nós precisamos investir na indústria da defesa. O Aloizio Mercadante tem ajudado com o BNDES. E vai ajudar mais. Porque nós precisamos saber da importância da defesa. A Europa, depois da guerra da Ucrânia, está investindo 800 bilhões de euros. A Inglaterra está investindo. O Japão está investindo. A Alemanha está investindo. E nós... Haddad, quando eu cheguei à Presidência da República, em 2003, você sabia que o soldado brasileiro era liberado às 11 horas da manhã porque não tinha dinheiro para o almoço? Vocês sabiam que todos os aviões que a FAB tem fui eu que comprei? De lá para cá não se comprou mais nenhum. Eu pergunto: Por que não tinha? Não tinha porque isso nunca foi preocupação. E eu quero me preocupar. Quero me preocupar. Eu sei que aqui tem muita gente que tem trauma por causa dos 23 anos da ditadura militar. Gente, mas o tempo passa. A gente evolui. A gente precisa saber o seguinte: Se a gente não estiver seguro, qualquer dia alguém se mete a besta conosco. E eu quero estar preparado. Preparado para investir em tecnologia. Investindo em tecnologia. Investindo nas coisas mais modernas que a gente pode. Por que um país do tamanho do Brasil não tem uma fábrica de drones? Como é que a gente vai controlar 16 mil quilômetros de fronteira a pé? Se você não tiver drones, você não controla a fronteira. Então é o seguinte. Eu quero que vocês saibam que vou levar a sério essa questão da defesa no meu quarto mandato. Eu quero que vocês saibam que vou levar muito a sério esse negócio das terras raras e dos minerais críticos. Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz. Tem muita gente metendo o dedo na nossa terra. Isso vai parar. Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro. E nós temos que utilizar a nossa capacidade de investimento. Nosso conhecimento científico e tecnológico. Para sermos donos da exploração, da transformação e da utilização dessas riquezas. Por que a gente não pode fazer bateria elétrica? Pode. Se a gente ficar só formando advogado e cientista político, a gente não vai. Nós temos que formar cientistas, gente especializada naquilo. "Seu filho da mãe, se for preciso, você vai para a China. Se for preciso, você vai para Guaranhuns. Se for preciso, você vai para qualquer lugar. Mas vai estudar aquilo de que o nosso país precisa.” É isso. Nada contra advogado. Que eu estou sempre precisando de advogado. Mas acho que nós temos que investir mais em matemática. Muito mais em inteligência artificial. Esse mundo digital é uma loucura. Então nós temos que induzir a meninada a estudar isso. Matemática. Está ali o nosso professor de matemática. O governador do Piauí. O cara mais esperto que eu conheço no mundo. Só perde para o Trump. Mas o Rafael é matemático. E ele sabe que a primeira faculdade de Matemática neste país fui eu que criei no Rio de Janeiro. Para os alunos que forem campeões da Olimpíada de Matemática, a gente faz um vestibular. Os melhores vão fazer Matemática no Rio. Com direito a apartamento. Com direito a almoço. Janta. Café da manhã. Até se formar. É esse país que nós vamos fortalecer. E as terras raras, Alexandre, se cuide, tratem de cavucar direito. Porque nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras e nos nossos minerais críticos. Eu acho que o Brasil nem precisaria de inteligência artificial. Um cara que tem o Haddad. Que tem o Aloizio Mercadante. Que tem tanta gente inteligente sentada naquela mesa... Para que inteligência artificial? Mas, já que ela existe, vou deixar minha modéstia de lado. Vou admitir que ela pode ser mais útil do que eu. E nós vamos investir muito em inteligência artificial. A Esther Dweck tá investindo, tá pesquisando e nós vamos ter uma reunião para definir o que vamos fazer. Outra coisa, Alexandre. É com você outra vez. A famosa transição energética. Essa coisa de data center, biodiesel, puta merda, vocês não sabem o que aconteceu comigo. Por isso eu digo que é um milagre. Eu me encontrei com a direção da Mercedes-Benz. Uma empresa alemã. Antes da COP. Antes de eu ir para a Alemanha. Eles foram me visitar. E eu fiz um desafio. Eles vendem Euro 4. Euro 5. Euro 6. Euro 7. Todo ano criam uma tecnologia nova. E aumentam 15% do preço do caminhão. E eu fui dizer para eles que o Brasil não precisa da tecnologia deles no motor. Porque o nosso combustível é melhor do que o deles. Porque nós temos florestas que eles não têm. Porque nós temos uma mistura que eles não têm. E fiz um desafio ao presidente da Mercedes e ao primeiro-ministro Merz. É um homem de direita. Conservador. Mas muito simpático. Como eu reclamei que ele veio a Belém e disse que não comeu a comida de Belém porque não gostou... Eu falei: "Quando eu vou