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    Promotor de AL diz que não vai apurar concursos após identificar suposta interferência de facções

    há 8 horas

    Promotor Coaracy Fonseca, titular da 17ª Promotoria de Justiça Divulgação/MP-AL O promotor de Justiça Coaracy José Oliveira da Fonseca, titular da 17ª Promotoria de Justiça da Capital, informou que não vai mais atuar na análise de novos concursos públicos em Alagoas após apontar possíveis tentativas de fraude para permitir o ingresso de pessoas ligadas ao crime organizado na segurança pública. 📱Participe do canal do g1 Alagoas A manifestação foi encaminhada ao procurador-geral de Justiça de Alagoas, Lean Antônio Ferreira de Araújo, e publicada no Diário Oficial Eletrônico do Ministério Público de Alagoas (MP-AL) na quarta-feira (26). No documento, Coaracy afirma ter reunido informações que considera consistentes sobre possíveis tentativas de fraude em concursos e cita grupos de pistolagem, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo ele, a situação ultrapassa o que considera irregularidades administrativas e exige a atuação de equipes especializadas de inteligência e segurança pública. Agora no g1 O promotor também afirma que identificou informações sobre uma possível infiltração de integrantes de organizações criminosas em poderes constituídos e órgãos independentes de Alagoas. Ele ressalta, porém, que a confirmação ou o descarte dessas suspeitas depende de uma investigação especializada. A principal preocupação apontada por Coaracy é o concurso da Polícia Civil de Alagoas para os cargos de agente e escrivão. Segundo ele, uma eventual fraude nesse certame poderia permitir que pessoas ligadas ao crime organizado tivessem acesso a armas, sistemas policiais, investigações sigilosas e informações de inteligência. “Não disponho de condições funcionais para enfrentar isoladamente organizações criminosas ou estruturas de pistolagem e, sobretudo, não considero justificável expor minha segurança pessoal e da minha família a riscos dessa natureza sem aparato institucional adequado”, afirmou o promotor. Delegado-geral da Polícia Civil, Gustavo Xavier Assessoria Retorno de delegado-geral Entre os motivos citados pelo promotor está o retorno de Gustavo Xavier ao cargo de delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas. Xavier reassumiu a função após decisão judicial, depois de ter sido afastado por 120 dias em uma investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraude em concursos públicos. Coaracy questiona o fato de o delegado-geral voltar ao comando da Polícia Civil justamente quando a corporação deverá participar da segurança dos concursos em andamento, incluindo o certame da própria Polícia Civil. O g1 tenta contato com a defesa de Gustavo Xavier para saber se ele vai se manifestar sobre as declarações do promotor. Contratações sem concurso no sistema prisional Outro ponto citado por Coaracy é um caso envolvendo 891 pessoas que, segundo ele, exerciam funções no sistema penitenciário de Alagoas sem concurso público durante o governo de Teotônio Vilela Filho. De acordo com o promotor, entre essas pessoas estava Albino Santos de Lima, ex-agente penitenciário que posteriormente foi apontado pela Polícia Civil como responsável por uma série de homicídios em Maceió. Em 2012, a 17ª Promotoria de Justiça expediu uma recomendação para regularizar a situação das contratações, segundo informações citadas no documento. Albino responde por 18 mortes atribuídas a ele pela Polícia Civil e acumula condenações que ultrapassam 200 anos de prisão. Coaracy também afirma que, caso os assassinatos tenham ocorrido antes de 2019, a responsabilidade pela situação seria do Judiciário e do governo da época. Essa afirmação consta no documento encaminhado à Procuradoria-Geral de Justiça. O g1 tenta contato com o ex-governador Teotônio Vilela Filho. Fiscalização continuará Apesar da decisão de Coaracy, o Ministério Público de Alagoas informou que a fiscalização dos concursos públicos não será interrompida. Segundo o órgão, outro promotor será designado para dar continuidade ao acompanhamento dos certames. O MP-AL afirmou ainda que vai disponibilizar os instrumentos institucionais necessários, incluindo o Núcleo de Inteligência, para garantir a transparência, a legalidade e a idoneidade dos concursos públicos realizados em Alagoas. Coaracy informou que vai concluir os dois procedimentos relacionados a concursos que já tramitam na 17ª Promotoria de Justiça e que são intermediados pelo Cebraspe. Ele não informou quais são os certames. Sede do Ministério Público do Estado de Alagoas, no bairro do Poço, em Maceió Ascom/MP-AL
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