à Alemanha, eu compro aquela linguiça assada vendida na rua." Um dia fui visitá-lo comendo a linguiça. Você sabe que, quando eu cheguei agora, ele fez um churrasquinho de linguiça para mim? Aí fomos fazer o teste do óleo brasileiro. O caminhão rodou 100 quilômetros com o óleo deles e com o nosso. O técnico, que era o maior especialista da Alemanha em inspeção de motores, avaliou o resultado. O que aconteceu? O nosso óleo diesel emite 67% menos gases de efeito estufa do que o deles. Porque tem uma coisa que o Brasil precisa aprender. Nós não somos inferiores a ninguém. O problema é que nós temos uma elite colonizada. E, por ser colonizada, ela sempre acha que os outros são melhores do que nós. Qualquer coisa produzida fora é melhor. Isso é complexo de quem não acredita em si próprio. É como o sujeito ciumento. Ele só tem ciúme porque não acredita nele mesmo. Ciúme não é doença. Não é fraqueza. É, eu diria, um pouco de falta de caráter. Porque ou você acredita no seu taco ou joga o taco fora. Porque, se você acredita em você, não tem por que ter ciúmes. Quando a pessoa é fraca, fica pensando: "Será que a minha mulher gosta de outro?" "Será?" Em vez disso, coloque-se no seu lugar. Lute. Trabalhe. Convença a mulher tratando-a bem. Convença a mulher respeitando-a. Não é dando um prato de comida. Nem ameaçando parar de pagar aluguel. Siga o exemplo da dona Lindu. Dona Lindu. Analfabeta. Mãe de oito filhos pequenos. Teve coragem de largar meu pai. Morar num barraco. Cuidar dos oito filhos. E transformar o Lulinha nessa coisa bonita que está aqui falando com vocês hoje. Bem... Para falar nisso... Vou terminar dizendo uma coisa. Vira e mexe a gente vê no jornal alguém dizendo: "Não pense no passado." Eu leio o passado para trabalhar no presente. E para não errar no futuro. Essa é a leitura que eu tenho orgulho de numa convenção do meu partido eu, que nasci criticando a legislação sindica porque ela era cópia fiel da Carta del Lavoro, de Mussolini. Eu nasci assim. Durante muito tempo. Hoje, porque a idade serve para aguçar a inteligência, serve para a gente rever os próprios erros. Porque, de vez em quando, cada um de vocês tem que sentar numa cadeira. Ou colocar a cabeça no travesseiro. E pensar: Onde foi que eu errei? Onde foi que eu acertei? O que eu poderia ter feito? O que eu não fiz? E hoje eu digo para todo mundo. E digo aqui para vocês. Para todos os professores. Todos os jornalistas. Todos. Sem medo de errar. Peguem a história do Brasil desde a Proclamação da República. Marechal Deodoro da Fonseca. 15 de novembro de 1889. Estudem a história dele e de todos os presidentes da República que chegaram ao governo até nós. E vejam quantos fizeram política de inclusão social neste país. Ninguém é obrigado a acreditar numa palavra minha. Pesquisem. Estudem. Hoje basta entrar no Google e perguntar. Pesquisem. E vocês vão perceber que houve dois grandes momentos de inclusão social neste país. O primeiro foi o de Getúlio Vargas. Que não era operário. Era fazendeiro. Com a criação do salário mínimo, em 1936, que tirou o povo do abandono para dar um salário. Depois, em 1943, com a criação da CLT, que tirou o povo da semiescravidão. Deu direitos. Deu jornada de trabalho. Deu férias. Deu um monte de coisas para nós que hoje muita gente acha ruim. "Ah, a CLT é ruim." "É tudo coisa velha." Procurem alguma coisa mais nova. Procurem. Vejam quem fez alguma coisa depois dele. Vejam quem fez. Muitas vezes a gente fala em contrato coletivo de trabalho. Contrato coletivo de trabalho pressupõe sindicato forte. Pressupõe sindicato forte. Sindicato fraco não faz contrato coletivo. É preciso o sindicato ser forte. Muito organizado. E nós temos ainda poucos no Brasil. Porque eles também enfraqueceram. Agora a reforma trabalhista teve a coragem de enfraquecer ainda mais. Com o apoio do Paulinho da Força Sindical, que vai pedir voto para vocês agora. Então vocês tomem cuidado. Então, gente, depois do Getúlio, quem foi? De quem? Faz de conta que eu estou narrando um jogo na Globo. "De quem? De quem?" A segunda política de inclusão social é nossa. É do governo Lula e do governo Dilma. Se vocês pegarem... Estou dizendo isso porque é importante vocês saberem para o debate. Porque o debate não é na televisão. O debate é com vocês. Quando estiverem na feira, no escritório, no comércio, e uma pessoa falar mal, vocês têm que saber argumentar. Vocês têm que saber argumentar. Porque o argumento perdeu força. A mentira ganhou força. Então vocês têm que saber tudo o que foi feito. Tudo. Vocês não acham estranho, gente? Eu, um simples torneiro mecânico, tenho que olhar para vocês e perguntar: Por que a elite brasileira, que governou este país tantos anos, não fez o que tinha que fazer? Por que não investiu na educação? Por que não criaram o ProUni, não criaram o Reuni, não criaram o Fies, por que não criaram o Pé-de-Meia? Por quê? Por que não fizeram um programa habitacional como o Minha Casa, Minha Vida? Quem conhece uma Casa Verde e Amarela que o traste disse que ia fazer e não fez? Quem conhece? Quem é que mais cuidou dos indígenas deste país? Quem é que mais reconheceu terras quilombolas? E é difícil fazer. Porque tem decreto com dinheiro depositado há cinco anos que ainda não foi resolvido. Eu tinha uma reunião com as mulheres negras. Era dia 8. Não sei se vai ser mantida. Para a gente discutir. Vou levar a Advocacia-Geral da União. Vou levar o Incra. Vou levar o Ministério da Igualdade Racial. Porque eu quero tirar todas as barreiras. Porque o que impede é barreira burocrática. É barreira burocrática. Quando a gente aprova uma coisa, a gente anuncia. O Haddad é especialista nisso. A gente anuncia. Faz um ato. Chama a imprensa. Quando a gente pensa que está acontecendo, não está acontecendo. Por quê? Porque caiu no cara da Caixa que não entende. Caiu no cara do Banco do Brasil que não entende. Caiu no ministério, no cara do segundo escalão que não entende. E aí as coisas vão demorando. E no governo eu criei uma coisa chamada transversalidade. Parece boa. Mas não é tão boa. Porque o que acontece com a transversalidade? Quando a ministra reúne dez ministros e tem uma dúvida que quer levar para mim, o ministro que não quer aprovar não quer que ela leve para mim. Fala: "Vamos discutir mais um pouco." "Vamos aperfeiçoar mais um pouco." Para que levar problema para o presidente? Não. O presidente está lá para resolver os problemas. Quanto mais problemas chegarem à minha mesa, mais rápida será a solução. Então, neste quarto mandato, vocês vão ver. Eu não quero o Lulinha paz e amor. Eu quero o Lulinha porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque do básico nós já cuidamos. O povo já está comendo, o povo já tá de benefício. Vocês não têm noção do significado dessa Agora Tem Especialista, a revolução desse programa. Agora que nós estamos com o básico garantido, agora é hora de dar um salto de qualidade. Agora é hora de pensar neste país. Qual é o país do futuro que eu vou entregar quando você, Haddad, depois de governar São Paulo por oito anos, quiser ser presidente da República? Ou você, Rafael. Porque quem sabe sai do Piauí o próximo. Ou quem sabe do Rio Grande do Norte. Ou quem sabe do Ceará. Ou quem sabe de Pernambuco. Ou da Bahia. De algum lugar vai sair. Então nós vamos definir. Esta eleição é para definir que país a gente vai deixar do ponto de vista das coisas que nós ainda não fizemos. Então, meus queridos companheiros e companheiras. Sou obrigado a terminar agradecendo a vocês. O carinho. A amizade de tantos anos. Eu sei que muitas vezes vocês ficaram frustrados comigo em alguma coisa. Eu sei que nem sempre pude entregar tudo do jeito que vocês queriam. Mas, quando a gente governa, não faz tudo o que quer. Faz muita coisa que pode fazer. E outras não pode fazer. É importante vocês saberem. Porque governar é decidir. E toda vez que você toma uma decisão, tem que escolher um lado. Toda vez. E muitas vezes você não consegue tomar as decisões que gostaria de tomar. Eu peço desculpas pelos erros que cometi. Peço desculpas pelas coisas que eu não fiz. Mas quero dizer para vocês que o nosso governo está dando a vocês armas. Argumentos. Que vocês nunca tiveram na história deste país. Vocês têm um governo que entregou mais do que prometeu. E que vai entregar muito mais. Só depende de vocês. Um beijo no coração de vocês. E até o dia 16. O dia 16 é o grande dia. O dia 16 é para lotar o estádio da Vila Euclides. Eu quero senador. Quero deputado. Quero candidato. Quero candidata. Eu quero vocês no estádio da Vila Euclides. Porque lá... Lá eu vou mostrar café no bule. Lá vocês vão ver a cobra fumar. Lá vocês vão ver o começo da grande vitória. O povo brasileiro tetra. O povo brasileiro se preparando para o penta. E depois para o hexa. E depois não sei para quanto mais. O dado concreto é que nós não temos o direito. Não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar este país. Um beijo no coração, gente. Contem comigo."
    Clique aqui para Ler Mais
    Artigo Anterior
    Psiquiatria: saúde mental no centro da Medicina moderna
    Artigo Seguinte
    Ônibus do Transcol é apedrejado após morte de chefe do tráfico foragido por atirar na cabeça de PM no ES

    Relacionados Notícias do Brasil Atualizações:

    Tem a certeza? Deseja eliminar este comentário..! Remover Cancelar

    Comentários (0)

      Deixe um comentário